Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Neurologia
Código
qg727107
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurocirurgião
Paciente do sexo feminino, 30 anos, após cair do 4 o andar de um prédio, é admitida consciente, com dor lombar intensa e fraqueza em membros inferiores (força grau III). Foram realizadas imagens de coluna que mostraram fratura explosiva de T12 com lesão do complexo ligamentar posterior. Sobre esse caso, é correto afirmar que
Alesão do complexo ligamentar posterior é um fator de maior gravidade.
Ba paciente não possui sinais de lesão medular.
Ca abordagem mais adequada é por via lateral.
Do tratamento costuma ser conservador.
Efraturas do tipo explosiva são mais graves do que fraturas em rotação.
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GabaritoA — lesão do complexo ligamentar posterior é um fator de maior gravidade.
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Fratura explosiva de T12 e o complexo ligamentar posterior
Gabarito: letra A. A lesão do complexo ligamentar posterior (CLP) é um marcador de instabilidade e, portanto, de maior gravidade na fratura explosiva de T12, pois compromete a coluna posterior, essencial para a estabilidade do segmento. A paciente apresenta déficit neurológico (força grau III em membros inferiores), o que, somado à lesão do CLP, indica tratamento cirúrgico, não conservador.
A fratura explosiva (tipo A3 na classificação AO) é uma lesão por compressão axial que resulta na cominuição do corpo vertebral, com fragmentos que podem invadir o canal vertebral. O complexo ligamentar posterior é formado pelos ligamentos supraespinhoso, interespinhoso, amarelo e pelas cápsulas articulares, e sua integridade é fundamental para a estabilidade da coluna. Quando há lesão do CLP, a coluna perde um dos seus principais estabilizadores, tornando a fratura mais instável e grave, com maior risco de deformidade progressiva e de deterioração neurológica.
O sistema de classificação mais utilizado atualmente é o TLICS (Thoracolumbar Injury Classification and Severity Score), que pontua a morfologia da fratura, a integridade do CLP e o status neurológico. A lesão do CLP confere 3 pontos, o déficit neurológico incompleto (como o da paciente, que tem força grau III) confere 3 pontos, e a fratura explosiva confere 2 pontos, totalizando 8 pontos. Um TLICS ≥ 5 é indicação de tratamento cirúrgico. Portanto, a paciente, com TLICS 8, tem indicação cirúrgica clara, e a lesão do CLP é um dos fatores que mais contribuem para essa gravidade.
A abordagem cirúrgica pode ser posterior, anterior ou combinada, dependendo da morfologia da fratura e da necessidade de descompressão. A via lateral não é a abordagem padrão para fraturas toracolombares. O tratamento conservador é reservado para fraturas estáveis, sem lesão do CLP e sem déficit neurológico, o que não é o caso da paciente.
A classificação de Magerl e Gertzbein (AO) divide as fraturas em tipos A (compressão), B (distração) e C (rotação). As fraturas tipo C (rotação) são consideradas mais graves que as tipo A (explosão), pois envolvem maior instabilidade e lesão ligamentar. Portanto, a alternativa E está incorreta ao afirmar que fraturas explosivas são mais graves que fraturas em rotação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre gravidade e estabilidade. A fratura explosiva (tipo A3) é grave por si só, mas a lesão do CLP é o que a torna instável e, portanto, mais grave. O candidato pode pensar que a fratura explosiva é a mais grave de todas, mas as fraturas por rotação (tipo C) são ainda mais instáveis e graves. Fique atento: a gravidade não é determinada apenas pela morfologia, mas pela combinação de morfologia, integridade ligamentar e status neurológico.
Fratura explosiva (T12): Mecanismo (Compressão axial, Cominuição do corpo vertebral); Gravidade (Lesão do CLP (instabilidade), Déficit neurológico, TLICS ≥ 5 → cirurgia); Tratamento (Cirúrgico (TLICS 8), Conservador (só estável))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A lesão do complexo ligamentar posterior é um fator de maior gravidade porque compromete a estabilidade da coluna. O CLP é um dos principais estabilizadores posteriores, e sua lesão indica instabilidade, aumentando o risco de deformidade progressiva e deterioração neurológica. No sistema TLICS, a lesão do CLP confere 3 pontos, contribuindo significativamente para a indicação cirúrgica. A paciente, com fratura explosiva de T12, lesão do CLP e déficit neurológico (força grau III), tem um TLICS de 8 pontos, indicando tratamento cirúrgico. Portanto, a alternativa A está correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A paciente apresenta fraqueza em membros inferiores com força grau III, o que é um sinal claro de lesão medular. Na classificação de Frankel, força grau III corresponde ao tipo C (sensibilidade presente, motora presente porém não útil), indicando déficit neurológico incompleto. Portanto, a afirmação de que a paciente não possui sinais de lesão medular é falsa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A abordagem cirúrgica para fraturas toracolombares pode ser posterior, anterior ou combinada, dependendo da morfologia da fratura e da necessidade de descompressão. A via lateral não é a abordagem padrão para fraturas da coluna toracolombar. A via anterior é utilizada para descompressão do canal vertebral em casos de cominuição importante do corpo vertebral, mas a via lateral não é uma opção convencional. Portanto, a alternativa C está incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O tratamento conservador é indicado para fraturas estáveis, sem lesão do CLP e sem déficit neurológico. A paciente apresenta lesão do CLP e déficit neurológico (força grau III), o que a torna candidata a tratamento cirúrgico. O TLICS de 8 pontos (≥ 5) indica cirurgia. Portanto, a alternativa D está incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Na classificação AO, as fraturas por rotação (tipo C) são consideradas mais graves que as fraturas explosivas (tipo A3), pois envolvem maior instabilidade e lesão ligamentar. As fraturas tipo C são caracterizadas por deslocamento rotacional e lesão de todos os elementos de suporte, sendo altamente instáveis. Portanto, a afirmação de que fraturas explosivas são mais graves que fraturas em rotação é falsa.