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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg727111
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurocirurgião
Recém-nascido, sexo feminino, parto cesariano, apresenta malformação lombossacra recoberta por membrana translúcida, de 2 cm, com tecido neural aparente, fraqueza em membros inferiores e alteração esfincteriana. Na ultrassonografia, realizada com 20 semanas de gestação, havia alteração na coluna distal. A respeito desse caso, é correto afirmar que
  1. Atem forte associação com a malformação de Chiari tipo II.
  2. Ba cirurgia fetal estava contraindicada.
  3. Ctrata-se de um disrafismo oculto.
  4. Dnão tem relação com cromossopatias.
  5. Eo tratamento deve ser conservador.
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GabaritoA — tem forte associação com a malformação de Chiari tipo II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mielomeningocele: diagnóstico e associação com Chiari II

Gabarito: letra A. O caso descreve uma mielomeningocele (MMC) — malformação lombossacra recoberta por membrana translúcida com tecido neural aparente, fraqueza em MMII e alteração esfincteriana — e a alternativa correta afirma que há forte associação com a malformação de Chiari tipo II, o que é verdadeiro: quase todas as crianças com MMC apresentam Chiari II e hidrocefalia obstrutiva. As demais alternativas estão incorretas: a cirurgia fetal não está contraindicada (é indicada em casos selecionados), trata-se de um disrafismo aberto (não oculto), há relação com cromossopatias (cariótipo anormal é critério de exclusão para cirurgia fetal) e o tratamento não é conservador (é cirúrgico).

A mielomeningocele é a forma mais comum e grave de espinha bífida aberta, um defeito do tubo neural em que as meninges e a medula espinhal herniam através de um defeito ósseo vertebral, sem cobertura cutânea adequada — daí a membrana translúcida descrita. O diagnóstico pré-natal é feito por ultrassonografia (US) no segundo trimestre, como no caso, e o rastreio inclui a dosagem sérica materna de alfa-fetoproteína (AFP), que se eleva quando há disrafismo aberto. A apresentação clínica típica inclui disfunção distal da medula — paralisia e perda sensitiva em membros inferiores, disfunção intestinal e vesical — exatamente o quadro do enunciado.

A associação com a malformação de Chiari tipo II é quase universal: o defeito do tubo neural caudal leva à herniação do rombencéfalo (tronco encefálico e cerebelo) através do forame magno, causando hidrocefalia obstrutiva na maioria dos casos. Essa é a base da alternativa A. O tratamento padrão é o fechamento cirúrgico do defeito, historicamente nos primeiros 2 dias de vida; desde o estudo MOMS (2011), a cirurgia fetal pré-natal passou a ser indicada em casos selecionados — feto com cariótipo normal, espinha bífida isolada com borda superior entre T1 e S1 e evidência de herniação do rombencéfalo —, pois reduz em 42% a necessidade de derivação ventriculoperitoneal e melhora em 21% a deambulação independente.

A distinção crucial é entre disrafismo aberto e oculto: na MMC (aberta), há exposição do tecido neural e a pele não recobre o defeito; na espinha bífida oculta, a pele é íntegra, podendo haver nevos, lipomas, depressões ou tufos de cabelo, e os sintomas são mais sutis (espasticidade, alterações vesicais). A banca explora exatamente essa confusão na alternativa C. Além disso, a relação com cromossopatias existe — aneuploidias como trissomias podem estar associadas, e o cariótipo anormal é critério de exclusão para a cirurgia fetal —, o que derruba a alternativa D. Por fim, o tratamento conservador (alternativa E) não é a conduta: o fechamento cirúrgico é mandatório para prevenir infecção e deterioração neurológica.

Guarde a tríade que decide a questão: MMC = disrafismo aberto + Chiari II + tratamento cirúrgico (pós-natal ou fetal). É nessa tríade que as alternativas se dividem.

1Tipo
Disrafismo aberto
Pele não recobre o defeito
2Associação
Chiari tipo II (quase universal)
Hidrocefalia obstrutiva
3Diagnóstico pré-natal
US 2º trimestre
AFP sérica materna elevada
4Tratamento
Cirúrgico (mandatório)
Fetal (casos selecionados)
Conservador (não é opção)
Mielomeningocele (MMC)
LEVELsoulevel.com.br
Mielomeningocele (MMC): Tipo (Disrafismo aberto, Pele não recobre o defeito); Associação (Chiari tipo II (quase universal), Hidrocefalia obstrutiva); Diagnóstico pré-natal (US 2º trimestre, AFP sérica materna elevada); Tratamento (Cirúrgico (mandatório), Fetal (casos selecionados), Conservador (não é opção))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A mielomeningocele tem associação quase universal com a malformação de Chiari tipo II. O defeito do tubo neural caudal provoca herniação do rombencéfalo, levando à hidrocefalia obstrutiva na maioria dos casos. O texto de apoio confirma: "Quase todas as crianças com MMC apresentam malformação de Chiari 2 e hidrocefalia obstrutiva." A alternativa espelha exatamente essa regra.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cirurgia fetal não está contraindicada — pelo contrário, é indicada em casos selecionados. O estudo MOMS (2011) demonstrou benefícios do reparo pré-natal, e os fetos com cariótipo normal, espinha bífida isolada (borda superior entre T1 e S1) e herniação do rombencéfalo são encaminhados para fechamento pré-natal no segundo trimestre. A banca inverte a indicação: o que existe são critérios de seleção, não contraindicação absoluta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Trata-se de um disrafismo aberto, não oculto. A membrana translúcida com tecido neural aparente indica exposição do tecido nervoso, característica da MMC (aberta). No disrafismo oculto (espinha bífida oculta), a pele é íntegra e os sinais são sutis — nevos, lipomas, depressões ou tufos de cabelo —, com sintomas como espasticidade e alterações vesicais. A banca troca o tipo de disrafismo para confundir.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Há relação com cromossopatias. A MMC pode estar associada a aneuploidias, e o cariótipo anormal é critério de exclusão para a cirurgia fetal — ou seja, a avaliação cromossômica é parte da investigação. A alternativa nega uma relação que existe e que é clinicamente relevante para a decisão terapêutica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O tratamento não é conservador. O fechamento cirúrgico do defeito é mandatório — historicamente nos primeiros 2 dias de vida, e atualmente também por via fetal pré-natal em casos selecionados — para prevenir infecção (meningite) e deterioração neurológica. A conduta conservadora não é opção na MMC.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre disrafismo aberto e oculto (alternativa C) e inverte a indicação da cirurgia fetal (alternativa B). Na MMC, o defeito é aberto — há tecido neural exposto — e a cirurgia fetal é indicada em casos selecionados, não contraindicada. Lembre-se: "aberto" + "Chiari II" + "cirúrgico" formam a tríade da MMC.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de defeitos do tubo neural, monte o quadro mental: MMC (aberta) → Chiari II + hidrocefalia + cirurgia; espinha bífida oculta → pele íntegra + sinais cutâneos + sintomas sutis. Se a alternativa falar em "membrana translúcida" ou "tecido neural aparente", é disrafismo aberto — elimine qualquer opção que diga "oculto".

Gabarito: letra A

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