Questão de Medicina — Legislação Profissional do Médico — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Legislação Profissional do Médico
Código
qg727057
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Emergência
De acordo com o Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018), qual princípio fundamental orienta que o médico deve sempre priorizar o bem-estar do paciente e atuar com absoluto respeito à dignidade humana?
AJustiça distributiva.
BNão maleficência.
CBeneficência.
DAutonomia.
EResponsabilidade técnica.
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GabaritoC — Beneficência.
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Princípios fundamentais da ética médica: beneficência
Gabarito: letra C. O princípio que orienta o médico a priorizar o bem-estar do paciente e atuar com absoluto respeito à dignidade humana é a beneficência, que fundamenta as ações que fornecem benefícios ao paciente após ponderar riscos. A questão cobra a distinção entre os quatro pilares clássicos da bioética — beneficência, não maleficência, autonomia e justiça — e a alternativa correta é aquela que define exatamente o dever de agir em prol do bem do paciente.
A ética médica moderna se estrutura sobre quatro princípios fundamentais, que funcionam como bússola para a tomada de decisões na prática clínica: autonomia, beneficência, não maleficência e justiça. Cada um deles tem um papel específico e complementar, e a banca explora exatamente a fronteira conceitual entre eles. A beneficência é o princípio que impõe ao médico o dever de agir em benefício do paciente, promovendo seu bem-estar e evitando danos — é a obrigação de fazer o bem, de atuar com zelo e dedicação em prol da saúde e da dignidade do ser humano. É o princípio que mais diretamente se relaciona com a ideia de "priorizar o bem-estar do paciente" e "atuar com absoluto respeito à dignidade humana", como descrito no enunciado.
A não maleficência, por sua vez, é o princípio que determina ao médico a obrigação de não causar dano ao paciente, sintetizado no axioma primum non nocere (primeiro, não causar dano). Enquanto a beneficência exige uma ação positiva em favor do paciente, a não maleficência é uma obrigação negativa: abster-se de causar mal. A autonomia refere-se à capacidade do indivíduo de governar a si próprio e participar das decisões sobre sua saúde, com base em suas crenças e valores — é o respeito à vontade do paciente. A justiça implica distribuir os recursos limitados da sociedade de forma equitativa entre seus membros, garantindo que todos tenham acesso ao que necessitam.
Na prática, esses princípios se inter-relacionam e podem entrar em conflito. Por exemplo, um paciente com doença terminal pode recusar um tratamento que o médico considera benéfico (conflito entre beneficência e autonomia). Nesses casos, o médico deve buscar o equilíbrio, respeitando a vontade do paciente quando este é capaz de decidir, mas sempre atuando com o objetivo de promover seu bem-estar. A beneficência, portanto, não é um princípio absoluto que se sobrepõe aos demais, mas é o que fundamenta a postura ética do médico de colocar o interesse do paciente acima de qualquer outro.
A pegadinha desta questão está na confusão entre beneficência e não maleficência. A banca oferece a não maleficência como distrator, mas ela se refere à obrigação de não causar dano, enquanto a beneficência é a obrigação de fazer o bem. O enunciado fala em "priorizar o bem-estar" e "atuar com absoluto respeito à dignidade humana", o que remete diretamente à ação positiva de promover o bem — ou seja, beneficência. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Princípios da bioética: Beneficência (Fazer o bem, Priorizar bem-estar do paciente); Não maleficência (Não causar dano (primum non nocere)); Autonomia (Respeito à vontade do paciente); Justiça (Equidade na distribuição de recursos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A justiça distributiva refere-se à distribuição equitativa dos recursos de saúde entre os membros da sociedade, garantindo que todos tenham acesso ao que necessitam. Não é o princípio que orienta a priorização do bem-estar individual do paciente, mas sim a equidade no âmbito coletivo. A alternativa confunde o princípio da justiça (âmbito social) com o da beneficência (âmbito individual).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A não maleficência é o princípio que determina ao médico a obrigação de não causar dano ao paciente, sintetizado no axioma primum non nocere. Embora seja um pilar fundamental da ética médica, ela se refere à abstenção de causar mal, não à ação positiva de promover o bem-estar. A alternativa troca o dever de fazer o bem (beneficência) pelo dever de não fazer o mal (não maleficência).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A beneficência é o princípio que fundamenta as ações que fornecem benefícios ao paciente após ponderar riscos. É exatamente o que o enunciado descreve: priorizar o bem-estar do paciente e atuar com absoluto respeito à dignidade humana. Este princípio impõe ao médico o dever de agir em prol do bem do paciente, promovendo sua saúde e bem-estar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A autonomia refere-se à capacidade do indivíduo de governar a si próprio e participar das decisões sobre sua saúde, com base em suas crenças e valores. É o respeito à vontade do paciente, que deve ser informado e apto a tomar decisões consistentes. A alternativa confunde o respeito à autonomia do paciente com o dever do médico de promover seu bem-estar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A responsabilidade técnica não é um princípio fundamental da bioética, mas sim um dever profissional do médico de responder por seus atos e assumir as consequências de suas condutas. Refere-se à obrigação de agir com zelo, competência e dentro dos limites da profissão. A alternativa foge do escopo dos quatro princípios fundamentais da ética médica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre beneficência e não maleficência. O enunciado fala em "priorizar o bem-estar" e "atuar com absoluto respeito à dignidade humana", o que remete à ação positiva de fazer o bem (beneficência). A não maleficência, por sua vez, é a obrigação de não causar dano (primum non nocere). Na prova, quando o enunciado falar em "promover o bem", "agir em benefício" ou "priorizar o bem-estar", a resposta é beneficência; quando falar em "não causar dano" ou "evitar o mal", é não maleficência. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar os quatro princípios da bioética, associe cada um a uma palavra-chave: Beneficência = fazer o bem; Não maleficência = não causar dano; Autonomia = respeito à vontade do paciente; Justiça = equidade na distribuição de recursos. Quando a questão pedir o princípio que "prioriza o bem-estar do paciente", a resposta é sempre beneficência.