Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg727147
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neurocirurgião
- ACerebral média.
- BCerebral anterior.
- CBasilar.
- DPercheron.
- EVertebral.
GabaritoD — Percheron.
Gabarito: letra D. O infarto talâmico paramediano bilateral é causado pela oclusão da artéria de Percheron, uma variação anatômica em que um único vaso penetrante, originado da artéria basilar terminal, irriga as faces mediais de ambos os tálamos. Quando esse vaso único é ocluído, ocorre isquemia bilateral dos tálamos, manifestando-se com diminuição do nível de consciência e paralisia do olhar vertical, sem déficit motor significativo.
A artéria de Percheron é uma variação anatômica importante na circulação posterior. Normalmente, o tálamo é irrigado por ramos penetrantes que surgem das artérias comunicantes posteriores e das artérias cerebrais posteriores. Porém, em cerca de 4% a 12% das pessoas, um único tronco arterial — a artéria de Percheron — emerge da artéria basilar terminal (ou do segmento P1 de uma das artérias cerebrais posteriores) e se divide para irrigar os núcleos paramedianos de ambos os tálamos e, frequentemente, o mesencéfalo rostral. Essa anatomia singular faz com que a oclusão desse único vaso produza um infarto bilateral e simétrico, um padrão que não ocorre com a oclusão de outras artérias.
O quadro clínico clássico do infarto talâmico paramediano bilateral inclui:
Rebaixamento do nível de consciência (do sonolência ao coma), devido ao comprometimento da formação reticular ativadora ascendente, que passa pelo tálamo.
Paralisia do olhar vertical (especialmente a paralisia do olhar para cima), por envolvimento dos centros do olhar vertical no mesencéfalo rostral (núcleo intersticial de Cajal e núcleo intersticial rostral do fascículo longitudinal medial).
Déficit de memória (amné sia), pois os núcleos dorsomedial e anterior do tálamo participam dos circuitos de memória.
Ausência de déficit motor significativo, o que ajuda a diferenciar de outras síndromes vasculares.
A banca explora a confusão entre a artéria de Percheron e as artérias principais da circulação cerebral. A artéria cerebral média causa hemiparesia braquiofacial e afasia; a cerebral anterior causa déficit motor predominante na perna; a basilar causa disfunção maciça do tronco encefálico (possivelmente síndrome do encarceramento); e a vertebral causa síndrome bulbar lateral (Wallenberg). Nenhuma delas, isoladamente, produz infarto talâmico bilateral. A artéria de Percheron é a única que, por sua anatomia singular, irriga ambos os tálamos com um único vaso.
Guarde a associação: infarto talâmico bilateral + rebaixamento da consciência + paralisia do olhar vertical = artéria de Percheron. É exatamente esse trio que a questão cobra.
A artéria cerebral média (ACM) irriga a maior parte da superfície lateral dos hemisférios cerebrais. Sua oclusão causa hemiparesia e hemiparestesia de predomínio braquiofacial, afasia (no hemisfério dominante) ou negligência unilateral (no hemisfério não dominante). Não irriga o tálamo de forma relevante, portanto não causa infarto talâmico bilateral.
A artéria cerebral anterior (ACA) irriga a face medial dos hemisférios, incluindo a área motora e sensitiva da perna e da região proximal do braço contralateral. Sua oclusão causa déficit motor e sensitivo predominante no membro inferior contralateral, além de possíveis alterações de comportamento. Não está relacionada ao tálamo.
A artéria basilar irriga a ponte e o cerebelo, e sua oclusão causa disfunção maciça do tronco encefálico, podendo levar à síndrome do encarceramento (locked-in). Embora a artéria de Percheron se origine da basilar terminal, a oclusão da basilar em si não causa infarto talâmico paramediano bilateral isolado — o comprometimento é muito mais extenso e grave.
A artéria de Percheron é uma variação anatômica em que um único vaso penetrante da artéria basilar terminal irriga as faces mediais de ambos os tálamos. Sua oclusão causa infarto talâmico paramediano bilateral, com rebaixamento do nível de consciência, paralisia do olhar vertical e alterações de memória, sem déficit motor significativo. É a resposta correta.
A artéria vertebral irriga o bulbo e a parte inferior do cerebelo. Sua oclusão distal causa a síndrome bulbar lateral (Wallenberg), com vertigem, nistagmo, ataxia ipsilateral, síndrome de Horner e perda sensitiva alternada. Não irriga o tálamo e, portanto, não causa infarto talâmico bilateral.
A banca troca a artéria de Percheron pelas artérias principais da circulação cerebral. O candidato que decora apenas as síndromes clássicas (ACM, ACA, basilar, vertebral) pode marcar a basilar, por ser a origem da Percheron. Mas a chave é o padrão bilateral do infarto talâmico: só a Percheron, por ser um vaso único que irriga os dois tálamos, produz esse quadro. Lembre-se do trio: infarto talâmico bilateral + rebaixamento da consciência + paralisia do olhar vertical = Percheron.
Gabarito: letra D
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