Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg727118
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neurocirurgião
- AMediano.
- BUlnar.
- CAxilar.
- DRadial.
- ETorácico longo.
GabaritoD — Radial.
Gabarito: letra D. A paralisia do sábado à noite é uma neuropatia compressiva do nervo radial, clássica em quem dorme com o braço apoiado sobre uma superfície dura após consumo abusivo de álcool, resultando em queda do punho (mão caída) com preservação da extensão do cotovelo. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o tratamento é conservador, com recuperação espontânea na maioria dos casos.
A paralisia do sábado à noite é um exemplo clássico de neuropatia compressiva, também chamada de paralisia por compressão ou paralisia de pressão. O mecanismo é simples: ao dormir profundamente, muitas vezes sob efeito de álcool ou sedativos, a pessoa permanece por horas com o braço apoiado sobre uma superfície dura (como o encosto de uma cadeira, uma mesa ou o próprio corpo do parceiro). Essa compressão prolongada sobre o trajeto do nervo radial — que contorna o úmero no sulco espiral — leva à isquemia e à desmielinização local do nervo, bloqueando a condução do impulso nervoso.
O nervo radial é um dos principais nervos do membro superior, originando-se do plexo braquial (raízes C5 a T1). Ele é responsável pela inervação dos músculos extensores do cotovelo, punho, dedos e polegar, além de fornecer sensibilidade para a face posterior do braço, antebraço e dorso da mão. Por isso, quando comprimido no sulco espiral do úmero, o quadro clínico é bastante característico: queda do punho (impossibilidade de estender o punho e os dedos), preservação da extensão do cotovelo (pois o tríceps é inervado por ramos que saem mais proximalmente) e perda sensitiva no dorso da mão, especialmente na região do primeiro espaço interósseo.
O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história (sono prolongado sobre o braço, frequentemente após ingestão alcoólica) e no exame físico (queda do punho, fraqueza dos extensores, hipoestesia no dorso da mão). Exames eletrodiagnósticos (eletroneuromiografia) podem confirmar o local da lesão e avaliar a gravidade, mas não são obrigatórios na apresentação típica. O prognóstico é excelente: a maioria dos pacientes recupera-se espontaneamente em semanas a meses, sendo o tratamento baseado em medidas conservadoras, como tala de imobilização do punho para prevenir contraturas e fisioterapia para manter a amplitude de movimento.
É importante distinguir a paralisia do sábado à noite de outras neuropatias compressivas do membro superior, como a síndrome do túnel do carpo (nervo mediano), a paralisia ulnar (nervo ulnar) e a lesão do nervo axilar. Cada uma tem seu mecanismo, quadro clínico e tratamento específicos. A banca explora justamente essa confusão entre os nervos do plexo braquial, oferecendo alternativas que correspondem a outras neuropatias periféricas.
A banca troca o nervo radial (correto) por outros nervos do membro superior — mediano, ulnar, axilar e torácico longo — para confundir o candidato que não associa a queda do punho à compressão do radial. A chave é lembrar que a paralisia do sábado à noite é uma compressão do nervo radial no sulco espiral do úmero, típica de quem dorme sobre o braço após ingestão alcoólica. Com esse raciocínio, você elimina as demais alternativas com segurança.
O nervo mediano é o mais acometido na síndrome do túnel do carpo, caracterizada por parestesia e dor nos primeiros três dedos e metade do quarto, além de fraqueza da musculatura tenar (oposição do polegar). Não há relação com a paralisia do sábado à noite, que é uma compressão do nervo radial.
O nervo ulnar é comprimido no cotovelo (sulco condilar ou túnel cubital), causando atrofia dos interósseos, fraqueza da musculatura intrínseca da mão e dormência no dedo mínimo e metade ulnar do anular. Apesar de também poder ser uma neuropatia compressiva, o mecanismo e o quadro clínico são distintos da paralisia do sábado à noite.
O nervo axilar inerva o deltoide e o redondo menor, sendo lesado em luxações do ombro ou fraturas do colo cirúrgico do úmero. O quadro é de fraqueza na abdução do braço e hipoestesia na região deltoidea, não se confundindo com a queda do punho da paralisia radial.
A paralisia do sábado à noite é a neuropatia compressiva do nervo radial no sulco espiral do úmero, causada por sono prolongado sobre o braço, frequentemente após consumo abusivo de álcool. O quadro clássico é a queda do punho com preservação da extensão do cotovelo, fraqueza dos extensores dos dedos e polegar, e perda sensitiva no dorso da mão. O tratamento é conservador, com recuperação espontânea.
O nervo torácico longo inerva o músculo serrátil anterior, e sua lesão causa a escápula alada (projeção da borda medial da escápula). Não há qualquer relação com a paralisia do sábado à noite, que é uma neuropatia do membro superior com queda do punho.
Gabarito: letra D — o nervo lesado na paralisia do sábado à noite é o radial.
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