Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg727002
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Mastologista
Sobre a patologia dos carcinomas invasivos da mama, assinale a alternativa correta.
AOs carcinomas ductais invasivos correspondem a menos de 50% dos cânceres invasivos da mama e raramente apresentam áreas com outros padrões histológicos.
BOs carcinomas lobulares invasivos representam o segundo tipo histológico mais frequente, caracterizam-se por multifocalidade na mama acometida e têm maior tendência à bilateralidade em comparação ao tipo ductal.
CO carcinoma tubular é um tipo especial de câncer de mama, geralmente de alto grau histológico e prognóstico reservado, sendo frequente em mulheres jovens.
DO carcinoma mucinoso é responsável por menos de 1% dos carcinomas invasivos e, quando puro, costuma ter comportamento agressivo semelhante ao carcinoma ductal de alto grau.
EO carcinoma micropapilar invasivo apresenta baixo potencial metastático e geralmente não envolve linfonodos axilares ao diagnóstico.
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GabaritoB — Os carcinomas lobulares invasivos representam o segundo tipo histológico mais frequente, caracterizam-se por multifocalidade na mama acometida e têm maior tendência à bilateralidade em comparação ao tipo ductal.
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Carcinomas invasivos da mama: tipos histológicos e suas características
Gabarito: letra B. O carcinoma lobular invasivo (CLI) é o segundo tipo histológico mais frequente de câncer de mama invasivo, caracteriza-se por multifocalidade/multicentricidade na mama acometida e apresenta maior tendência à bilateralidade quando comparado ao carcinoma ductal invasivo (CDI) — exatamente o que a alternativa B afirma. Essa distinção é um dos pilares da classificação histológica dos carcinomas invasivos da mama, conforme a literatura médica e protocolos de diretrizes clínicas.
Para entender a questão, é preciso dominar a classificação histológica dos carcinomas invasivos da mama. O câncer de mama invasivo é dividido em dois grandes grupos: o carcinoma invasivo de tipo não especial (NST), anteriormente chamado de carcinoma ductal invasivo sem outra especificação (SOE), e os tipos especiais, que incluem o carcinoma lobular invasivo, o tubular, o mucinoso, o micropapilar, o metaplásico, entre outros. O NST é o mais comum, correspondendo a cerca de 49% a 75% dos casos, seguido pelo lobular invasivo, que representa de 5% a 15% dos carcinomas invasivos. Essa hierarquia de frequência é o primeiro ponto que a banca explora.
A distinção entre o carcinoma ductal e o lobular vai além da frequência. O CLI tem características clínicas e biológicas próprias: maior chance de bilateralidade (acometimento de ambas as mamas), maior frequência de doença multicêntrica (múltiplos focos na mesma mama), acomete mulheres mais idosas, e sua variante clássica costuma ser positiva para receptores hormonais (RE/RP) e negativa para HER2. Além disso, o CLI tem tendência a metastatizar para topografias pouco usuais, como trato gastrointestinal, trato ginecológico, cavidades corporais, meninges e globo ocular. Já o CDI, por ser o tipo mais comum, tem comportamento clínico mais heterogêneo, dependendo do grau histológico e do perfil imuno-histoquímico.
Os tipos especiais de carcinoma invasivo, como o tubular, o mucinoso e o micropapilar, têm prognósticos distintos. O carcinoma tubular é um tipo de bom prognóstico, geralmente de baixo grau histológico, e está associado a baixo risco de metástase sistêmica. O carcinoma mucinoso, quando puro, também tem comportamento indolente e bom prognóstico, ao contrário do que afirma a alternativa D. O carcinoma micropapilar invasivo, por sua vez, é um subtipo mais agressivo, com alto potencial metastático e frequente envolvimento linfonodal ao diagnóstico. Essas características são o alvo das alternativas incorretas, que invertem o prognóstico e o comportamento desses tumores.
A pegadinha central desta questão é a inversão de características prognósticas e de frequência entre os tipos histológicos. A banca troca o comportamento do carcinoma tubular (bom prognóstico) por um prognóstico reservado, e o do mucinoso (indolente) por agressivo, além de atribuir ao micropapilar um baixo potencial metastático, quando na verdade é o oposto. A alternativa B, por outro lado, descreve com precisão as características do CLI, que são amplamente reconhecidas na literatura. Guarde a fronteira entre os tipos especiais de bom prognóstico (tubular, mucinoso, papilar, adenóide cístico) e os de pior prognóstico (micropapilar, metaplásico, neuroendócrino de alto grau): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Tipo Histológico
Frequência
Prognóstico/Comportamento
Características-chave
Carcinoma ductal invasivo (NST)
Mais comum (49%–75%)
Heterogêneo (depende do grau e perfil imuno-histoquímico)
Frequentemente apresenta áreas com outros padrões histológicos
Carcinoma lobular invasivo (CLI)
Segundo mais frequente (5%–15%)
Bom prognóstico (RE+; HER2−)
Multifocal/multicêntrico; maior tendência à bilateralidade; metástases em topografias incomuns (TGI, meninges)
Carcinoma tubular
Raro
Bom prognóstico
Baixo grau histológico; baixo risco de metástase; mais comum em mulheres mais velhas
Carcinoma mucinoso
1%–2%
Bom prognóstico (quando puro)
Comportamento indolente; baixo risco de metástase
Carcinoma micropapilar
Raro
Mau prognóstico
Alto potencial metastático; frequente envolvimento linfonodal ao diagnóstico
Carcinomas invasivos da mama
1Tipo não especial (NST)
Ductal invasivo (49%–75%)
Heterogeneidade histológica
2Tipos especiais
Lobular invasivo (5%–15%)
Multifocal e bilateral
Metástases em topografias incomuns
Bom prognóstico
Tubular (baixo grau)
Mucinoso (indolente)
Mau prognóstico
Micropapilar (alto potencial metastático)
Metaplásico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os carcinomas ductais invasivos correspondem a menos de 50% dos cânceres invasivos da mama e raramente apresentam áreas com outros padrões histológicos. O erro é duplo: o CDI é o tipo mais comum, correspondendo a 49% a 75% dos carcinomas invasivos, ou seja, mais da metade, e é frequente a presença de áreas com outros padrões histológicos dentro do mesmo tumor (heterogeneidade histológica). A banca inverte a frequência e nega a coexistência de padrões, o que contraria a realidade patológica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente o carcinoma lobular invasivo: é o segundo tipo histológico mais frequente (5% a 15% dos invasivos), caracteriza-se por multifocalidade (múltiplos focos na mama acometida) e tem maior tendência à bilateralidade em comparação ao tipo ductal. Essas características são amplamente descritas na literatura e em diretrizes clínicas, como as do INCA e da NCCN. O CLI também se associa a metástases em topografias incomuns, como trato gastrointestinal e meninges, o que reforça seu comportamento biológico distinto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o carcinoma tubular é geralmente de alto grau histológico e prognóstico reservado, sendo frequente em mulheres jovens. É o oposto: o carcinoma tubular é um tipo especial de bom prognóstico, geralmente de baixo grau histológico, com baixo risco de metástase sistêmica, e é mais comum em mulheres mais velhas. A banca inverte o grau e o prognóstico, transformando um tumor indolente em agressivo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o carcinoma mucinoso é responsável por menos de 1% dos carcinomas invasivos e, quando puro, tem comportamento agressivo semelhante ao carcinoma ductal de alto grau. O erro está no prognóstico: o carcinoma mucinoso puro tem comportamento indolente e bom prognóstico, com baixo risco de metástase. Além disso, sua frequência é de aproximadamente 1% a 2% dos carcinomas invasivos, não menos de 1%. A banca troca o comportamento indolente por agressivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o carcinoma micropapilar invasivo apresenta baixo potencial metastático e geralmente não envolve linfonodos axilares ao diagnóstico. É o contrário: o carcinoma micropapilar é um subtipo agressivo, com alto potencial metastático e frequente envolvimento linfonodal ao diagnóstico. A banca inverte o comportamento biológico, atribuindo a um tumor agressivo características de tumor indolente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter o prognóstico dos tipos especiais de câncer de mama. Aqui, ela transformou o tubular (bom prognóstico) em reservado, o mucinoso (indolente) em agressivo, e o micropapilar (agressivo) em indolente. A alternativa B, que descreve o CLI, é a única que não inverte nenhuma característica. Na prova, desconfie de alternativas que atribuem mau prognóstico a tumores classicamente indolentes (tubular, mucinoso, papilar) e bom prognóstico a tumores agressivos (micropapilar, metaplásico).
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental com os tipos especiais e seus prognósticos: bom prognóstico — tubular, mucinoso, papilar, adenóide cístico; mau prognóstico — micropapilar, metaplásico, neuroendócrino de alto grau. E lembre-se: o CLI é o segundo mais frequente, multifocal e bilateral. Com esse mapa, você resolve qualquer questão sobre classificação histológica do câncer de mama.