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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg727036
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Emergência
Paciente de 49 anos apresenta fraqueza progressiva em membros inferiores há 3 dias, associada a parestesias e hiporreflexia. Qual conduta inicial no pronto atendimento é prioritária?
  1. ASolicitar ressonância da coluna lombar antes de condutas clínicas.
  2. BAvaliar força respiratória (capacidade vital) e risco de falência ventilatória.
  3. CSolicitar apenas eletroneuromiografia.
  4. DAdministrar corticoide IV em altas doses.
  5. ELiberar para casa com acompanhamento ambulatorial.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Avaliar força respiratória (capacidade vital) e risco de falência ventilatória.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Guillain-Barré: prioridade na abordagem inicial

Gabarito: letra B. Em paciente com fraqueza progressiva, parestesias e hiporreflexia — quadro clássico de polirradiculoneuropatia aguda (Síndrome de Guillain-Barré) — a conduta inicial prioritária é avaliar a função respiratória (capacidade vital) e o risco de falência ventilatória, pois a insuficiência respiratória é a principal causa de morbimortalidade e exige intervenção imediata. Essa é a abordagem recomendada pelas diretrizes de emergências neurológicas e pela literatura médica, que priorizam o suporte ventilatório antes de qualquer investigação diagnóstica ou terapêutica específica.

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia aguda, geralmente pós-infecciosa, caracterizada por fraqueza muscular progressiva e simétrica, arreflexia ou hiporreflexia e alterações sensitivas como parestesias. A fraqueza ascende dos membros inferiores para os superiores e pode comprometer a musculatura bulbar e respiratória. O grande perigo não é o déficit motor em si, mas a falência ventilatória, que pode se instalar rapidamente e levar ao óbito se não for identificada e tratada precocemente. Por isso, a avaliação da capacidade vital (CV) é o passo mais urgente: valores abaixo de 20 mL/kg ou queda rápida da CV indicam necessidade de monitorização em UTI e, frequentemente, de ventilação mecânica. A monitorização da CV deve ser seriada, pois a deterioração pode ser súbita.

Na prática, o atendimento inicial segue uma sequência lógica: primeiro, garantir vias aéreas e avaliar a ventilação (medir CV, observar uso de musculatura acessória, frequência respiratória, oximetria); segundo, estabilizar o paciente (monitorização cardíaca, pois há risco de disautonomia com arritmias); terceiro, realizar a investigação diagnóstica (punção lombar com dissociação albumino-citológica e eletroneuromiografia); e, por fim, iniciar o tratamento específico (imunoglobulina humana ou plasmaférese). A ressonância da coluna lombar pode ser útil para excluir compressão medular, mas não é a prioridade inicial, especialmente quando o quadro é sugestivo de SGB. A eletroneuromiografia é um exame confirmatório, mas não deve atrasar a avaliação respiratória. O corticoide em altas doses é ineficaz na SGB e não é recomendado. Liberar o paciente para casa seria um erro grave, pois o quadro pode evoluir para insuficiência respiratória em horas.

A distinção crucial é entre a SGB e outras causas de fraqueza aguda, como a compressão medular (que cursa com nível sensitivo e disfunção esfincteriana) e a miastenia gravis (que tem flutuação e melhora com repouso). Na SGB, a hiporreflexia é a chave, enquanto na mielopatia compressiva há hiperreflexia. A banca explora exatamente essa confusão: o aluno que pensa em compressão medular opta pela ressonância, mas o quadro descrito (parestesias + hiporreflexia + fraqueza progressiva) é típico de neuropatia periférica, não de lesão medular. O critério decisivo para a conduta inicial é o risco ventilatório, que independe do diagnóstico definitivo — qualquer paciente com fraqueza aguda ascendente deve ter a função respiratória avaliada imediatamente.

  1. 1Vias aéreas e ventilação (CV)
  2. 2Estabilização (monitorização cardíaca)
  3. 3Diagnóstico (punção lombar, ENMG)
  4. 4Tratamento (imunoglobulina/plasmaférese)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Solicitar ressonância da coluna lombar antes de condutas clínicas é um erro de priorização. A ressonância é útil para excluir compressão medular, mas não é a conduta inicial prioritária. Em um paciente com quadro sugestivo de SGB, a avaliação respiratória deve vir primeiro, pois a falência ventilatória é a complicação mais temida e pode ser fatal. Além disso, a ressonância é um exame demorado e que exige transporte do paciente, o que pode atrasar a estabilização. A compressão medular geralmente cursa com hiperreflexia e nível sensitivo, diferente do quadro apresentado.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Avaliar a força respiratória (capacidade vital) e o risco de falência ventilatória é a conduta inicial prioritária. Na SGB, a fraqueza pode ascender e comprometer a musculatura respiratória, levando à insuficiência respiratória aguda, principal causa de morte. A capacidade vital deve ser medida seriadamente (valores < 20 mL/kg ou queda > 30% indicam risco iminente). Essa avaliação é rápida, não invasiva e permite decidir sobre monitorização em UTI e ventilação mecânica precoce, salvando vidas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Solicitar apenas eletroneuromiografia é inadequado como conduta inicial. A eletroneuromiografia é um exame confirmatório, que ajuda no diagnóstico, mas não avalia o risco imediato de falência ventilatória. Além disso, na fase aguda, os achados podem ser inespecíficos e o exame é demorado. A prioridade é a avaliação clínica e respiratória; o exame eletrofisiológico deve ser realizado após a estabilização do paciente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Administrar corticoide IV em altas doses é contraindicado na SGB. Estudos demonstraram que a corticoterapia não traz benefício e pode até piorar o prognóstico. O tratamento específico da SGB é a imunoglobulina humana intravenosa ou a plasmaférese, que devem ser iniciadas após a estabilização e a confirmação diagnóstica. A conduta inicial é sempre o suporte, incluindo a avaliação respiratória.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Liberar para casa com acompanhamento ambulatorial é um erro grave. A SGB é uma emergência neurológica que pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória, disautonomia e morte. O paciente deve ser internado para monitorização, mesmo que o quadro inicial pareça leve. A liberação precoce coloca o paciente em risco iminente de complicações fatais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com a hipótese de compressão medular, que levaria à ressonância da coluna. Mas o quadro de parestesias + hiporreflexia + fraqueza progressiva é típico de polirradiculoneuropatia (SGB), não de lesão medular (que cursaria com hiperreflexia e nível sensitivo). O aluno que não reconhece a SGB perde a questão ao escolher a letra A. Lembre-se: em qualquer fraqueza aguda ascendente, a primeira coisa a fazer é avaliar a respiração.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, diante de um caso de fraqueza aguda, monte um fluxo mental: 1) vias aéreas e ventilação (capacidade vital); 2) estabilização hemodinâmica; 3) diagnóstico (punção lombar, eletroneuromiografia); 4) tratamento específico (imunoglobulina ou plasmaférese). A alternativa que mencionar "avaliar respiração" ou "risco de falência ventilatória" será quase sempre a correta em emergências neurológicas.

Gabarito: letra B

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