Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg727096
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Nefrologia
Paciente de 48 anos, transplantado renal há 3 meses, com boa evolução, procura o ambulatório de nefrologia na atenção secundária do SUS para obter orientações sobre vacinação. Relata que não sabe quais vacinas já tomou na vida. Segundo recomendações da Sociedade Brasileira de Nefrologia, esse paciente deve evitar a vacina
Acontra o HPV.
Bcontra a Varicela.
Cdupla adulto (dT).
Dmeningocócica conjugada.
Econtra a gripe sazonal (influenzae tipo B).
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GabaritoB — contra a Varicela.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Vacinação em transplantados renais: vacinas vivas atenuadas são contraindicadas
Gabarito: letra B. Em pacientes transplantados renais, em uso de imunossupressão, as vacinas de agentes vivos atenuados são contraindicadas por risco de doença disseminada pelo próprio vírus vacinal. A vacina contra a Varicela é uma vacina viva atenuada, portanto deve ser evitada. As demais vacinas citadas (HPV, dT, meningocócica conjugada e influenza) são vacinas inativadas ou de subunidades, sendo seguras e recomendadas nesse contexto.
A vacinação de pacientes transplantados é um tema central na nefrologia e na infectologia. O transplante renal exige imunossupressão crônica para evitar a rejeição do órgão, o que compromete a resposta imune do paciente e o torna mais suscetível a infecções. Por isso, a imunização é uma ferramenta essencial na prevenção de doenças infecciosas nessa população. No entanto, a escolha das vacinas deve ser criteriosa, pois vacinas que utilizam agentes vivos atenuados podem causar doença no imunossuprimido, já que o vírus atenuado pode se replicar e disseminar.
A principal distinção que decide esta questão é entre vacinas vivas atenuadas e vacinas inativadas. As vacinas vivas atenuadas contêm o microrganismo enfraquecido, capaz de se multiplicar no hospedeiro e induzir resposta imune duradoura. Em imunossuprimidos, essa replicação pode escapar ao controle e causar a doença. As vacinas inativadas, por outro lado, contêm o microrganismo morto ou apenas partes dele (subunidades, toxoides, polissacarídeos conjugados), não sendo capazes de causar a doença, mesmo em imunossuprimidos.
No contexto do transplante, a Sociedade Brasileira de Nefrologia e as principais diretrizes internacionais recomendam que a vacinação seja feita idealmente antes do transplante, quando o paciente ainda não está imunossuprimido. Após o transplante, as vacinas inativadas podem ser administradas, geralmente a partir do 3º ao 6º mês, quando a dose de imunossupressão já foi reduzida. As vacinas vivas atenuadas, como varicela, febre amarela, tríplice viral (SCR) e rotavírus, são contraindicadas após o transplante, pois o risco de doença vacinal supera o benefício.
Um exemplo prático: um paciente transplantado renal há 3 meses, em uso de tacrolimus e micofenolato, procura o ambulatório para atualizar o calendário vacinal. Se ele nunca teve varicela e não foi vacinado antes do transplante, a vacina contra varicela não deve ser administrada agora. Em vez disso, ele deve receber as vacinas inativadas indicadas, como influenza, dT, hepatite B, pneumocócicas e meningocócicas, conforme o esquema recomendado.
A pegadinha desta questão está em identificar qual vacina é viva atenuada. O candidato pode confundir a vacina contra varicela com outras vacinas, mas a varicela é uma das poucas vacinas vivas atenuadas do calendário adulto. As demais alternativas (HPV, dT, meningocócica conjugada e influenza) são todas vacinas inativadas ou de subunidades, seguras para o transplantado. Guarde essa fronteira: viva atenuada = contraindicada no imunossuprimido; inativada = permitida.
Vacinas em transplantados renais
1Vivas atenuadas
Contraindicadas (risco de doença vacinal)
Exemplos: varicela, febre amarela, SCR, rotavírus
2Inativadas/subunidades
Seguras e recomendadas
Exemplos: HPV, dT, meningocócica, influenza
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A vacina contra o HPV é uma vacina recombinante (não viva), produzida a partir de partículas semelhantes ao vírus (VLPs). É segura e recomendada para pacientes transplantados, pois eles têm maior risco de infecção persistente pelo HPV e de lesões precursoras de câncer. A recomendação é de 3 doses (0, 2 e 6 meses) para imunossuprimidos, independentemente da idade, desde que dentro das faixas etárias licenciadas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A vacina contra a Varicela é uma vacina de vírus vivo atenuado. Em pacientes transplantados renais, em uso de imunossupressão, a administração dessa vacina é contraindicada pelo risco de doença disseminada pelo vírus vacinal (varicela vacinal), que pode ser grave e até fatal. A vacinação contra varicela deve ser feita, se possível, antes do transplante, quando o paciente ainda é imunocompetente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A vacina dupla adulto (dT), contra difteria e tétano, é uma vacina de toxoides (inativada). É segura e recomendada para pacientes transplantados, devendo ser atualizada conforme o calendário. Se o esquema básico estiver incompleto, deve-se completá-lo; se completo, o reforço é feito a cada 10 anos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A vacina meningocócica conjugada é uma vacina inativada (polissacarídeo conjugado a proteína). É recomendada para pacientes transplantados, pois eles têm risco aumentado de doença meningocócica. O esquema geralmente é de 2 doses com intervalo de 8 semanas, com revacinação a cada 5 anos, conforme a situação vacinal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A vacina contra a gripe sazonal (influenza) é uma vacina inativada (ou recombinante). É altamente recomendada para pacientes transplantados, anualmente, pois eles têm maior risco de complicações graves por influenza. A vacina é segura e não há contraindicação nesse grupo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre vacinas vivas atenuadas e inativadas. O candidato pode achar que a vacina contra varicela é inativada, mas ela é viva atenuada. Lembre-se: no imunossuprimido, viva atenuada = contraindicada. As vacinas vivas atenuadas do calendário adulto são: varicela, febre amarela, tríplice viral (SCR) e herpes-zóster (atenuada). As demais, em geral, são inativadas e seguras.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões de vacinação em imunossuprimidos, identifique primeiro se a vacina é viva atenuada ou inativada. Se for viva atenuada, é contraindicada; se for inativada, é permitida e geralmente recomendada. Memorize as vacinas vivas atenuadas: BCG, VOP, rotavírus, febre amarela, tríplice viral (SCR), varicela e herpes-zóster atenuada.