Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg726997
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Mastologista
- AHERA.
- BFinHER.
- CEMILIA.
- DCLEOPATRA.
- ENeoALTTO.
GabaritoD — CLEOPATRA.
Gabarito: letra D. O estudo CLEOPATRA é o ensaio clínico randomizado de fase III que demonstrou o benefício do bloqueio duplo com trastuzumabe e pertuzumabe associado à quimioterapia (docetaxel) em pacientes com câncer de mama metastático HER2 positivo, evidenciando ganho de sobrevida global e sobrevida livre de progressão. O contexto confirma que o pertuzumabe, ao se ligar a um domínio extracelular distinto do trastuzumabe, previne a dimerização com HER-3, e sua adição ao esquema de primeira linha com trastuzumabe e docetaxel demonstrou grande benefício de sobrevida global.
O pertuzumabe é um anticorpo monoclonal humanizado que se liga a um epítopo diferente do trastuzumabe no receptor HER2, bloqueando a dimerização do HER2 com outros receptores da família HER (especialmente HER3). Essa ação complementar é a base racional para o bloqueio duplo: enquanto o trastuzumabe inibe a sinalização downstream do HER2, o pertuzumabe impede a formação de heterodímeros que ativam vias de proliferação celular. No cenário metastático, a combinação de pertuzumabe + trastuzumabe + docetaxel tornou-se o padrão-ouro de primeira linha, conforme demonstrado pelo estudo CLEOPATRA, que randomizou pacientes para receber placebo ou pertuzumabe, ambos associados a trastuzumabe e docetaxel. Os resultados mostraram aumento significativo da sobrevida livre de progressão e da sobrevida global, sem aumento relevante de cardiotoxicidade, como insuficiência cardíaca sintomática ou queda da fração de ejeção.
A relevância desse estudo é tão marcante que o contexto menciona que cerca de 10% das pacientes do CLEOPATRA foram previamente expostas ao trastuzumabe, e um estudo recente relatou benefícios muito menores da adição de pertuzumabe em pacientes expostas ao trastuzumabe em segunda linha. Isso reforça que o benefício máximo do bloqueio duplo é obtido na primeira linha de tratamento metastático. Além disso, o contexto destaca que o duplo bloqueio da via HER2 associado a docetaxel deve ser utilizado em primeira linha terapêutica, e que o uso de trastuzumabe e quimioterapia sem pertuzumabe é inferior à quimioterapia associada ao duplo bloqueio.
A banca explora o conhecimento dos principais estudos que marcaram a evolução do tratamento do câncer de mama HER2 positivo. Cada alternativa corresponde a um estudo clínico importante, mas com indicações e contextos diferentes. O candidato precisa associar corretamente o estudo ao cenário clínico e à intervenção avaliada. A pegadinha está em confundir o CLEOPATRA (metastático, primeira linha, bloqueio duplo) com o HERA (adjuvante, trastuzumabe isolado) ou com o EMILIA (metastático, segunda linha, T-DM1).
Guarde a associação entre o estudo e o cenário clínico: é exatamente essa correspondência que separa as alternativas corretas das incorretas.
O estudo HERA (Herceptin Adjuvant) avaliou o uso de trastuzumabe adjuvante por 1 ou 2 anos versus observação em pacientes com câncer de mama HER2 positivo inicial (não metastático), após quimioterapia. Não envolveu pertuzumabe nem o cenário metastático. O erro está em associar um estudo adjuvante de trastuzumabe isolado ao bloqueio duplo metastático.
O estudo FinHER (Finland Herceptin) foi um estudo de fase II que avaliou trastuzumabe em combinação com quimioterapia (docetaxel ou vinorelbina) no contexto neoadjuvante/adjuvante de câncer de mama HER2 positivo. Não avaliou pertuzumabe nem o cenário metastático. A confusão aqui é atribuir a um estudo menor e de fase II o papel que pertence ao CLEOPATRA.
O estudo EMILIA avaliou o trastuzumabe entansina (T-DM1), um conjugado anticorpo-fármaco, versus lapatinibe + capecitabina em pacientes com câncer de mama metastático HER2 positivo previamente tratadas (segunda linha). Não envolveu pertuzumabe nem o bloqueio duplo. O erro está em confundir o T-DM1 (segunda linha) com o bloqueio duplo de primeira linha.
O estudo CLEOPATRA é o ensaio clínico randomizado de fase III que demonstrou o benefício do bloqueio duplo com trastuzumabe e pertuzumabe associado à quimioterapia (docetaxel) em pacientes com câncer de mama metastático HER2 positivo. O contexto confirma que a adição de pertuzumabe ao esquema de primeira linha demonstrou grande benefício de sobrevida global, sem maior incidência de insuficiência cardíaca sintomática. É exatamente o que o enunciado pede.
O estudo NeoALTTO avaliou o uso de lapatinibe isolado, trastuzumabe isolado ou a combinação de ambos, associados a quimioterapia (paclitaxel) no contexto neoadjuvante de câncer de mama HER2 positivo. Não envolveu pertuzumabe nem o cenário metastático. O erro está em associar um estudo neoadjuvante com lapatinibe ao bloqueio duplo metastático com pertuzumabe.
Gabarito: letra D
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