Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Urologia
Código
qg727033
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Emergência
Adolescente de 16 anos chega com dor testicular súbita há 2 horas, náuseas e reflexo cremastérico ausente. Qual é a conduta correta no departamento de emergência?
ASolicitar ultrassom com Doppler e aguardar o resultado antes de decidir.
BPrescrever analgésico e observar por 6 horas.
CRealizar exploração cirúrgica imediata, sem aguardar exames de imagem.
DSolicitar ressonância escrotal para confirmar torção.
ETentar manobra de detorsão manual apenas após Doppler.
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GabaritoC — Realizar exploração cirúrgica imediata, sem aguardar exames de imagem.
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Escroto agudo: torção testicular no adolescente
Gabarito: letra C. Diante de adolescente com dor testicular súbita, náuseas e reflexo cremastérico ausente, o quadro é altamente sugestivo de torção testicular, uma emergência cirúrgica em que a exploração cirúrgica imediata não deve ser retardada por exames de imagem — a conduta correta é levar o paciente diretamente ao centro cirúrgico. Essa é a orientação central das diretrizes de urgências urológicas: a suspeita clínica, baseada em história e exame físico, é suficiente para indicar a cirurgia de urgência.
A torção testicular ocorre quando o cordão espermático gira sobre si mesmo, obstruindo o fluxo sanguíneo arterial e venoso para o testículo, o que leva à isquemia e, se não tratada em tempo hábil, ao infarto e à necrose hemorrágica do órgão. É uma condição que apresenta dois picos de incidência: em neonatos e em adolescentes — exatamente a faixa etária do paciente do enunciado. O quadro clássico inclui dor escrotal de início súbito e intenso, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos, e ao exame físico encontra-se o testículo elevado, com ausência do reflexo cremastérico e, por vezes, horizontalizado. Esses sinais, somados à história, permitem o diagnóstico essencialmente clínico.
O fator determinante para a preservação da função testicular é o tempo transcorrido entre o início dos sintomas e o procedimento cirúrgico. A cirurgia realizada nas primeiras 6 horas costuma resultar em recuperação funcional; entre 6 e 12 horas, a taxa de recuperação cai para cerca de 70%; e após 12 horas, para apenas 20%. Por isso, qualquer atraso — seja aguardando exames de imagem, seja observando o paciente — compromete diretamente o prognóstico. A ultrassonografia com Doppler pode auxiliar na confirmação diagnóstica, com alta sensibilidade e especificidade, mas sua realização não deve retardar a exploração cirúrgica. A manobra de detorsão manual pode ser tentada apenas como medida temporária, enquanto se preparam os preparativos para a cirurgia, e nunca deve substituí-la ou atrasá-la.
A distinção fundamental que a banca explora nesta questão é entre a torção testicular e a orquiepididimite, o principal diagnóstico diferencial do escroto agudo. Enquanto a torção é uma emergência cirúrgica que exige intervenção imediata, a orquiepididimite é um processo inflamatório/infeccioso, geralmente de instalação mais subaguda, tratado clinicamente com anti-inflamatórios, elevação escrotal e antibióticos. Na orquiepididimite, o reflexo cremastérico costuma estar presente, o testículo afetado encontra-se em posição mais baixa que o contralateral e pode haver sinal de Prehn positivo (alívio da dor com a elevação manual do testículo). Já na torção, o reflexo cremastérico está ausente, o testículo está elevado e a dor não melhora com a elevação. É exatamente nessa fronteira clínica que as alternativas se dividem: a presença de reflexo cremastérico ausente e dor súbita em adolescente aponta fortemente para torção, tornando a exploração cirúrgica imediata a conduta correta.
Torção testicular
1Quadro clássico
Dor súbita e intensa
Náuseas/vômitos
Reflexo cremastérico ausente
Testículo elevado
2Conduta
Exploração cirúrgica imediata
Orquipexia bilateral
Detorsão manual (temporária)
3Tempo × prognóstico
Até 6h: boa recuperação
6–12h: ~70%
Após 12h: ~20%
4Diagnóstico diferencial
Orquiepididimite
Reflexo presente
Testículo baixo
Tratamento clínico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Solicitar ultrassom com Doppler e aguardar o resultado antes de decidir é um erro grave. Embora a US com Doppler seja um método útil para confirmar o diagnóstico, com sensibilidade de 90,9% e especificidade de 98,3%, a realização do exame não deve retardar o tratamento. Em um quadro clássico de torção testicular, como o apresentado, a exploração cirúrgica deve ser imediata, pois cada minuto de atraso aumenta o risco de perda do testículo. A US pode ser realizada apenas em casos ambíguos, desde que o equipamento esteja prontamente disponível e o exame não atrase a ida do paciente ao centro cirúrgico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Prescrever analgésico e observar por 6 horas é conduta absolutamente contraindicada. A torção testicular é uma emergência cirúrgica, e a observação prolongada permite que a isquemia progrida para infarto testicular irreversível. O tempo é o fator mais crítico: a cirurgia nas primeiras 6 horas tem excelente prognóstico, mas após 12 horas a taxa de salvamento cai para cerca de 20%. Observar o paciente por 6 horas sem intervenção cirúrgica é desperdiçar a janela terapêutica mais valiosa.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Realizar exploração cirúrgica imediata, sem aguardar exames de imagem, é exatamente a conduta correta. O diagnóstico de torção testicular é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico. Diante de um adolescente com dor testicular súbita, náuseas e reflexo cremastérico ausente, o índice de suspeita é altíssimo, e a exploração cirúrgica de urgência é o tratamento indicado. Durante o procedimento, além da detorsão e avaliação da viabilidade testicular, deve ser realizada a orquipexia (fixação) do testículo contralateral para prevenir torções futuras.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Solicitar ressonância escrotal para confirmar torção é um absurdo na prática de emergência. A ressonância magnética é um exame demorado, caro e de difícil acesso em regime de urgência, e sua realização atrasaria irremediavelmente o tratamento. Não há indicação de ressonância no manejo agudo da torção testicular; o diagnóstico é clínico e a conduta é cirúrgica imediata.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Tentar manobra de detorsão manual apenas após Doppler subverte a lógica do atendimento. A manobra de detorsão manual pode ser tentada, mas apenas como medida temporária, enquanto se aguarda a cirurgia ou durante os preparativos para ela — e nunca deve substituir ou atrasar a intervenção cirúrgica. Além disso, condicioná-la à realização prévia de Doppler é um erro duplo: primeiro, porque o Doppler não deve retardar a conduta; segundo, porque a detorsão manual, mesmo quando bem-sucedida, não elimina a necessidade de exploração cirúrgica para orquipexia bilateral.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre torção testicular e orquiepididimite, os dois principais diagnósticos do escroto agudo. Na orquiepididimite, o reflexo cremastérico está presente, o testículo está mais baixo e o tratamento é clínico; na torção, o reflexo está ausente, o testículo está elevado e a conduta é cirúrgica imediata. O enunciado entrega os sinais clássicos de torção — dor súbita, náuseas e reflexo cremastérico ausente — justamente para testar se você reconhece a emergência cirúrgica e não se deixa levar por condutas que priorizam exames de imagem. Com treino, você enxerga essa armadilha de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Na prova, memorize o tripé da torção testicular: dor súbita + reflexo cremastérico ausente + testículo elevado = exploração cirúrgica imediata, sem exames de imagem. A US com Doppler só entra em casos duvidosos e nunca deve atrasar a cirurgia. E lembre-se: a detorsão manual é ponte para a cirurgia, nunca substituta.