Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Neurologia
Código
qg727130
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurocirurgião
Quanto ao procedimento de Derivação Ventrículo-Peritoneal (DVP) no tratamento de hidrocefalia, é correto afirmar que
Aé um procedimento que drena o líquor do espaço subaracnoide para a cavidade peritoneal.
Bdeve ser evitado na hidrocefalia não comunicante.
Csua principal complicação é o mau posicionamento do cateter peritoneal.
Dpleocitose está relacionada com obstrução da DVP.
Eem casos de infecção da DVP, não é indicada a troca do sistema derivativo.
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GabaritoD — pleocitose está relacionada com obstrução da DVP.
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Derivação Ventrículo-Peritoneal (DVP) e suas complicações
Gabarito: letra D. A pleocitose (aumento do número de células no líquor) é um marcador de infecção do sistema derivativo, e a infecção é uma das principais causas de obstrução da DVP — por isso a alternativa D está correta. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a DVP drena o líquor dos ventrículos (não do espaço subaracnoide), é indicada justamente na hidrocefalia não comunicante (obstrutiva), a principal complicação é a infecção (não o mau posicionamento do cateter) e, em caso de infecção, a troca do sistema é sim indicada.
A derivação ventrículo-peritoneal é um procedimento neurocirúrgico que desvia o fluxo do líquido cefalorraquidiano (LCR) dos ventrículos cerebrais para a cavidade peritoneal, onde é reabsorvido. O sistema é composto por um cateter ventricular (introduzido no ventrículo lateral), uma válvula (que regula a pressão de abertura) e um cateter distal (que segue pelo subcutâneo até o peritônio). O objetivo é tratar a hidrocefalia, condição caracterizada pelo acúmulo anormal de LCR nos ventrículos, que pode ser comunicante (quando a obstrução está fora do sistema ventricular, nas granulações aracnoides) ou não comunicante/obstrutiva (quando há obstrução dentro do sistema ventricular, como na estenose do aqueduto).
A principal complicação da DVP é a infecção, que ocorre em cerca de 5 a 10% dos casos, seguida pela obstrução do sistema. A infecção pode se manifestar como ventriculite, meningite ou peritonite, e o diagnóstico é feito pela análise do líquor, que mostra pleocitose (aumento de células, principalmente neutrófilos), hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia. A obstrução pode ocorrer no cateter ventricular (por tecido cerebral, coágulos ou plexo coroide), na válvula ou no cateter peritoneal (por acúmulo de proteínas, aderências ou migração). A infecção é um fator de risco importante para a obstrução, pois o processo inflamatório pode levar à formação de debris e aderências que bloqueiam o fluxo.
Na prática clínica, quando há suspeita de infecção da DVP, a conduta é a retirada do sistema infectado, a drenagem ventricular externa (DVE) temporária e a antibioticoterapia. Após a resolução da infecção, um novo sistema é implantado. A troca do sistema é, portanto, parte fundamental do tratamento da infecção, contrariando a alternativa E. A alternativa A erra ao afirmar que a DVP drena o líquor do espaço subaracnoide — na verdade, o cateter é colocado no ventrículo lateral, e a drenagem do espaço subaracnoide é característica de outras técnicas, como a derivação lomboperitoneal. A alternativa B erra ao afirmar que a DVP deve ser evitada na hidrocefalia não comunicante — na verdade, a DVP é o tratamento de escolha para a hidrocefalia obstrutiva, pois desvia o LCR do ponto de obstrução. A alternativa C erra ao afirmar que a principal complicação é o mau posicionamento do cateter peritoneal — a infecção é a complicação mais comum e mais temida.
A pegadinha desta questão está em associar a pleocitose apenas a infecção, sem considerar que ela também pode ser um marcador de obstrução. Na prática, a pleocitose é um sinal de infecção, e a infecção é uma causa de obstrução. Portanto, a alternativa D está correta ao afirmar que a pleocitose está relacionada com a obstrução da DVP, pois a infecção (que causa pleocitose) pode levar à obstrução. As demais alternativas apresentam erros conceituais claros, que serão detalhados a seguir.
DVP (Derivação Ventrículo-Peritoneal)
1Técnica
Cateter ventricular (ventrículo lateral)
Válvula (regula pressão)
Cateter distal (peritônio)
2Indicação
Hidrocefalia não comunicante (obstrutiva)
3Complicações
Infecção (principal)
Pleocitose no líquor
Pode causar obstrução
Obstrução
Mau posicionamento do cateter
4Conduta na infecção
Retirada do sistema
DVE temporária
Antibioticoterapia
Nova implantação
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A DVP drena o líquor dos ventrículos cerebrais, não do espaço subaracnoide. O cateter ventricular é inserido no ventrículo lateral, e o líquor é desviado para a cavidade peritoneal. A drenagem do espaço subaracnoide é característica de outros procedimentos, como a derivação lomboperitoneal, que utiliza o espaço subaracnoide lombar como ponto de captação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A DVP é o tratamento de escolha para a hidrocefalia não comunicante (obstrutiva), pois desvia o LCR do ponto de obstrução, restaurando o fluxo. Evitar a DVP nesses casos seria um erro grave, pois a hidrocefalia obstrutiva não responde a outras medidas clínicas e pode levar a danos neurológicos irreversíveis.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A principal complicação da DVP é a infecção, que ocorre em cerca de 5 a 10% dos casos, seguida pela obstrução do sistema. O mau posicionamento do cateter peritoneal é uma complicação possível, mas não é a principal. A infecção é a complicação mais temida, pois pode levar a ventriculite, meningite, sepse e necessidade de retirada do sistema.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A pleocitose (aumento do número de células no líquor) é um marcador de infecção do sistema derivativo, e a infecção é uma das principais causas de obstrução da DVP. O processo inflamatório pode levar à formação de debris, aderências e acúmulo de proteínas que bloqueiam o fluxo do líquor. Portanto, a pleocitose está relacionada com a obstrução da DVP, pois indica a presença de infecção, que é um fator de risco para a obstrução.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Em caso de infecção da DVP, a troca do sistema é sim indicada. A conduta padrão é a retirada do sistema infectado, a colocação de uma drenagem ventricular externa (DVE) temporária e a antibioticoterapia. Após a resolução da infecção, um novo sistema é implantado. Manter o sistema infectado é um erro grave, pois a infecção pode se disseminar e causar complicações graves.
Gabarito: letra D — a pleocitose está relacionada com a obstrução da DVP, pois é um marcador de infecção, que é uma das principais causas de obstrução do sistema derivativo.