Questão de Medicina — Geriatria — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Geriatria
Código
qg727054
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Emergência
Um homem de 72 anos procura o pronto atendimento com fraqueza intensa, inapetência e tontura há 24 horas. Durante a triagem, é utilizado um protocolo de classificação de risco. Considerando as evidências sobre a aplicação desses sistemas em pacientes idosos, qual é a principal limitação observada nesses sistemas em relação a essa população, com repercussão na priorização e no fluxo assistencial?
APossui acurácia reduzida, frequentemente subestimando risco e classificando idosos em níveis menos urgentes.
BTende a superestimar gravidade, gerando aumento de internações desnecessárias.
CNão permite avaliação de sinais vitais durante a triagem.
DÉ proibido para pacientes acima de 70 anos.
EClassifica automaticamente todo paciente como prioridade “amarela”.
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GabaritoA — Possui acurácia reduzida, frequentemente subestimando risco e classificando idosos em níveis menos urgentes.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Classificação de risco no idoso: acurácia e subestimação de gravidade
Gabarito: letra A. A principal limitação dos sistemas de classificação de risco (como o Manchester Triage System) em pacientes idosos é a acurácia reduzida, com tendência a subestimar a gravidade e classificar esses pacientes em níveis menos urgentes do que o necessário — o que atrasa a priorização e o fluxo assistencial. Essa limitação decorre da apresentação atípica e inespecífica das doenças no idoso, que não é capturada adequadamente por protocolos desenhados para adultos jovens.
O paciente idoso que chega ao pronto-socorro com queixas vagas como fraqueza, inapetência e tontura — exatamente o caso do enunciado — é o retrato clássico da apresentação atípica de doenças agudas graves. Enquanto um adulto jovem com infarto ou sepse apresenta sintomas típicos (dor torácica, febre, taquipneia), o idoso frequentemente manifesta apenas uma síndrome inespecífica, como queda do estado geral, confusão mental ou perda funcional. Os protocolos de classificação de risco, ao se basearem em queixas e sinais objetivos padronizados, não capturam essa "apresentação atípica" — e é exatamente aí que mora o erro de subestimação.
O material de apoio reforça esse ponto ao afirmar que "mesmo quando parecem estáveis na avaliação inicial, os idosos apresentam maior probabilidade de estar agudamente enfermos do que jovens com o mesmo quadro clínico" e que "idosos que sofrem de um quadro clínico grave tendem a deteriorar mais rapidamente do que jovens". Ou seja: a estabilidade aparente na triagem não é garantia de baixo risco — é justamente o contrário. Além disso, o texto destaca que "doenças comuns podem ocasionar sintomas diferentes daqueles observados em adultos jovens", o que compromete diretamente a capacidade do protocolo de reconhecer a gravidade real.
Outro fator que agrava a subestimação é a dificuldade de comunicação e avaliação cognitiva. O material menciona que "portadores de algum déficit cognitivo podem fornecer informações errôneas, dificultando o diagnóstico" — o que pode levar o triador a classificar o paciente como menos urgente por não obter uma história clínica fidedigna. A avaliação da queixa principal, base de qualquer protocolo de triagem, fica comprometida quando o paciente não consegue relatar com precisão o que sente.
A consequência prática dessa limitação é o atraso no atendimento de pacientes que, na verdade, apresentam quadros graves — como sepse, infarto ou AVC — mascarados por sintomas inespecíficos. O risco de desfecho adverso aumenta, e o fluxo assistencial é comprometido porque o paciente é alocado em área de menor prioridade, aguardando mais tempo por atendimento médico. É por isso que a literatura geriátrica recomenda que, na dúvida, o idoso seja avaliado com mais cautela e que se considere a realização de avaliação geriátrica ampla (AGA) ou instrumentos específicos de rastreio de fragilidade, como o SOF index e a escala FRAIL, mencionados no material.
Guarde este critério: a questão testa se você conhece a direção do erro dos protocolos de triagem no idoso — eles erram para o lado da subestimação, não da superestimação. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Classificação de risco no idoso: Principal limitação (Acurácia reduzida, Subestima gravidade, Classifica como menos urgente); Causas (Apresentação atípica das doenças, Queixas vagas e inespecíficas, Déficit cognitivo (história errônea)); Consequências (Atraso no atendimento, Pior desfecho); Recomendação (Avaliação geriátrica ampla (AGA), Rastreio de fragilidade (SOF, FRAIL))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque reflete exatamente a evidência sobre a aplicação dos sistemas de classificação de risco em idosos. A acurácia reduzida é a principal limitação: os protocolos, ao se basearem em queixas e sinais típicos de adultos jovens, subestimam o risco no idoso, que frequentemente apresenta doenças graves com sintomas inespecíficos (fraqueza, inapetência, tontura, queda do estado geral). O material de apoio confirma que "mesmo quando parecem estáveis na avaliação inicial, os idosos apresentam maior probabilidade de estar agudamente enfermos do que jovens com o mesmo quadro clínico". Essa subestimação leva à classificação em níveis menos urgentes, atrasando a priorização e o atendimento — exatamente a repercussão no fluxo assistencial mencionada no enunciado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa inverte a direção do erro. A evidência mostra que os protocolos de triagem subestimam a gravidade no idoso, não a superestimam. A superestimação (classificar como mais grave do que realmente é) não é o padrão descrito na literatura — pelo contrário, o risco real é o oposto: o idoso grave parece estável e é classificado como menos urgente. A banca explora aqui a confusão entre os dois possíveis erros de um teste (falso-negativo vs. falso-positivo), e a resposta correta é o falso-negativo (subestimação).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que os protocolos não permitem avaliação de sinais vitais durante a triagem — o que é falso. Os sistemas de classificação de risco, como o Manchester Triage System, incluem a aferição de sinais vitais (frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, temperatura, saturação de oxigênio) como parte integrante da avaliação do paciente. A limitação no idoso não está na ausência de sinais vitais, mas na interpretação desses sinais: os padrões de normalidade e gravidade utilizados para adultos jovens "podem não ser aplicáveis aos idosos", como destaca o material. O problema é de acurácia e interpretação, não de ausência de coleta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa é absurda e não encontra respaldo em nenhuma norma ou evidência. Não existe proibição de aplicação de protocolos de classificação de risco em pacientes acima de 70 anos. Pelo contrário, a Portaria nº 2.048/2002 do Ministério da Saúde estabelece que todos os departamentos de emergência do país devem adotar sistema de acolhimento com classificação de risco, sem qualquer restrição etária. O idoso, inclusive, é população prioritária no atendimento, conforme o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003), que garante atendimento preferencial. A alternativa confunde a necessidade de adaptação do protocolo ao idoso com uma suposta proibição — o que não existe.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o protocolo classifica automaticamente todo paciente como prioridade "amarela" — o que é falso. Os sistemas de classificação de risco utilizam fluxogramas e algoritmos que avaliam a queixa principal, sinais vitais e outros parâmetros para determinar o nível de urgência (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, no caso do Manchester). Não há classificação automática de todos os idosos como "amarela". A alternativa distorce o funcionamento do protocolo, que é individualizado e baseado na avaliação clínica de cada paciente. A limitação real, como visto, é a subestimação do risco — não uma classificação uniforme.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os dois tipos de erro de um teste de triagem: subestimação (falso-negativo) vs. superestimação (falso-positivo). No idoso, o erro documentado é a subestimação — o paciente grave parece estável e é classificado como menos urgente. A alternativa B tenta inverter essa direção, e o candidato que não conhece a evidência específica da população geriátrica cai na armadilha. Lembre-se: no idoso, "estável na triagem" não significa "baixo risco" — significa "risco de deterioração rápida".
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre triagem no idoso, memorize o padrão: apresentação atípica → subestimação de gravidade → atraso no atendimento → pior desfecho. Quando a alternativa falar em "superestimar", "proibição" ou "classificação automática", elimine imediatamente — são distratores. O foco da banca é sempre a acurácia reduzida e suas consequências no fluxo assistencial.