Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg726988
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Mastologista
Em relação ao estudo clínico denominado CREATE-X, assinale a alternativa correta.
ANão foi evidenciada melhoria da sobrevida global com adição de paclitaxel.
BApós dois anos, a sobrevida livre de doença é significativamente melhorada com adição de capecitabina à terapia padrão.
COs efeitos colaterais da droga cisplatina foram gerenciáveis no CREATE-X.
DCREATE-X envolveu trastuzumabe e não tem a ver com quimioterapia.
EO tratamento com ciclofosfamida aumentou a sobrevida livre de doença para as pacientes HER2-negativo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Após dois anos, a sobrevida livre de doença é significativamente melhorada com adição de capecitabina à terapia padrão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Estudo clínico CREATE-X: capecitabina adjuvante no câncer de mama HER2-negativo
Gabarito: letra B. O estudo CREATE-X (randomizado, fase III) avaliou a adição de capecitabina à terapia adjuvante padrão em pacientes com câncer de mama HER2-negativo com doença residual após quimioterapia neoadjuvante, demonstrando melhora significativa da sobrevida livre de doença (DFS) em dois anos — exatamente o que a alternativa B afirma. As demais alternativas trocam a droga estudada (capecitabina) por outras (paclitaxel, cisplatina, trastuzumabe, ciclofosfamida) ou invertem os resultados do estudo.
O CREATE-X é um marco na oncologia mamária: ele respondeu a uma pergunta clínica crucial — o que fazer com pacientes que não atingem resposta patológica completa (pCR) após neoadjuvância? Historicamente, essas pacientes têm pior prognóstico, e não havia uma estratégia consolidada de tratamento adjuvante adicional. O estudo, conduzido no Japão e na Coreia do Sul, randomizou pacientes com câncer de mama HER2-negativo (tanto receptor hormonal positivo quanto triplo-negativo) que apresentavam doença residual invasiva após neoadjuvância para receber capecitabina adjuvante (1.250 mg/m² duas vezes ao dia, dias 1–14, a cada 21 dias, por 6–8 ciclos) ou apenas observação/tratamento padrão. O resultado foi uma melhora significativa na sobrevida livre de doença e, no subgrupo triplo-negativo, também na sobrevida global. Esse estudo mudou a prática clínica, estabelecendo a capecitabina como opção adjuvante padrão nesse cenário de doença residual.
A capecitabina é um pró-fármaco oral da 5-fluorouracila (5-FU), convertido em 5-FU preferencialmente no tecido tumoral pela enzima timidina fosforilase. Essa característica confere um perfil de toxicidade relativamente favorável, com efeitos colaterais como síndrome mão-pé (eritrodisestesia palmo-plantar), diarreia, náuseas e fadiga — geralmente gerenciáveis com ajuste de dose e cuidados de suporte. No CREATE-X, a adesão foi razoável, e os eventos adversos foram manejáveis, mas a alternativa C erra ao atribuir esses efeitos à cisplatina, que não faz parte do estudo.
A distinção central que a banca explora é entre os diferentes estudos e drogas no câncer de mama adjuvante. O CREATE-X é específico para capecitabina em HER2-negativo com doença residual. Já o trastuzumabe é a base do tratamento adjuvante do HER2-positivo (estudos como HERA, BCIRG-006, e o esquema AC-TH), e o paclitaxel é um taxano usado em diversos contextos, mas não foi a droga adicionada no CREATE-X. A alternativa D tenta confundir ao afirmar que o estudo envolveu trastuzumabe, quando na verdade o desenho excluía pacientes HER2-positivos (que já receberiam trastuzumabe).
A pegadinha aqui é a troca de drogas e a inversão de resultados. O candidato que memorizou apenas o nome do estudo pode cair na alternativa que menciona uma droga conhecida do câncer de mama (como trastuzumabe ou paclitaxel) sem verificar se ela corresponde ao desenho do CREATE-X. A alternativa B é a única que acerta a droga (capecitabina), o cenário (adjuvância após neoadjuvância) e o desfecho (melhora da sobrevida livre de doença em dois anos).
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca as drogas do estudo: o CREATE-X usou capecitabina, não paclitaxel, cisplatina, trastuzumabe ou ciclofosfamida. O candidato que associa o estudo a qualquer droga de câncer de mama sem conferir o desenho erra. Lembre-se: CREATE-X = capecitabina + HER2-negativo + doença residual.
HER2-negativo com doença residual pós-neoadjuvância
D: HER2-positivo (trastuzumabe)
Desfecho principal
Melhora da sobrevida livre de doença em 2 anos
A: nega melhora; E: atribui a outra droga
Contexto
Adjuvância após neoadjuvância (quimioterapia oral)
D: nega relação com quimioterapia
CREATE-X: Desenho (Fase III randomizado, Câncer de mama HER2-negativo, Doença residual pós-neoadjuvância); Intervenção (Capecitabina adjuvante, vs. observação/padrão); Desfechos (Melhora DFS em 2 anos, SG no subgrupo triplo-negativo); Toxicidade (Síndrome mão-pé, Diarreia)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que não houve melhora da sobrevida global com a adição de paclitaxel. Duplo erro: a droga do CREATE-X é a capecitabina, não o paclitaxel; e o estudo demonstrou melhora da sobrevida livre de doença (e, no subgrupo triplo-negativo, também da sobrevida global). O paclitaxel é usado em outros contextos adjuvantes (ex.: esquema AC-TH no HER2-positivo), mas não é o foco do CREATE-X.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a afirmação correta. O CREATE-X demonstrou que a adição de capecitabina à terapia adjuvante padrão, em pacientes com câncer de mama HER2-negativo e doença residual após neoadjuvância, resultou em melhora significativa da sobrevida livre de doença em dois anos. Esse foi o desfecho primário do estudo, confirmado na análise final. A capecitabina tornou-se, assim, uma opção adjuvante padrão nesse cenário.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que os efeitos colaterais da cisplatina foram gerenciáveis no CREATE-X. A cisplatina não faz parte do estudo — a droga avaliada foi a capecitabina. Os efeitos colaterais da capecitabina (como síndrome mão-pé e diarreia) foram, de fato, gerenciáveis, mas a alternativa troca a droga, tornando-a incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o CREATE-X envolveu trastuzumabe e não tem a ver com quimioterapia. Erro duplo: o estudo excluiu pacientes HER2-positivos (que são os candidatos ao trastuzumabe) e avaliou justamente a adição de uma quimioterapia oral (capecitabina) à terapia padrão. O trastuzumabe é usado no HER2-positivo, não no HER2-negativo do CREATE-X.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento com ciclofosfamida aumentou a sobrevida livre de doença em pacientes HER2-negativo. A ciclofosfamida é um agente alquilante usado em esquemas como AC (doxorrubicina + ciclofosfamida) e TAC, mas não foi a droga adicional avaliada no CREATE-X — que usou capecitabina. A alternativa troca a droga e não corresponde ao desenho do estudo.
Gabarito: letra B — o CREATE-X demonstrou melhora da sobrevida livre de doença em dois anos com a adição de capecitabina à terapia adjuvante padrão em pacientes com câncer de mama HER2-negativo e doença residual após neoadjuvância.