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Questão de Medicina — Epidemiologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEpidemiologia
Código
qg726966
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
Um paciente jovem, previamente hígido, procurou atendimento no pronto atendimento com quadro de febre baixa e placas acinzentadas comprometendo as amigdalas, além de toxemia importante. Após exame físico e laboratorial, foi feito diagnóstico de difteria. Quais medidas devem ser instituídas no caso desse paciente?
  1. ANão há necessidade de notificação compulsória. Devem ser prescritos antibioticoterapia, repouso e hidratação.
  2. BNão há necessidade de notificação do caso. O paciente deve receber a vacina DTP (Tríplice Bacteriana).
  3. CO caso deve ser notificado. O paciente deve receber antibiótico, preferencialmente amicacina. Não há indicação do soro antidifitérico.
  4. DO caso deve ser notificado. Devem ser prescritos soro antidiftérico, antibioticoterapia, repouso, manutenção do equilíbrio hidreletrolítico, nebulização e aspiração frequente de secreções.
  5. ENão há indicação de uso do soro antidifitérico para esse paciente. Deverão ser prescritos somente repouso e hidratação.
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GabaritoD — O caso deve ser notificado. Devem ser prescritos soro antidiftérico, antibioticoterapia, repouso, manutenção do equilíbrio hidreletrolítico, nebulização e aspiração frequente de secreções.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Difteria: manejo clínico e notificação compulsória

Gabarito: letra D. Na difteria, o tratamento é feito em nível hospitalar com soro antidiftérico, antibioticoterapia e medidas de suporte (repouso, manutenção do equilíbrio hidreletrolítico, nebulização e aspiração de secreções), além da notificação compulsória obrigatória. A alternativa D é a única que contempla todos esses elementos de forma correta e completa.

A difteria é uma doença infecciosa aguda causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, que produz uma toxina responsável pelas manifestações clínicas graves. O quadro clássico, como descrito no enunciado, inclui febre baixa, placas acinzentadas aderentes nas amígdalas (a pseudomembrana) e toxemia importante. A doença pode evoluir com complicações graves como miocardite, neurite e colapso respiratório ou circulatório, por isso o manejo deve ser imediato e agressivo.

O diagnóstico é essencialmente clínico, pois o tratamento não pode ser adiado até a confirmação bacteriológica — o estado do paciente pode deteriorar-se rapidamente. A confirmação é feita por cultura de secreção da orofaringe e fossas nasais, em meio de cultura especial, devendo o laboratório ser avisado da suspeita clínica.

O tratamento da difteria envolve três pilares fundamentais:

  1. Soro antidiftérico (SAT): é a medida mais urgente, pois neutraliza a toxina circulante, impedindo a progressão das complicações. Deve ser administrado o mais precocemente possível, mesmo antes da confirmação laboratorial.

  2. Antibioticoterapia: tem como objetivo interromper a produção de toxinas e prevenir a transmissão para contatos. Os antibióticos avaliados em ensaios prospectivos foram a penicilina e a eritromicina.

  3. Medidas de suporte: incluem repouso, manutenção do equilíbrio hidreletrolítico, nebulização e aspiração frequente de secreções, especialmente quando há comprometimento das vias aéreas.

Além disso, o paciente deve ser rigorosamente isolado até que sejam obtidas duas culturas negativas de orofaringe e fossas nasais, colhidas com intervalo mínimo de 24 horas. A difteria é uma doença de notificação compulsória, devendo o caso ser comunicado às autoridades de saúde.

A principal pegadinha desta questão é a troca do antibiótico de escolha: a banca oferece a amicacina (alternativa C) como se fosse a primeira opção, quando na verdade os antibióticos de escolha são penicilina ou eritromicina. Outra armadilha é negar a indicação do soro antidiftérico (alternativas C e E), que é a medida mais importante no tratamento.

Guarde este esquema: difteria = notificação + SAT + antibiótico (penicilina/eritromicina) + suporte + isolamento. É exatamente esse conjunto que a alternativa D contempla integralmente.

Difteria: manejo
  • 1Notificação compulsória
    • Obrigatória
  • 2Tratamento
    • Soro antidiftérico (SAT)
      • Neutraliza toxina
      • Mais urgente
    • Antibiótico
      • Penicilina
      • Eritromicina
      • Amicacina (errada)
    • Suporte
      • Repouso
      • Hidreletrolítico
      • Nebulização
      • Aspiração
  • 3Isolamento
    • Até 2 culturas negativas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que não há necessidade de notificação compulsória, o que é falso — a difteria é doença de notificação obrigatória. Além disso, omite o soro antidiftérico, que é a medida mais urgente no tratamento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Também nega a notificação compulsória. A vacina DTP é uma medida de prevenção (profilaxia), não de tratamento do caso já instalado. O paciente com difteria ativa não é tratado com vacina, mas com soro antidiftérico e antibióticos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Acerta ao afirmar que o caso deve ser notificado, mas erra ao indicar a amicacina como antibiótico de escolha — os antibióticos corretos são penicilina ou eritromicina. Além disso, nega a indicação do soro antidiftérico, que é a medida mais importante e urgente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Contempla todos os elementos do manejo correto da difteria: notificação compulsória, soro antidiftérico, antibioticoterapia, repouso, manutenção do equilíbrio hidreletrolítico, nebulização e aspiração frequente de secreções. É a conduta completa e adequada para o caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Nega a indicação do soro antidiftérico, que é a medida mais urgente e essencial no tratamento da difteria. Além disso, omite a antibioticoterapia e a notificação compulsória, sendo uma conduta totalmente inadequada.

A difteria é uma emergência médica: o atraso na administração do soro antidiftérico pode ser fatal. A tríade notificação + SAT + antibiótico é o núcleo do manejo, e as medidas de suporte complementam o cuidado. Na prova, desconfie de alternativas que negam a notificação ou o soro — são os dois erros mais explorados pela banca.

Gabarito: letra D

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