Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg727131
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neurocirurgião
- AALIF.
- BTLIF.
- CPLIF.
- DLLIF.
- EXLIF.
GabaritoA — ALIF.
Gabarito: letra A (ALIF). A abordagem anterior (ALIF) é a que apresenta maior risco de lesão de vasos sanguíneos (artéria e veia ilíacas, veia cava inferior) e do plexo simpático, pois o acesso cirúrgico é realizado diretamente sobre essas estruturas, que ficam no trajeto da dissecção. As abordagens posteriores (TLIF, PLIF) e laterais (LLIF, XLIF) afastam-se desses elementos anatômicos, reduzindo o risco.
A cirurgia da coluna lombar pode ser feita por diferentes vias de acesso, e a escolha da via influencia diretamente quais estruturas anatômicas o cirurgião encontra pelo caminho. A ALIF (Lumbar Interbody Fusion — Fusão Intersomática Lombar Anterior) é uma técnica em que o disco intervertebral é abordado pela frente da coluna, através do abdome. Para chegar ao disco, o cirurgião precisa afastar os grandes vasos (aorta, veia cava inferior, artérias e veias ilíacas) e, nesse trajeto, o plexo simpático lombar — uma rede de nervos que fica aderida à face lateral dos corpos vertebrais — pode ser lesado. Essa é a razão anatômica do maior risco: a via anterior passa exatamente onde estão os vasos e o plexo simpático.
As demais siglas representam outras vias de acesso. TLIF (Transforaminal Lumbar Interbody Fusion) e PLIF (Posterior Lumbar Interbody Fusion) são abordagens posteriores, feitas pelas costas, que não cruzam o trajeto dos grandes vasos nem do plexo simpático — o risco principal é de lesão de raízes nervosas e de tecido neural. LLIF (Lateral Lumbar Interbody Fusion) e XLIF (eXtreme Lateral Interbody Fusion) são abordagens laterais, que passam pelo músculo psoas; o risco característico é de lesão do plexo lombossacral (nervos que atravessam o psoas), não do plexo simpático nem dos grandes vasos.
Na prática, o cirurgião que opta pela ALIF precisa ter domínio da anatomia vascular retroperitoneal e, muitas vezes, conta com o auxílio de um cirurgião vascular para o acesso. A lesão do plexo simpático na ALIF pode resultar em um fenômeno chamado "síndrome do membro quente" (vasodilatação e aumento da temperatura do membro inferior ipsilateral), que é uma complicação bem documentada dessa via. Já a lesão vascular pode causar sangramento importante, às vezes de difícil controle.
A pegadinha da banca está em associar o risco de lesão vascular e do plexo simpático a uma via que não é a anterior. O candidato que decora as siglas sem entender a anatomia de cada acesso pode marcar TLIF ou PLIF, que são as abordagens mais comuns, mas o risco descrito é específico da via anterior. Guarde a relação: via anterior = vasos + plexo simpático; via posterior = raízes nervosas; via lateral = plexo lombossacral.
Abordagem | Via de acesso | Estruturas em risco |
|---|---|---|
ALIF | Anterior (retroperitônio) | Grandes vasos (aorta, veia cava, ilíacas) e plexo simpático |
TLIF | Posterior (transforaminal) | Raízes nervosas e tecido neural |
PLIF | Posterior (canal central) | Raízes nervosas e saco dural |
LLIF | Lateral (músculo psoas) | Plexo lombossacral |
XLIF | Lateral extrema (músculo psoas) | Plexo lombossacral |
A ALIF é a abordagem que apresenta maior risco de lesão de vasos sanguíneos e do plexo simpático. O acesso anterior à coluna lombar exige a dissecção do retroperitônio, onde estão a aorta, a veia cava inferior e as artérias/veias ilíacas, além do plexo simpático lombar, que fica aderido à face lateral dos corpos vertebrais. A manipulação dessas estruturas para expor o disco intervertebral é o que confere o maior risco.
A TLIF é uma abordagem transforaminal, ou seja, posterior. O acesso é feito pelas costas, passando pelo forame intervertebral, sem cruzar o trajeto dos grandes vasos nem do plexo simpático. O risco principal dessa via é de lesão de raízes nervosas e de tecido neural, não de vasos sanguíneos ou do plexo simpático.
A PLIF é uma abordagem posterior clássica, na qual o acesso ao disco é feito pela região central do canal vertebral. Assim como a TLIF, não há dissecção dos grandes vasos nem do plexo simpático no trajeto cirúrgico. O risco característico é de lesão neurológica (raízes nervosas, saco dural), não vascular ou simpática.
A LLIF é uma abordagem lateral, que acessa o disco passando pelo músculo psoas. O risco característico dessa via é a lesão do plexo lombossacral, que atravessa o psoas, podendo causar fraqueza no quadril e na coxa. Não é a via com maior risco de lesão dos grandes vasos ou do plexo simpático.
A XLIF é uma variação da abordagem lateral extrema, também passando pelo psoas. O risco principal é o mesmo da LLIF: lesão do plexo lombossacral. A via lateral não cruza o trajeto dos grandes vasos nem do plexo simpático, portanto não é a que apresenta maior risco dessas complicações.
A banca explora a confusão entre as siglas das abordagens. O candidato que decora as siglas sem entender a anatomia de cada acesso pode marcar TLIF ou PLIF, que são as abordagens mais comuns, mas o risco descrito é específico da via anterior. Lembre-se: ALIF = anterior = vasos + plexo simpático.
Para fixar, associe cada via ao risco característico: anterior (ALIF) → vasos e plexo simpático; posterior (TLIF/PLIF) → raízes nervosas; lateral (LLIF/XLIF) → plexo lombossacral. Essa relação cai com frequência em provas de ortopedia e neurocirurgia.
Gabarito: letra A (ALIF).
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