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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg727037
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Emergência
Qual é o tempo mínimo de duração de uma crise convulsiva para que seja considerado estado de mal epiléptico, justificando intervenção imediata?
  1. A1 minuto.
  2. B2 minutos.
  3. C≥ 5 minutos.
  4. D≥ 15 minutos.
  5. E≥ 30 minutos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — ≥ 5 minutos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estado de mal epiléptico: definição operacional e tempo de intervenção

Gabarito: letra C. O estado de mal epiléptico (EME) convulsivo é definido operacionalmente como crise epiléptica contínua com duração ≥ 5 minutos (ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas), sendo esse o ponto de tempo (t1) a partir do qual se deve iniciar o tratamento medicamentoso de urgência — conforme a definição da International League Against Epilepsy (ILAE). A alternativa C é a única que espelha exatamente esse critério.

O estado de mal epiléptico é a emergência neurológica mais grave em pacientes com epilepsia. Para entender a resposta, é preciso distinguir dois conceitos que a banca explora: a definição clássica e a definição operacional moderna. A definição clássica, baseada em estudos animais que demonstraram lesão neuronal conforme a duração da crise, considerava EME como crise com duração superior a 30 minutos ou crises reentrantes sem recuperação da consciência entre elas. No entanto, sabe-se que crises com duração prolongada têm baixa chance de cessar espontaneamente — ou seja, esperar 30 minutos para intervir seria tardio e prejudicial.

Por isso, a ILAE estabeleceu uma definição operacional com dois pontos de tempo: t1 (5 minutos para o EME convulsivo tônico-clônico generalizado) é o momento em que a crise é considerada prolongada o suficiente para não se esperar mais que cesse espontaneamente, justificando o início imediato do tratamento medicamentoso; t2 (30 minutos) é o tempo após o qual há risco aumentado de consequências em longo prazo, como morte neuronal e alteração das redes neurais — tem valor prognóstico e justifica abordagem mais agressiva. Não se deve esperar t2 para instituir o tratamento.

Na prática clínica, a crise tônico-clônica generalizada raramente dura mais de 2 minutos — embora testemunhas comumente descrevam durações maiores. Quando a crise se prolonga além de 5 minutos, a probabilidade de cessação espontânea cai drasticamente, e o quadro já configura EME, exigindo intervenção imediata com benzodiazepínicos (primeira linha), seguidos de antiepiléptico endovenoso (segunda linha) e, se necessário, anestesia geral (terceira linha). A fisiopatologia explica a urgência: a atividade epileptiforme sustentada desencadeia processos inflamatórios neuronais, quebra da barreira hematoencefálica, internalização de receptores GABAérgicos (tornando o quadro menos responsivo a benzodiazepínicos) e potencial morte neuronal.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre os dois marcos temporais: o aluno que memorizou a definição clássica (30 minutos) marca a letra E, e o que confunde com a duração típica de uma crise isolada (2 minutos) marca a letra B. O critério decisivo é: para intervir, o tempo é 5 minutos; para prognosticar dano, o tempo é 30 minutos. Guarde essa fronteira — é exatamente nela que as alternativas se dividem.

  1. 0–5 minCrise isolada (observar)
  2. ≥ 5 min (t1)Iniciar tratamento (EME)
  3. ≥ 30 min (t2)Risco de dano neuronal
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Alternativa A — ❌ Incorreta

1 minuto não é o tempo mínimo para definir EME. Uma crise com duração de 1 minuto é considerada uma crise isolada típica, que na grande maioria das vezes é autolimitada e não justifica o diagnóstico de estado de mal. A fase tônico-clônica de uma crise isolada raramente dura mais de 2 minutos, então 1 minuto está dentro do esperado para uma crise comum.

Alternativa B — ❌ Incorreta

2 minutos também não configura EME. Embora a fase tônico-clônica de uma crise isolada raramente ultrapasse 2 minutos, esse não é o marco para o estado de mal. O aluno que marca esta alternativa confunde a duração típica de uma crise convulsiva isolada com o critério de EME. O ponto de corte operacional para iniciar tratamento é 5 minutos, não 2.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a definição operacional da ILAE para o EME convulsivo tônico-clônico generalizado: crise contínua com duração ≥ 5 minutos (t1). A partir desse tempo, a crise dificilmente será autolimitada, e o tratamento medicamentoso de urgência deve ser iniciado imediatamente. É o que justifica a intervenção imediata mencionada no enunciado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

15 minutos não é o marco definido pela ILAE para o EME convulsivo. Esse valor se aproxima do critério de crise febril complexa (duração > 15 minutos) em pediatria, mas não se aplica ao estado de mal epiléptico. O aluno que marca esta alternativa pode estar confundindo os critérios de crise febril com os de EME.

Alternativa E — ❌ Incorreta

30 minutos corresponde à definição clássica de EME e ao ponto de tempo t2 da definição da ILAE — o momento após o qual há risco aumentado de consequências em longo prazo (morte neuronal, alteração de redes neurais). No entanto, não se deve esperar 30 minutos para iniciar o tratamento: a intervenção deve começar aos 5 minutos. Esta alternativa é a armadilha clássica para quem memorizou apenas a definição antiga.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os dois marcos temporais do EME. O candidato que decorou a definição clássica (30 minutos) cai na letra E, e o que pensa na duração típica de uma crise isolada (2 minutos) cai na letra B. O ponto-chave: 5 minutos para intervir (t1), 30 minutos para prognosticar dano (t2). Com esse par na cabeça, você enxerga a pegadinha de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de EME, monte mentalmente a linha do tempo: 0–5 min (crise isolada, observar) → 5 min (iniciar tratamento — EME operacional) → 30 min (risco de dano neuronal — t2). Decore os pares: 5/30 para o EME convulsivo. E lembre: a definição clássica de 30 minutos é histórica, não operacional.

Gabarito: letra C — o tempo mínimo de duração de uma crise convulsiva para caracterizar estado de mal epiléptico e justificar intervenção imediata é ≥ 5 minutos.

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