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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg727103
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurocirurgião
Assinale a alternativa correta a respeito da condição mostrada na imagem a seguir.Imagem associada para resolução da questão
  1. AA maioria dos casos é causada por ruptura de aneurisma.
  2. BÉ muito comum.
  3. CPossui bom prognóstico.
  4. DTem alta taxa de recorrência.
  5. ENecessita de tratamento cirúrgico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Possui bom prognóstico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemorragia Subaracnóidea (HSA): apresentação clínica e prognóstico

Gabarito: letra C. A condição mostrada na imagem é a hemorragia subaracnóidea (HSA), e a alternativa correta afirma que ela possui bom prognóstico — o que é verdadeiro apenas para os graus iniciais da escala de Hunt-Hess (graus I e II), nos quais a mortalidade é baixa (1,4% e 5,4%, respectivamente). As demais alternativas apresentam características que não correspondem à HSA em sua apresentação típica.

A hemorragia subaracnóidea é o extravasamento de sangue para o espaço subaracnóideo, que fica entre a aracnoide e a pia-máter, as membranas que envolvem o cérebro. A causa mais comum é a ruptura de um aneurisma cerebral, responsável por cerca de 80% dos casos não traumáticos. O quadro clássico é a "pior cefaleia da vida", de início súbito, frequentemente acompanhada de náuseas, vômitos, rigidez de nuca e, em casos mais graves, rebaixamento do nível de consciência.

O prognóstico da HSA é diretamente relacionado ao grau clínico na admissão, avaliado por escalas como a de Hunt-Hess e a da World Federation of Neurosurgical Societies (WFNS). Pacientes com graus baixos (I e II) — sem déficit neurológico ou com sintomas leves — têm mortalidade inferior a 6% e, portanto, bom prognóstico. Já os graus mais altos (IV e V), com coma ou déficits graves, apresentam mortalidade que pode ultrapassar 40% e até 75%, configurando mau prognóstico. A tabela abaixo resume essa relação:

Grau Hunt-Hess

Sinais clínicos

Mortalidade

I

Ausência de sintomas ou cefaleia/rigidez de nuca mínima

1,4%

II

Cefaleia moderada a intensa, rigidez de nuca, sem déficit neurológico

5,4%

III

Sonolência, confusão, déficit focal leve

18,8%

IV

Coma, hemiparesia moderada/intensa, distúrbios vegetativos

41,9%

V

Coma profundo, descerebração, iminência de morte

76,9%

As complicações neurológicas são comuns e incluem isquemia cerebral tardia (46% dos pacientes), crise epiléptica (30%), hidrocefalia (20%) e ressangramento (7%). Essas complicações são as grandes responsáveis pela mortalidade e sequelas associadas à HSA. O tratamento pode ser clínico (controle da pressão arterial, prevenção de vasoespasmo) ou cirúrgico/endovascular (clipagem ou embolização do aneurisma), dependendo do caso.

A pegadinha desta questão está em associar a HSA a um mau prognóstico de forma generalizada, quando na verdade o prognóstico é bom nos graus iniciais — que são justamente os casos mais comuns de apresentação. A banca explora o conhecimento superficial de que a HSA é uma doença grave, mas a alternativa correta destaca o bom prognóstico nos casos leves.

Guarde a relação entre o grau clínico e a mortalidade: é exatamente nela que as alternativas se dividem, pois a letra C é a única que reflete a realidade dos casos iniciais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a maioria dos casos é causada por ruptura de aneurisma. Na verdade, a ruptura de aneurisma é a causa da maioria dos casos de HSA não traumática (cerca de 80%), mas a alternativa generaliza ao dizer "a maioria dos casos" sem especificar que se trata da forma não traumática. Além disso, a HSA também pode ser causada por trauma, malformações arteriovenosas e outras etiologias. O erro está na falta de especificação e na imprecisão da afirmação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que a HSA é muito comum. Na realidade, a HSA é uma condição relativamente rara, correspondendo a cerca de 5% de todos os acidentes vasculares cerebrais (AVC). A incidência é de aproximadamente 6 a 10 casos por 100.000 habitantes por ano. A alternativa erra ao classificar a HSA como "muito comum", quando ela é uma emergência neurológica pouco frequente, mas de alta gravidade.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a HSA possui bom prognóstico. Isso é verdadeiro para os graus iniciais da escala de Hunt-Hess (I e II), que apresentam mortalidade de 1,4% e 5,4%, respectivamente. A maioria dos pacientes que chega ao hospital com HSA e sem rebaixamento importante do nível de consciência tem boa evolução, especialmente com tratamento adequado. A alternativa está correta porque reflete o prognóstico favorável nos casos leves, que são a maioria das apresentações.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a HSA tem alta taxa de recorrência. Na verdade, a taxa de ressangramento (que é a recorrência do sangramento) é de cerca de 7% nos primeiros dias, e o risco diminui após o tratamento do aneurisma. A recorrência não é "alta" — o principal risco é o sangramento inicial, e não a recorrência. A alternativa confunde o risco de complicações (como vasoespasmo e isquemia) com recorrência do sangramento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que a HSA necessita de tratamento cirúrgico. Na verdade, o tratamento pode ser cirúrgico (clipagem) ou endovascular (embolização), e a escolha depende de vários fatores, como localização e tamanho do aneurisma, idade do paciente e condições clínicas. Além disso, nem todos os casos de HSA são causados por aneurisma — nos casos sem aneurisma identificado, o tratamento é clínico. A alternativa erra ao afirmar que o tratamento cirúrgico é sempre necessário.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre HSA e gravidade. O candidato que sabe que a HSA é uma emergência grave tende a marcar a alternativa D (alta recorrência) ou E (tratamento cirúrgico), mas a questão pede a característica correta — e o bom prognóstico nos graus iniciais é a única afirmação verdadeira. Fique atento: a gravidade da doença não significa mau prognóstico em todos os casos.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre HSA, memorize a escala de Hunt-Hess e a relação com a mortalidade. Nos graus I e II, o prognóstico é bom; nos graus IV e V, é ruim. Essa é a informação mais cobrada e a que resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra C

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