Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg727152
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neurologia
- AFLAIR.
- BSWI.
- CT1.
- DFIESTA.
- ET2*.
GabaritoD — FIESTA.
Gabarito: letra D. A sequência FIESTA (Fast Imaging Employing Steady-state Acquisition) é a melhor para avaliar os trajetos cisternais dos nervos cranianos, pois é uma sequência de gradiente eco em estado de equilíbrio (steady-state) que fornece alto contraste entre o líquido cefalorraquidiano (LCR) e as estruturas neurais, permitindo uma delimitação precisa dos nervos em sua porção cisternal. As demais sequências (FLAIR, SWI, T1 e T2*) têm outras indicações principais, como avaliação de parênquima, hemorragia ou suscetibilidade magnética, e não são otimizadas para essa finalidade específica.
A ressonância magnética (RM) de crânio utiliza diferentes sequências de pulso, cada uma com uma sensibilidade particular para determinados tecidos e alterações patológicas. A escolha da sequência ideal depende diretamente da estrutura que se deseja avaliar e da informação clínica que se busca. Para a avaliação dos nervos cranianos, especialmente em seus trajetos cisternais (a porção que percorre as cisternas da base, banhada pelo LCR), é fundamental uma sequência que maximize o contraste entre o LCR e as estruturas neurais, permitindo a visualização detalhada de sua anatomia e de possíveis alterações, como compressões, neurinomas ou processos inflamatórios.
A sequência FIESTA (e suas variações, como CISS - Constructive Interference in Steady State, e bFFE - balanced Fast Field Echo) é uma sequência de gradiente eco balanceada em estado de equilíbrio. Ela se caracteriza por produzir imagens com alto sinal do LCR e alto contraste entre o LCR e as estruturas adjacentes, resultando em uma excelente resolução espacial e definição anatômica. Por isso, é a sequência de escolha para a avaliação dos nervos cranianos, dos pares de nervos em sua porção cisternal, do aqueduto cerebral e de outras estruturas que se beneficiam do alto contraste entre o LCR e os tecidos moles. Na prática, é amplamente utilizada para o estudo de patologias que acometem os nervos cranianos, como schwannomas vestibulares (neurinomas do acústico), compressões vasculares e malformações.
As demais sequências citadas nas alternativas têm outras aplicações principais. A sequência FLAIR (Fluid-Attenuated Inversion Recovery) é uma sequência de inversão-recuperação que suprime o sinal do LCR, sendo muito útil para a avaliação de lesões do parênquima cerebral, como placas de esclerose múltipla, lesões isquêmicas e processos expansivos, pois realça as lesões que ficariam obscurecidas pelo alto sinal do LCR. A sequência SWI (Susceptibility-Weighted Imaging) é uma sequência de gradiente eco que explora as diferenças de suscetibilidade magnética entre os tecidos, sendo extremamente sensível para a detecção de hemorragias, calcificações e depósitos de ferro, sendo útil na avaliação de micro-hemorragias, malformações vasculares e doenças neurodegenerativas. A sequência T1 é uma sequência de spin eco que fornece boa anatomia, mas com menor contraste entre o LCR e as estruturas neurais, sendo mais utilizada para avaliação de estruturas com gordura, realce pelo contraste e anatomia geral. A sequência T2* é uma sequência de gradiente eco que também é sensível a efeitos de suscetibilidade magnética, sendo útil para a detecção de hemorragias e calcificações, mas com menor resolução espacial que a SWI.
A pegadinha desta questão reside em associar a avaliação dos nervos cranianos a sequências que são comumente utilizadas para outras finalidades. O candidato pode ser tentado a escolher a sequência T1, por ser uma sequência anatômica básica, ou a sequência FLAIR, por ser amplamente utilizada. No entanto, a chave para a resposta correta é o termo "trajetos cisternais", que indica a necessidade de uma sequência com alto contraste entre o LCR e as estruturas neurais, característica da FIESTA. É importante lembrar que a FIESTA é uma sequência de gradiente eco em estado de equilíbrio, que produz imagens com alto sinal do LCR e excelente definição anatômica, sendo a escolha ideal para essa avaliação.
Guarde a distinção entre as sequências: FIESTA para o alto contraste LCR/estruturas neurais (nervos cranianos, aqueduto), FLAIR para supressão do LCR (lesões parenquimatosas), SWI e T2* para suscetibilidade magnética (hemorragia, calcificação) e T1 para anatomia geral e realce pelo contraste. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas desta questão.
Sequência | Indicação principal | Utilidade para trajetos cisternais dos nervos cranianos |
|---|---|---|
FIESTA | Alto contraste LCR/estruturas neurais | Melhor escolha — delimitação precisa dos nervos |
FLAIR | Supressão do LCR (lesões parenquimatosas) | Inadequada — suprime o LCR, prejudicando o contraste |
SWI | Suscetibilidade magnética (hemorragia, calcificação) | Inadequada — não otimizada para contraste LCR/neural |
T1 | Anatomia geral e realce pelo contraste | Limitada — menor contraste entre LCR e nervos |
T2* | Suscetibilidade magnética (hemorragia, calcificação) | Inadequada — menor resolução espacial e contraste |
A sequência FLAIR (Fluid-Attenuated Inversion Recovery) é uma sequência de inversão-recuperação que suprime o sinal do LCR, sendo excelente para a avaliação de lesões do parênquima cerebral, como placas de esclerose múltipla, lesões isquêmicas e processos expansivos. No entanto, por suprimir o sinal do LCR, ela não é a melhor escolha para a avaliação dos trajetos cisternais dos nervos cranianos, que se beneficiam justamente do alto contraste entre o LCR e as estruturas neurais. A FIESTA, ao contrário, maximiza esse contraste.
A sequência SWI (Susceptibility-Weighted Imaging) é uma sequência de gradiente eco que explora as diferenças de suscetibilidade magnética entre os tecidos, sendo extremamente sensível para a detecção de hemorragias, calcificações e depósitos de ferro. Ela é útil na avaliação de micro-hemorragias, malformações vasculares e doenças neurodegenerativas, mas não é otimizada para a avaliação dos trajetos cisternais dos nervos cranianos, pois não fornece o alto contraste entre o LCR e as estruturas neurais necessário para essa finalidade.
A sequência T1 é uma sequência de spin eco que fornece boa anatomia, mas com menor contraste entre o LCR e as estruturas neurais. Ela é mais utilizada para avaliação de estruturas com gordura, realce pelo contraste e anatomia geral. Embora possa mostrar os nervos cranianos, não é a sequência ideal para a avaliação de seus trajetos cisternais, pois a FIESTA oferece um contraste muito superior entre o LCR e as estruturas neurais, permitindo uma delimitação mais precisa.
A sequência FIESTA (Fast Imaging Employing Steady-state Acquisition) é uma sequência de gradiente eco em estado de equilíbrio (steady-state) que produz imagens com alto sinal do LCR e alto contraste entre o LCR e as estruturas adjacentes. Essa característica a torna a sequência de escolha para a avaliação dos trajetos cisternais dos nervos cranianos, pois permite uma visualização detalhada de sua anatomia e de possíveis alterações, como compressões, neurinomas ou processos inflamatórios. É amplamente utilizada para o estudo de patologias que acometem os nervos cranianos, como schwannomas vestibulares e compressões vasculares.
A sequência T2* é uma sequência de gradiente eco que também é sensível a efeitos de suscetibilidade magnética, sendo útil para a detecção de hemorragias e calcificações. No entanto, ela tem menor resolução espacial que a SWI e não fornece o alto contraste entre o LCR e as estruturas neurais necessário para a avaliação dos trajetos cisternais dos nervos cranianos. A FIESTA é a sequência ideal para essa finalidade.
Gabarito: letra D
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