Questão de Medicina — Legislação da Saúde. SUS. — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Legislação da Saúde. SUS.
Código
qg727099
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Nefrologia
Paciente de 59 anos, DRC G5, chega à unidade de hemodiálise do município demonstrando tensão e insegurança em sua primeira sessão de diálise. Relata ter medo de sentir dor e pegar doença pelo sangue. A assistente social acolhe o paciente e o apresenta a toda a equipe multiprofissional. Depois, mostra a clínica, colhe relatos dos demais pacientes, explica o funcionamento da clínica, de como é cada sessão, e os demais integrantes da equipe ajudam na orientação do procedimento, tranquilizando o paciente. A conversa é feita de modo privado, esclarecendo todas as dúvidas e deixando o paciente à vontade para ter um tempo de adaptação até o início da sessão. O paciente aceita e resolve fazer a sessão, recebendo o mesmo cuidado até a hora de ir para casa.De acordo com a Lei nº 8.080/1990 e conforme as Diretrizes para o Cuidado à Pessoa com Doença Renal Crônica, a conduta da equipe, nesse caso, se fundamenta principalmente na
Aequidade.
Bintegralidade.
Cuniversalidade.
Ddescentralização.
Eatenção humanizada.
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GabaritoE — atenção humanizada.
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Atenção humanizada no SUS: acolhimento e cuidado centrado na pessoa
Gabarito: letra E. A conduta da equipe — acolher, apresentar a clínica, explicar o procedimento, tranquilizar e respeitar o tempo de adaptação do paciente — materializa a atenção humanizada, princípio que orienta o cuidado no SUS e que está expresso nas Diretrizes para o Cuidado à Pessoa com Doença Renal Crônica. Embora a Lei nº 8.080/1990 não use a expressão "humanização" em seus princípios doutrinários (que são universalidade, integralidade, equidade e participação da comunidade), a Política Nacional de Humanização (PNH) e as diretrizes específicas para a DRC incorporam o acolhimento e o cuidado centrado na pessoa como eixos fundamentais da atenção.
A atenção humanizada é um princípio transversal do SUS, que se concretiza na prática por meio do acolhimento, do vínculo, da corresponsabilização e do respeito à autonomia e à dignidade do usuário. No caso narrado, a equipe multiprofissional age exatamente nesse sentido: a assistente social acolhe o paciente, apresenta a equipe, mostra a clínica, colhe relatos de outros pacientes, explica o funcionamento das sessões e, de forma privada, esclarece dúvidas, deixando o paciente à vontade para se adaptar. Essa postura vai além do simples acesso ao serviço (universalidade), do cuidado integral (integralidade) ou da distribuição justa de recursos (equidade) — ela diz respeito ao modo como o cuidado é oferecido, com escuta, empatia e respeito ao tempo do paciente.
A Lei nº 8.080/1990, em seu art. 2º, estabelece que "a saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício". Embora o texto legal não enumere a humanização entre os princípios do art. 7º, a Política Nacional de Humanização (PNH), instituída pelo Ministério da Saúde, e as Diretrizes para o Cuidado à Pessoa com Doença Renal Crônica (Portaria nº 389/2014) reforçam o acolhimento como diretriz clínica e ética. No contexto da hemodiálise — procedimento invasivo, repetitivo e gerador de ansiedade — a humanização é especialmente relevante, pois o medo da dor e da contaminação é comum e deve ser acolhido pela equipe.
A distinção entre os princípios é o ponto central da questão. A universalidade garante acesso a todos; a integralidade assegura cuidado completo, com ações de promoção, prevenção e reabilitação; a equidade busca tratar desigualmente os desiguais, priorizando quem mais precisa; a descentralização diz respeito à distribuição de competências entre os entes federativos. Nenhuma dessas alternativas captura o essencial da conduta descrita, que é o acolhimento humanizado — a forma de receber e cuidar da pessoa, respeitando sua subjetividade e seu tempo.
A pegadinha da banca está em confundir o conteúdo do cuidado (integralidade) com o modo de cuidar (humanização). A integralidade estaria presente se a equipe, por exemplo, oferecesse também acompanhamento nutricional, psicológico e social ao paciente. Já a humanização se manifesta na qualidade da relação estabelecida: escuta ativa, informação clara, respeito ao medo e à ansiedade, e adaptação do ritmo do procedimento às necessidades emocionais do paciente. É exatamente isso que o enunciado descreve.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre integralidade e humanização. A integralidade diz respeito à amplitude do cuidado (ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação em todos os níveis de atenção). A humanização diz respeito à qualidade da relação entre equipe e usuário — acolhimento, escuta, respeito à subjetividade. No caso, a equipe não ampliou o leque de serviços; ela mudou a forma de receber o paciente, acolhendo seu medo e respeitando seu tempo. Por isso, o fundamento é a atenção humanizada, não a integralidade.
Princípios do SUS: Universalidade (Acesso a todos); Integralidade (Cuidado completo (promoção, prevenção, reabilitação)); Equidade (Tratar desigualmente os desiguais); Descentralização (Distribuição de competências entre entes); Atenção humanizada (Acolhimento, Escuta ativa, Respeito à subjetividade e ao tempo do paciente)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A equidade é o princípio que orienta a distribuição de recursos e o atendimento conforme a necessidade, tratando desigualmente os desiguais. No caso, não há menção a desigualdade, priorização ou alocação de recursos — a conduta é de acolhimento e orientação, não de ajuste de acesso conforme vulnerabilidade. Portanto, não é o fundamento principal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A integralidade é o princípio que garante ao usuário um cuidado completo, com ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação, integrando os níveis de atenção. Embora a equipe multiprofissional aja de forma integrada, o foco da conduta não é ampliar o leque de serviços, mas acolher e tranquilizar o paciente diante do medo e da insegurança. A integralidade estaria mais bem representada se, por exemplo, o paciente recebesse também acompanhamento psicológico ou nutricional como parte do plano terapêutico. Aqui, o essencial é o modo de cuidar, não a amplitude do cuidado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A universalidade é o princípio que garante acesso de todos aos serviços de saúde, sem discriminação. O paciente já está na unidade de hemodiálise e receberá a sessão — o acesso está garantido. A conduta descrita não diz respeito à garantia de acesso, mas à qualidade do acolhimento durante o acesso. Portanto, não é o fundamento principal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A descentralização é uma diretriz organizativa do SUS, que distribui competências entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios (Lei nº 8.080/1990, art. 7º, IX). Não há qualquer relação entre a conduta da equipe e a organização administrativa do sistema. É um distrator clássico, pois aparece no rol de princípios/diretrizes da lei, mas não se aplica ao caso concreto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A atenção humanizada é o fundamento da conduta. A equipe acolhe o paciente, apresenta a clínica, explica o procedimento, colhe relatos de outros pacientes, esclarece dúvidas de forma privada e respeita o tempo de adaptação até o início da sessão. Essa postura concretiza o acolhimento e o cuidado centrado na pessoa, princípios da Política Nacional de Humanização (PNH) e das Diretrizes para o Cuidado à Pessoa com Doença Renal Crônica. O medo da dor e da contaminação é uma preocupação legítima do paciente em primeira sessão de hemodiálise, e a equipe responde com escuta, informação e empatia — exatamente o que define a humanização do cuidado.