Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg727139
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neurocirurgião
- AEvento adverso.
- BNear miss
- CRisco.
- DIncidente sem dano.
- ECircunstância notificável.
GabaritoA — Evento adverso.
Gabarito: letra A. A transfusão de bolsa incompatível que gera reação transfusional grave é classificada como evento adverso, pois causou dano ao paciente (a reação transfusional) durante a assistência à saúde. A RDC ANVISA nº 36/2013 define evento adverso como qualquer ocorrência que resulte em dano ao paciente, e a reação transfusional grave se enquadra exatamente nesse conceito.
A hemovigilância é o conjunto de procedimentos de vigilância contínua das reações transfusionais, com o objetivo de monitorar, prevenir e melhorar a segurança transfusional. A RDC ANVISA nº 36/2013 estabelece o Sistema Nacional de Hemovigilância e define as classificações dos eventos relacionados ao uso de sangue e hemocomponentes. A distinção entre os conceitos é essencial para a notificação correta e para a gestão de riscos nos serviços de saúde.
A reação transfusional é definida como qualquer resposta indesejada do paciente à transfusão de sangue ou hemocomponentes. Quando essa reação causa dano, ela é classificada como evento adverso. No caso descrito, a transfusão de bolsa incompatível gerou uma reação transfusional grave, ou seja, houve dano ao paciente — portanto, trata-se de um evento adverso.
A RDC ANVISA nº 36/2013 adota a terminologia da OMS para segurança do paciente, que distingue:
Evento adverso: incidente que resulta em dano ao paciente.
Incidente sem dano: evento que não causou dano, embora tenha potencial para isso.
Near miss (quase erro): incidente que não chegou a atingir o paciente.
Circunstância notificável: situação com potencial para causar dano, mas que não chegou a ocorrer.
Risco: probabilidade de ocorrência de um evento.
A pegadinha da questão está em confundir evento adverso com incidente sem dano ou near miss. A reação transfusional grave é um dano real, portanto não pode ser classificada como incidente sem dano (que não causa dano) nem como near miss (que não atinge o paciente).
Para fixar, veja a tabela comparativa:
Classificação | Definição | Exemplo na hemoterapia |
|---|---|---|
Evento adverso | Incidente que resulta em dano ao paciente | Reação hemolítica aguda por transfusão ABO incompatível |
Incidente sem dano | Evento que não causou dano, mas atingiu o paciente | Transfusão de bolsa com etiqueta trocada, mas sem reação |
Near miss | Incidente que não atingiu o paciente | Erro de identificação detectado antes do início da transfusão |
Circunstância notificável | Situação com potencial de dano, mas que não ocorreu | Falha no processo de testagem que não resultou em transfusão |
Risco | Probabilidade de ocorrência de um evento | Probabilidade de reação transfusional em determinado serviço |
A banca explora a confusão entre os termos, especialmente entre evento adverso e incidente sem dano. A diferença crucial é a presença de dano: no evento adverso, o dano ocorreu; no incidente sem dano, não. No caso da transfusão incompatível com reação grave, o dano é evidente, então a classificação correta é evento adverso.
A transfusão de bolsa incompatível que gera reação transfusional grave é um evento adverso, pois causou dano ao paciente. A RDC ANVISA nº 36/2013 define evento adverso como qualquer ocorrência que resulte em dano ao paciente, e a reação transfusional grave é exatamente isso: um dano decorrente da assistência à saúde. A notificação desse evento é obrigatória no âmbito da hemovigilância.
Near miss é um incidente que não chegou a atingir o paciente. No caso, a transfusão foi realizada e causou reação grave, ou seja, o paciente foi atingido e houve dano. Portanto, não se trata de near miss, mas de evento adverso.
Risco é a probabilidade de ocorrência de um evento, não o evento em si. A transfusão incompatível já ocorreu e causou dano, então não é um risco, mas um evento adverso concretizado.
Incidente sem dano é um evento que atinge o paciente, mas não causa dano. No caso, a reação transfusional grave causou dano, portanto não se enquadra nessa categoria. A presença de dano é o que diferencia o evento adverso do incidente sem dano.
Circunstância notificável é uma situação com potencial para causar dano, mas que não chegou a ocorrer. No caso, o evento já ocorreu e causou dano, então não é uma circunstância notificável, mas um evento adverso.
A banca troca evento adverso (com dano) por incidente sem dano (sem dano) e near miss (não atinge o paciente). A chave é identificar se houve dano real: se houve, é evento adverso; se não houve, é incidente sem dano; se nem chegou ao paciente, é near miss. Nesta questão, a reação transfusional grave é um dano claro, então a resposta é evento adverso.
Para resolver questões de classificação de eventos, pergunte-se: (1) o evento atingiu o paciente? Se não, é near miss. (2) Se atingiu, causou dano? Se sim, é evento adverso; se não, é incidente sem dano. (3) Se nem chegou a ocorrer, é circunstância notificável. Essa sequência lógica resolve a maioria das questões.
Gabarito: letra A
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