Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Envenenamentos e Acidentes
Código
qg727013
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Emergência
Homem de 27 anos é encontrado em casa com rebaixamento do nível de consciência, pele quente e seca, pupilas midriáticas, rubor facial, retenção urinária e taquicardia de 132 bpm. Não há sinais de trauma. A família relata que ele usava um chá natural para ansiedade comprado pela internet.Com base no quadro clínico, qual síndrome toxicológica é a mais compatível com esse caso?
AColinomimética.
BAnticolinérgica.
COpioide.
DSimpaticomimética.
ESedativa-hipnótica.
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GabaritoB — Anticolinérgica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndromes tóxicas: reconhecimento clínico
Gabarito: letra B. O quadro descrito — rebaixamento do nível de consciência, pele quente e seca, pupilas midriáticas, rubor facial, retenção urinária e taquicardia — é a apresentação clássica da síndrome anticolinérgica, causada pelo bloqueio dos receptores muscarínicos da acetilcolina. O dado decisivo é a pele seca (anidrose), que a distingue da síndrome simpaticomimética, na qual há diaforese (pele úmida).
A síndrome anticolinérgica é um conjunto de sinais e sintomas decorrentes do bloqueio dos receptores muscarínicos da acetilcolina no sistema nervoso autônomo e central. Como o tônus colinérgico normal é responsável por funções como sudorese, salivação, micção e miose, seu bloqueio gera um quadro de "atividade simpática aparente", mas com características próprias. Os pacientes apresentam classicamente: agitação ou rebaixamento do nível de consciência, hipertermia, midríase, rubor cutâneo, mucosas secas, retenção urinária, íleo paralítico e taquicardia. A ausência de sudorese é o achado mais específico — as glândulas sudoríparas têm inervação colinérgica (muscarínica), então seu bloqueio impede a transpiração, deixando a pele quente e seca.
Os principais agentes causadores são os antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, imipramina), anti-histamínicos (difenidramina, dimenidrato), antipsicóticos (fenotiazinas, clozapina, olanzapina), alcaloides da belladona (atropina, escopolamina) e plantas tóxicas como a Atropa belladonna e o Datura stramonium (conhecido como "saia-branca" ou "trombeta-de-anjo"). No caso do enunciado, o "chá natural para ansiedade comprado pela internet" é a pista epidemiológica: muitas plantas e fitoterápicos adulterados ou de uso tradicional contêm alcaloides anticolinérgicos, o que reforça o diagnóstico.
A distinção crucial é com a síndrome simpaticomimética (alternativa D), que também cursa com taquicardia, midríase e agitação, mas se diferencia pela diaforese (pele úmida e quente) — pois a estimulação simpática não bloqueia a sudorese colinérgica. Enquanto o anticolinérgico "seca" o paciente, o simpaticomimético o "molha". Essa é a pegadinha clássica da banca: apresentar um quadro que parece simpaticomimético, mas com pele seca, para testar se o candidato conhece a diferença fisiopatológica.
Outras síndromes tóxicas importantes para o diagnóstico diferencial: a colinomimética (alternativa A) cursa com o oposto — miose, bradicardia, sudorese, sialorreia, lacrimejamento, broncorreia, vômitos e diarreia (lembre do mnemônico "DUMBELS": Diarreia, Urinação, Miose, Broncorreia, Emese, Lacrimejamento, Salivação). A opioide (alternativa C) apresenta a tríade clássica de miose puntiforme, bradipneia e rebaixamento do nível de consciência. A sedativa-hipnótica (alternativa E) cursa com rebaixamento do nível de consciência, mas sem as alterações autonômicas marcantes (sem midríase, sem rubor, sem retenção urinária).
Guarde a fronteira entre anticolinérgico (pele seca) × simpaticomimético (pele úmida) — é exatamente nela que as alternativas desta questão se dividem.
Síndrome
Pupilas
Pele
FC
Secreções
Outros achados
Anticolinérgica (gabarito)
Midríase
Quente e seca
Taquicardia
Secas (anidrose)
Rubor facial, retenção urinária, íleo paralítico, rebaixamento do nível de consciência
Depressão global do SNC, sem hiperatividade autonômica
Alternativa A — ❌ Incorreta
A síndrome colinomimética é o oposto da descrita: resulta do excesso de acetilcolina (por inibidores da colinesterase, como organofosforados e carbamatos, ou agonistas muscarínicos). Cursa com miose, bradicardia, sudorese, sialorreia, lacrimejamento, broncorreia, vômitos e diarreia. O paciente do caso tem midríase, taquicardia e pele seca — exatamente o inverso. A banca oferece essa alternativa para testar se o candidato conhece o espectro colinérgico × anticolinérgico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Todos os achados convergem para a síndrome anticolinérgica: rebaixamento do nível de consciência (efeito central), pele quente e seca (bloqueio da sudorese), pupilas midriáticas (bloqueio do esfíncter da pupila), rubor facial (vasodilatação cutânea), retenção urinária (bloqueio do detrusor) e taquicardia (bloqueio do vago). A pista do "chá natural" reforça a hipótese de exposição a alcaloides anticolinérgicos presentes em plantas como a Atropa belladonna.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A síndrome opioide é caracterizada pela tríade clássica: miose puntiforme, bradipneia e rebaixamento do nível de consciência. O paciente do caso tem midríase e taquicardia (132 bpm), que são incompatíveis com a intoxicação por opioides. Além disso, a pele quente e seca e a retenção urinária não fazem parte do quadro típico opioide (que cursa com hipoventilação e, em geral, sem rubor facial).
Alternativa D — ❌ Incorreta
A síndrome simpaticomimética é o diagnóstico diferencial mais próximo, pois também cursa com taquicardia, midríase, agitação e hipertermia. No entanto, o achado que a exclui é a pele seca: na intoxicação por simpaticomiméticos (anfetaminas, cocaína, MDMA, pseudoefedrina), há diaforese (pele úmida e quente), pois a sudorese é mediada por receptores colinérgicos que não são bloqueados. A presença de rubor facial e retenção urinária também é mais típica do bloqueio muscarínico. A banca explora exatamente essa confusão entre as duas síndromes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A síndrome sedativa-hipnótica (álcool, benzodiazepínicos, barbitúricos) cursa com rebaixamento do nível de consciência, mas sem as alterações autonômicas marcantes do caso: não há midríase, rubor facial, retenção urinária nem taquicardia significativa. O padrão é de depressão global do SNC, com pupilas geralmente normais ou mióticas, bradicardia ou frequência cardíaca normal, e pele normalmente perfundida. O quadro do paciente é de hiperatividade autonômica, não de depressão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca monta um quadro que parece simpaticomimético (taquicardia, midríase, agitação) para testar se você conhece o sinal que os separa: a pele seca (anticolinérgico) versus a pele úmida/diaforética (simpaticomimético). Se o paciente sua, é simpaticomimético; se está seco e quente, é anticolinérgico. Memorize essa dicotomia — ela cai com frequência em provas de emergências toxicológicas.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as síndromes tóxicas na prova, monte um quadro mental com os sinais vitais e o exame da pele e das pupilas. O par mais cobrado é anticolinérgico × simpaticomimético: ambos têm taquicardia e midríase, mas o primeiro tem pele seca e o segundo, diaforese. Já o par colinérgico × opioide se distingue pela frequência cardíaca: o colinérgico tem bradicardia e secreções abundantes; o opioide tem bradipneia e miose puntiforme.