Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg727000
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Mastologista
Uma gestante com 12 semanas apresentou nódulo na mama direita, o qual foi biopsiado, com resultado anatomopatológico de triplo negativo de 3 cm. Em razão de queixa de cefaleia persistente e refratária associada a convulsão recente, foi realizada TC de crânio, que demonstrou múltiplas lesões compatíveis com metástase de sistema nervoso central. Após discussão com a equipe, paciente optou por manter gestação.Diante desse quadro, a conduta mais adequada é
  1. Apostergar o início do tratamento até o segundo trimestre da gestação.
  2. Bindicar radioterapia para o sistema nervoso central, com foco no controle sintomático.
  3. Csolicitar interrupção judicial da gestação para início de quimioterapia sistêmica.
  4. Diniciar esquema quimioterápico baseado em antracíclicos imediatamente.
  5. Eindicar corticoterapia isolada até a viabilidade fetal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — indicar radioterapia para o sistema nervoso central, com foco no controle sintomático.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de mama triplo negativo metastático em gestante: conduta

Gabarito: letra B. Em gestante com câncer de mama triplo negativo metastático para o sistema nervoso central (SNC), com sintomas neurológicos (cefaleia refratária e convulsão), a conduta mais adequada é a radioterapia craniana para controle sintomático, pois é o tratamento de escolha para metástases cerebrais sintomáticas, independentemente da gestação, e pode ser realizada com técnicas que minimizam a exposição fetal. As demais opções envolvem quimioterapia sistêmica (potencialmente teratogênica no primeiro trimestre), interrupção da gestação (não indicada sem consentimento e sem benefício comprovado) ou condutas insuficientes (corticoterapia isolada ou postergar tratamento).

O caso apresenta uma paciente com câncer de mama triplo negativo (subtipo agressivo, sem alvos hormonais ou anti-HER2), com metástases cerebrais múltiplas e sintomas neurológicos. O tratamento do câncer de mama metastático visa controle sistêmico e paliação de sintomas. No SNC, a radioterapia é a modalidade padrão para metástases cerebrais múltiplas, especialmente quando há sintomas como cefaleia e convulsão, pois oferece resposta rápida e eficaz. A corticoterapia (dexametasona) é adjuvante para reduzir edema cerebral, mas não é tratamento definitivo isolado. A quimioterapia sistêmica tem penetração limitada no SNC (barreira hematoencefálica), sendo menos eficaz para metástases cerebrais, e no primeiro trimestre da gestação há risco teratogênico significativo, especialmente com antracíclicos. A interrupção da gestação não é indicada rotineiramente, pois a paciente optou por manter a gestação e há alternativas terapêuticas. Portanto, a radioterapia craniana é a conduta mais adequada para controle sintomático das metástases cerebrais, podendo ser realizada com proteção fetal adequada.

A radioterapia para metástases cerebrais em gestantes é viável, especialmente no segundo e terceiro trimestres, com técnicas de planejamento que reduzem a dose fetal (colimação, blindagem, posicionamento). No primeiro trimestre, o risco fetal é maior, mas em situações de urgência neurológica, o benefício materno pode superar o risco. A decisão deve ser compartilhada com a paciente e a equipe multidisciplinar (oncologia, obstetrícia, radioterapia). A quimioterapia sistêmica, embora seja o tratamento principal para doença metastática triplo negativa, tem papel limitado no SNC e deve ser adiada ou ajustada conforme o trimestre gestacional. A corticoterapia isolada é insuficiente para controle da doença, sendo apenas sintomática. A interrupção da gestação é uma decisão complexa, que envolve aspectos éticos, legais e emocionais, e não é a conduta inicial recomendada quando há opções terapêuticas viáveis.

A pegadinha desta questão está em considerar a quimioterapia sistêmica como primeira opção, ignorando a necessidade de tratar as metástases cerebrais sintomáticas com radioterapia, e em subestimar o risco da quimioterapia no primeiro trimestre. O candidato deve lembrar que, em metástases cerebrais múltiplas sintomáticas, a radioterapia é o padrão-ouro, e que a gestação não contraindica a radioterapia, desde que com planejamento adequado. Além disso, a opção de postergar o tratamento até o segundo trimestre pode ser considerada em casos de doença indolente, mas aqui há sintomas neurológicos agudos que exigem intervenção imediata.

Guarde o critério: metástases cerebrais sintomáticas → radioterapia craniana (controle sintomático), independentemente do subtipo molecular e da gestação, com quimioterapia sistêmica como tratamento adjuvante ou paliativo para doença extracraniana, ajustada ao trimestre gestacional.

Metástases cerebrais sintomáticas
  • 1Tratamento de escolha
    • Radioterapia craniana
    • Controle sintomático rápido
  • 2Adjuvante
    • Corticoterapia (edema cerebral)
  • 3Não é primeira opção
    • Quimioterapia sistêmica (barreira hematoencefálica)
    • Postergar tratamento (risco iminente)
    • Interrupção da gestação (decisão complexa)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Postergar o início do tratamento até o segundo trimestre é inadequado porque a paciente apresenta sintomas neurológicos agudos (cefaleia refratária e convulsão) devido a metástases cerebrais múltiplas, que exigem intervenção imediata para evitar complicações graves, como herniação cerebral ou déficits neurológicos permanentes. A radioterapia craniana pode ser iniciada de forma segura, mesmo no primeiro trimestre, com planejamento adequado para minimizar a exposição fetal. Postergar o tratamento colocaria a paciente em risco iminente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A radioterapia para o sistema nervoso central é a conduta mais adequada para controle sintomático das metástases cerebrais múltiplas, especialmente em paciente com cefaleia refratária e convulsão. A radioterapia craniana total ou estereotáxica é o tratamento padrão para metástases cerebrais, proporcionando alívio dos sintomas e controle local. Em gestantes, pode ser realizada com técnicas de proteção fetal, sendo o benefício materno superior ao risco fetal, principalmente em situações de urgência. A alternativa está correta ao focar no controle sintomático, que é o objetivo imediato no caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Solicitar interrupção judicial da gestação para início de quimioterapia sistêmica é inadequado porque a paciente optou por manter a gestação, e a interrupção não é indicada rotineiramente, pois há alternativas terapêuticas viáveis, como a radioterapia para metástases cerebrais e quimioterapia sistêmica em trimestres mais avançados. A interrupção da gestação é uma decisão complexa, que envolve aspectos éticos e legais, e não deve ser a primeira opção quando há possibilidade de tratamento materno sem interromper a gestação. Além disso, a quimioterapia sistêmica não é o tratamento de escolha para metástases cerebrais sintomáticas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Iniciar esquema quimioterápico baseado em antracíclicos imediatamente é inadequado por dois motivos: primeiro, no primeiro trimestre da gestação, os antracíclicos (como doxorrubicina e epirrubicina) são potencialmente teratogênicos, devendo ser evitados ou adiados; segundo, a quimioterapia sistêmica tem penetração limitada no SNC, não sendo o tratamento de escolha para metástases cerebrais sintomáticas. A conduta correta seria a radioterapia craniana para controle sintomático, e a quimioterapia sistêmica poderia ser considerada posteriormente, com esquemas mais seguros na gestação (como taxanos, em alguns casos) e após avaliação obstétrica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Indicar corticoterapia isolada até a viabilidade fetal é insuficiente porque a corticoterapia (dexametasona) apenas reduz o edema cerebral e alivia sintomas temporariamente, mas não trata as metástases cerebrais em si. A radioterapia é necessária para controle da doença no SNC. Além disso, a corticoterapia isolada não aborda a doença sistêmica (câncer de mama metastático), que também requer tratamento. A conduta correta é a radioterapia craniana, com corticoterapia como adjuvante para controle do edema.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qg727000