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Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPneumologia
Código
qg727066
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Nefrologia
Paciente do sexo masculino, 60 anos, portador de DPOC, deu entrada na UPA com quadro dispneico acentuado, febre e calafrios há 3 dias. Após o exame físico, foram solicitados raio-X de tórax e gasometria arterial, cujos resultados foram: pH 7,15; PaO2 65 mmHg; PaCO2 52 mmHg; HCO3 25 mEq/L; BE –3; SpO2 88%.Considerando esse quadro clínico, assinale a alternativa correta.
  1. AO paciente encontra-se em estado de hiperventilação.
  2. BO cálculo do ânion gap ajudaria a estabelecer a causa etiológica da acidose.
  3. CO distúrbio é misto, ou seja, a acidose respiratória é compensada por alcalose metabólica.
  4. DOs achados da gasometria arterial, por ser DPOC, não indicam, nesse momento, a oxigenoterapia.
  5. EO distúrbio ácido-básico no momento é de uma acidose respiratória descompensada, com hipoxemia.
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GabaritoE — O distúrbio ácido-básico no momento é de uma acidose respiratória descompensada, com hipoxemia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Distúrbio ácido-básico na exacerbação de DPOC

Gabarito: letra E. O paciente apresenta acidose respiratória descompensada com hipoxemia: pH 7,15 (acidemia), PaCO2 52 mmHg (hipercapnia) e HCO3 25 mEq/L (bicarbonato normal, sem compensação renal), além de SpO2 88% e PaO2 65 mmHg (hipoxemia). A gasometria mostra um distúrbio primariamente respiratório, sem evidência de distúrbio metabólico associado, e a compensação renal esperada (aumento de HCO3) ainda não ocorreu.

A acidose respiratória é o distúrbio ácido-básico caracterizado por aumento da PaCO2 (hipercapnia) e queda do pH, resultante de hipoventilação alveolar. No paciente com DPOC, a exacerbação aguda — frequentemente desencadeada por infecção (febre e calafrios) — leva ao agravamento da obstrução das vias aéreas, reduzindo a ventilação alveolar e causando retenção de CO2. O corpo tenta compensar essa acidose por dois mecanismos: um rápido, celular (tamponamento por bicarbonato intracelular, que ocorre em minutos a horas), e um lento, renal (retenção de bicarbonato, que começa em 6 a 12 horas e se completa em 3 a 5 dias).

No caso apresentado, o HCO3 de 25 mEq/L está dentro da faixa de normalidade (22–26 mEq/L), indicando que não houve tempo para a compensação renal — ou seja, a acidose é aguda e descompensada. A regra prática para avaliar a compensação esperada na acidose respiratória aguda é: para cada aumento de 10 mmHg na PaCO2 acima de 40 mmHg, espera-se um aumento de aproximadamente 1 mEq/L no HCO3 (na aguda) ou de 3,5 mEq/L (na crônica). Aqui, a PaCO2 está 12 mmHg acima do normal (52 − 40 = 12), o que esperaria um HCO3 de cerca de 25–26 mEq/L na forma aguda — exatamente o valor encontrado. Isso confirma que não há distúrbio metabólico associado e que a compensação ainda não se estabeleceu.

A hipoxemia (PaO2 65 mmHg, SpO2 88%) é consequência direta da hipoventilação e da relação V/Q alterada na DPOC. A conduta imediata inclui oxigenoterapia suplementar com alvo de saturação de 88–92% (ou PaO2 60–65 mmHg), broncodilatadores, corticoides e antibióticos se houver suspeita de infecção. É importante destacar que, embora pacientes com DPOC crônica possam ser suscetíveis à hipoventilação adicional com oxigênio em excesso (narcose por CO2), isso não contraindica a oxigenoterapia quando há hipoxemia perigosamente baixa — o alvo deve ser ajustado, mas o oxigênio não deve ser retido.

A pegadinha central desta questão está em distinguir o distúrbio primário da compensação. A alternativa C sugere um distúrbio misto (acidose respiratória + alcalose metabólica), mas isso exigiria um HCO3 elevado (acima do esperado para a compensação), o que não ocorre. A alternativa A inverte o quadro, chamando de hiperventilação o que é hipoventilação. A alternativa B menciona o ânion gap, que é útil na acidose metabólica, não na respiratória. E a alternativa D contraria a conduta correta de oxigenar o paciente hipoxêmico. Guarde a sequência de interpretação da gasometria: pH → PaCO2 → HCO3 → compensação → oxigenação. É exatamente essa sequência que separa as alternativas.

  1. 1pH (acidemia/alcalemia)
  2. 2PaCO2 (componente respiratório)
  3. 3HCO3 (componente metabólico)
  4. 4Compensação adequada?
  5. 5Oxigenação (PaO2/SpO2)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente está em hiperventilação. O quadro é o oposto: a PaCO2 elevada (52 mmHg) indica hipoventilação alveolar, com retenção de CO2. Na hiperventilação, esperaríamos PaCO2 baixa (< 35 mmHg) e pH alcalêmico (alcalose respiratória). O paciente tem acidemia (pH 7,15) e hipercapnia, caracterizando hipoventilação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sugere que o cálculo do ânion gap ajudaria a estabelecer a causa da acidose. O ânion gap é uma ferramenta para acidose metabólica, ajudando a diferenciar causas como acidose láctica, cetoacidose ou intoxicações. No caso, o distúrbio é respiratório (PaCO2 elevada), e o HCO3 está normal — não há acidose metabólica para investigar. O ânion gap não acrescentaria informação relevante aqui.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o distúrbio é misto, com acidose respiratória compensada por alcalose metabólica. Para haver alcalose metabólica, o HCO3 deveria estar elevado (acima de 26 mEq/L), o que não ocorre (HCO3 = 25 mEq/L, normal). Além disso, a compensação renal da acidose respiratória aguda ainda não teve tempo de se estabelecer (começa em 6–12 horas). O distúrbio é simples, não misto: acidose respiratória aguda descompensada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que os achados gasométricos, por ser DPOC, não indicam oxigenoterapia. Isso é um erro grave: o paciente está hipoxêmico (PaO2 65 mmHg, SpO2 88%), e a oxigenoterapia é indicada com alvo de SpO2 88–92% (ou PaO2 60–65 mmHg). Embora haja preocupação com a supressão do drive respiratório em DPOC crônica, o oxigênio não deve ser evitado em pacientes com hipoxemia significativa — o alvo é ajustado, mas a oxigenação é essencial.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão o distúrbio: acidose respiratória descompensada com hipoxemia. O pH 7,15 confirma acidemia; a PaCO2 52 mmHg indica hipercapnia (componente respiratório); o HCO3 25 mEq/L normal mostra ausência de compensação renal (descompensada); e a PaO2 65 mmHg com SpO2 88% confirma hipoxemia. Todos os parâmetros se encaixam perfeitamente no diagnóstico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre distúrbio simples e misto. Muitos candidatos veem o HCO3 "normal" e pensam em compensação ou distúrbio associado, mas o HCO3 normal na acidose respiratória aguda indica justamente que não houve tempo para compensação — é descompensada, não mista. Outra armadilha é inverter hipoventilação/hiperventilação: PaCO2 alta = hipoventilação, sempre.

PEGA ESSA DICA!

Para interpretar gasometria na prova, siga sempre a ordem: 1) pH (acidemia ou alcalemia); 2) PaCO2 (respiratório); 3) HCO3 (metabólico); 4) verifique se a compensação é adequada (regra do 1 mEq/L por 10 mmHg na aguda, 3,5 mEq/L na crônica); 5) avalie a oxigenação (PaO2/SpO2). Se o HCO3 estiver dentro do esperado para a compensação, o distúrbio é simples; se estiver discrepante, é misto.

Gabarito: letra E

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