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Questão de Medicina — Epidemiologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEpidemiologia
Código
qg726965
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
As hantaviroses são antropozoonoses virais agudas, cujas infecções em humanos podem se manifestar sob várias formas clínicas, desde o modo inaparente ou como enfermidade subclínica até formas mais graves. Nesse contexto, quais são os reservatórios dos hantavírus?
  1. ACães.
  2. BGatos.
  3. CMorcegos.
  4. DCaramujos.
  5. ERoedores silvestres.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Roedores silvestres.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hantavírus: reservatórios e transmissão

Gabarito: letra E. Os hantavírus são mantidos na natureza por roedores silvestres, que atuam como reservatórios naturais e eliminam o vírus pela urina, fezes e saliva, contaminando o ambiente e transmitindo a infecção ao homem por inalação de aerossóis. Essa é a base epidemiológica da hantavirose, uma antropozoonose viral aguda.

As hantaviroses são zoonoses causadas por vírus do gênero Hantavirus, família Bunyaviridae. O nome vem do rio Hantaan, na Coreia, onde a doença foi descrita durante a Guerra da Coreia. No Brasil, as duas formas clínicas principais são a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH), mais comum, e a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR), predominante na Ásia e Europa. A transmissão ao homem ocorre principalmente pela inalação de aerossóis formados a partir de excretas (urina, fezes, saliva) de roedores infectados, que permanecem viáveis no ambiente por dias. Não há transmissão inter-humana sustentada, e o contato direto com o animal ou com materiais contaminados também pode transmitir.

Os reservatórios são os roedores silvestres, especialmente das subfamílias Sigmodontinae (no continente americano) e Arvicolinae (na Europa e Ásia). Cada espécie de hantavírus está associada a uma ou poucas espécies de roedores, numa relação coevolutiva: o vírus não causa doença grave no roedor, que permanece infectado cronicamente e elimina o vírus por toda a vida. No Brasil, os principais reservatórios são o Oligoryzomys nigripes (rato-do-mato) e o Necromys lasiurus (rato-do-cerrado), entre outros. A infecção humana é um evento acidental: ocorre quando o homem invade o habitat silvestre ou quando os roedores, por desequilíbrio ecológico, aproximam-se de áreas rurais e periurbanas, especialmente em épocas de colheita ou de superpopulação de roedores.

A confusão com outras zoonoses é comum: na leptospirose, os roedores também são reservatórios, mas a transmissão é por contato com água ou solo contaminados pela urina; na raiva, os morcegos são reservatórios importantes; na doença de Chagas, cães e gatos são reservatórios domésticos do Trypanosoma cruzi. A banca explora exatamente essa mistura de reservatórios entre zoonoses diferentes. A palavra-chave é roedores silvestres — não qualquer roedor, mas os silvestres, que são o reservatório natural dos hantavírus.

Guarde a associação: hantavírus → roedores silvestres → aerossóis de excretas → inalação. É esse o critério que separa a alternativa correta das demais, que apontam reservatórios de outras doenças.

Hantavírus
  • 1Reservatório
    • Roedores silvestres
      • Sigmodontinae (Américas)
      • Arvicolinae (Europa/Ásia)
  • 2Transmissão
    • Inalação de aerossóis
    • Excretas (urina, fezes, saliva)
  • 3Formas clínicas
    • Síndrome Pulmonar (SPH)
    • Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR)
  • 4Distratores (outras zoonoses)
    • Cães/gatos → Chagas
    • Morcegos → Raiva
    • Caramujos → Esquistossomose
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Cães não são reservatórios de hantavírus. Na verdade, cães e gatos são reservatórios domésticos do Trypanosoma cruzi, agente da doença de Chagas, e podem ser hospedeiros de outras zoonoses, mas não dos hantavírus. A banca usa esses animais para confundir com outras doenças.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Gatos, assim como cães, são reservatórios domésticos do T. cruzi na doença de Chagas, mas não têm papel como reservatórios de hantavírus. A transmissão de hantavírus está restrita a roedores.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Morcegos são reservatórios importantes de outros vírus, como o vírus da raiva, mas não dos hantavírus. A associação morcego → raiva é clássica, e a banca a utiliza como distrator para quem confunde as zoonoses.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Caramujos são hospedeiros intermediários de helmintos, como o Schistosoma mansoni (esquistossomose), mas não têm relação com hantavírus. A alternativa é um distrator absurdo, que testa se o candidato sabe o mínimo sobre o ciclo da doença.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os reservatórios dos hantavírus são os roedores silvestres. Eles mantêm o vírus na natureza, eliminando-o pelas excretas, e a infecção humana ocorre por inalação de aerossóis contaminados. Essa é a definição epidemiológica clássica das hantaviroses, confirmada pela literatura e pelos manuais de vigilância em saúde.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os reservatórios de zoonoses diferentes: cães e gatos (doença de Chagas), morcegos (raiva) e caramujos (esquistossomose) são distratores para quem não fixou que hantavírus é, por excelência, uma doença de roedores silvestres. Na prova, ao ver "hantavírus", lembre na hora: roedor silvestre + aerossol de excretas.

Gabarito: letra E.

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