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Questão de Medicina — Nefrologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNefrologia
Código
qg727090
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Nefrologia
Acerca do Lúpus Eritematoso Sistêmicos (LES) e da Nefrite Lúpica (NL), é correto afirmar que
  1. Aao alcançar a remissão, o benefício maior é a rara ocorrência de recidivas.
  2. Bo principal objetivo do tratamento da NL é alcançar a remissão completa, que está associada a bom prognóstico renal em longo prazo.
  3. Ca biópsia renal, quando disponível, permanece como padrão-ouro para a definição da classe da NL e para o diagnóstico diferencial, porém peca em graduar atividade e cronicidade.
  4. Ddiante da suspeita de abertura de um quadro de atividade renal, a biópsia é opcional, uma vez que a determinação da classificação da NL com base em parâmetros clínicos e laboratoriais está ampla e específica, segundo a nova diretriz.
  5. Eas infecções são atualmente uma das principais causas de óbito no paciente com LES e, por isso, a profilaxia atualmente com sulfametoxazol/trimetoprim no período inicial do tratamento, quando a imunossupressão é mais intensa, é fortemente recomendada para qualquer classe de NL.
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GabaritoB — o principal objetivo do tratamento da NL é alcançar a remissão completa, que está associada a bom prognóstico renal em longo prazo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nefrite Lúpica: objetivo do tratamento e remissão

Gabarito: letra B. O principal objetivo do tratamento da nefrite lúpica (NL) é alcançar a remissão completa, que está associada a bom prognóstico renal em longo prazo — exatamente o que afirma a alternativa. As demais opções contêm erros conceituais: a remissão não elimina o risco de recidivas, a biópsia renal é o padrão-ouro e também gradua atividade e cronicidade, a classificação por parâmetros clínicos não substitui a biópsia, e a profilaxia com sulfametoxazol/trimetoprim não é recomendada de forma universal para todas as classes de NL.

A nefrite lúpica é uma das manifestações mais graves do lúpus eritematoso sistêmico (LES), afetando até 50% dos pacientes e sendo um importante fator de morbidade e mortalidade. O tratamento visa, em última instância, preservar a função renal e evitar a progressão para doença renal terminal. Para isso, os objetivos terapêuticos são: normalizar ou prevenir a perda de função renal, induzir remissão da atividade renal, prevenir reativações e minimizar a toxicidade do tratamento. A remissão completa — definida como a normalização dos parâmetros clínicos e laboratoriais (sedimento urinário, proteinúria e função renal) — é o alvo central, pois está diretamente associada a melhor prognóstico renal em longo prazo. Estudos demonstram que pacientes que atingem remissão completa têm menor risco de recidiva e de progressão para insuficiência renal crônica.

A classificação da NL pela International Society of Nephrology/Renal Pathology Society (ISN/RPS) divide a doença em seis classes morfológicas (I a VI), com base na biópsia renal. As classes III (focal) e IV (difusa) são as formas proliferativas, de pior prognóstico, e exigem terapia imunossupressora agressiva — indução com corticosteroides associados a ciclofosfamida ou micofenolato de mofetila. A classe V (membranosa) tem prognóstico mais benigno, e a classe VI (esclerótica) representa doença avançada, com pouca resposta ao tratamento. A biópsia renal é indispensável não apenas para definir a classe, mas também para avaliar atividade e cronicidade das lesões, informações essenciais para guiar a conduta terapêutica.

A alternativa B está correta porque reflete o consenso das diretrizes atuais (KDIGO, EULAR/ERA-EDTA e ACR): o objetivo primário do tratamento da NL é alcançar a remissão completa, que se correlaciona com melhor prognóstico renal a longo prazo. As demais alternativas apresentam erros específicos que serão detalhados a seguir. A pegadinha central desta questão é a tentativa de minimizar o papel da biópsia renal (alternativa D) e de generalizar a profilaxia antibiótica (alternativa E), além de subestimar o risco de recidivas mesmo após remissão (alternativa A).

Nefrite lúpica (NL)
  • 1Objetivo do tratamento
    • Remissão completa
      • Bom prognóstico renal
  • 2Biópsia renal (padrão-ouro)
    • Define a classe (ISN/RPS I–VI)
    • Gradua atividade e cronicidade
  • 3Classes proliferativas (III e IV)
    • Pior prognóstico
    • Imunossupressão agressiva
  • 4Profilaxia com sulfametoxazol/trimetoprim
    • Não universal para todas as classes
    • Individualizar risco-benefício
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que, ao alcançar a remissão, o benefício maior é a rara ocorrência de recidivas. Isso é incorreto: mesmo após a remissão completa, o risco de recidiva da nefrite lúpica é significativo, especialmente em pacientes que descontinuam precocemente a terapia de manutenção. O benefício principal da remissão é a preservação da função renal e a redução da morbimortalidade, não a raridade de recidivas. A recidiva é uma preocupação constante no manejo da NL, exigindo acompanhamento regular e manutenção do tratamento imunossupressor.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que o principal objetivo do tratamento da NL é alcançar a remissão completa, associada a bom prognóstico renal em longo prazo. Isso está alinhado com as diretrizes internacionais (KDIGO, EULAR/ERA-EDTA e ACR), que definem a remissão completa como alvo terapêutico central. A remissão completa é definida pela normalização da função renal, redução da proteinúria para níveis subnefróticos e melhora do sedimento urinário, e está associada a menor risco de progressão para doença renal terminal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a biópsia renal "peca em graduar atividade e cronicidade". Isso é incorreto: a biópsia renal é o padrão-ouro não apenas para definir a classe da NL, mas também para graduar atividade e cronicidade das lesões. A classificação ISN/RPS inclui subdivisões que distinguem lesões ativas (proliferativas) de lesões crônicas (escleróticas), como nas classes III (A), III (A/C) e III (C). A avaliação de atividade e cronicidade é fundamental para decidir a intensidade da imunossupressão e o prognóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que, diante da suspeita de atividade renal, a biópsia é opcional, pois a classificação por parâmetros clínicos e laboratoriais é "ampla e específica". Isso é incorreto: a biópsia renal permanece obrigatória na suspeita de nefrite lúpica ativa, pois os parâmetros clínicos e laboratoriais (proteinúria, sedimento urinário, função renal) não são capazes de distinguir com precisão as classes histológicas, nem de avaliar atividade e cronicidade. A classificação clínica é insuficiente e pode levar a condutas inadequadas. A biópsia é essencial para guiar o tratamento específico de cada classe.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a profilaxia com sulfametoxazol/trimetoprim é "fortemente recomendada para qualquer classe de NL" no período inicial do tratamento. Isso é incorreto: embora as infecções sejam uma causa importante de mortalidade no LES, a profilaxia com sulfametoxazol/trimetoprim não é recomendada de forma universal para todas as classes de NL. A profilaxia é indicada em situações específicas, como em pacientes com contagem de linfócitos CD4+ baixa ou em uso de altas doses de corticosteroides, mas não como rotina para todas as classes. A decisão deve ser individualizada, considerando o risco-benefício.

Gabarito: letra B

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