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Questão de Medicina — Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaAspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica
Código
qg727165
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia
Paciente de 35 anos, sem comorbidades, capaz física e mentalmente, decide fazer greve de fome como forma de protesto contra acontecimentos ocorridos na sua cidade. Qual é a conduta médica adequada com base no código de ética médica?
  1. ADenunciar para as autoridades competentes.
  2. BAlimentação compulsória.
  3. CNão tratar mesmo se houver risco iminente de morte.
  4. DInternação compulsória.
  5. EExplicar os riscos do jejum prolongado e respeitar a vontade do paciente.
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GabaritoE — Explicar os riscos do jejum prolongado e respeitar a vontade do paciente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Greve de fome e autonomia do paciente: a conduta médica ética

Gabarito: letra E. Diante de um paciente capaz, lúcido e orientado que decide fazer greve de fome, o médico deve explicar os riscos do jejum prolongado e respeitar a vontade do paciente, pois o princípio da autonomia assegura ao paciente o direito de decidir sobre seu próprio corpo e tratamento, desde que esteja devidamente informado e apto (Código de Ética Médica, Resolução CFM nº 2.217/2018, Capítulo V, art. 31). A conduta correta não é impor tratamento, alimentação ou internação compulsória, nem abandonar o paciente — é informar, orientar e manter o vínculo terapêutico, respeitando a decisão livre e consciente.

A ética médica moderna é centrada no paciente, e não no médico. Isso significa que o paciente é o protagonista das decisões sobre sua própria saúde, desde que tenha capacidade de decidir e receba informações claras e completas. No caso da greve de fome, o paciente é um adulto capaz, sem comorbidades, que faz uma escolha consciente de protesto. O médico não pode simplesmente ignorar essa decisão, nem pode impor condutas que violem a autonomia do paciente. O que a ética exige é um equilíbrio: informar sobre os riscos, oferecer acompanhamento e, ao mesmo tempo, respeitar a vontade do paciente enquanto ele for capaz de decidir.

O princípio da autonomia é um dos quatro pilares da bioética (autonomia, beneficência, não maleficência e justiça). Ele garante ao paciente o direito de aceitar ou recusar tratamentos, mesmo que a recusa possa levar à morte. No entanto, a autonomia não é absoluta: ela pressupõe que o paciente esteja informado e capaz de tomar decisões consistentes. No caso da greve de fome, o paciente está capaz e, portanto, sua decisão deve ser respeitada. O médico, por sua vez, tem o dever de informar os riscos, mas não pode coagir o paciente a se alimentar.

Na prática, a conduta adequada envolve: (1) explicar ao paciente os riscos do jejum prolongado, como desnutrição, desidratação, alterações metabólicas e risco de morte; (2) garantir que o paciente compreendeu essas informações; (3) respeitar a decisão do paciente, mantendo o acompanhamento médico e oferecendo suporte; (4) reavaliar a capacidade de decisão do paciente ao longo do tempo, pois a desnutrição pode comprometer a lucidez. A alimentação compulsória ou a internação compulsória só seriam justificadas se o paciente perdesse a capacidade de decidir ou se houvesse risco iminente de morte e o paciente não tivesse manifestado previamente sua vontade de forma clara.

A banca explora aqui a tensão entre o princípio da beneficência (fazer o bem, preservar a vida) e o princípio da autonomia (respeitar a vontade do paciente). O candidato pode ser tentado a escolher a alimentação compulsória, pensando que o médico deve sempre preservar a vida. No entanto, o Código de Ética Médica é claro ao vedar o tratamento sem o consentimento do paciente capaz, salvo em risco iminente de morte e quando não for possível obter o consentimento. No caso da greve de fome, o paciente está consciente e capaz, e sua recusa é uma decisão autônoma que deve ser respeitada. A conduta correta é a letra E: explicar os riscos e respeitar a vontade do paciente.

1Deveres do médico
Explicar riscos do jejum
Garantir compreensão
Respeitar a vontade
Manter acompanhamento
2Limites da autonomia
Alimentação compulsória
Internação compulsória
Abandono do paciente
3Exceção (perda da capacidade)
Intervenção para preservar a vida
Greve de fome (paciente capaz)
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Greve de fome (paciente capaz): Deveres do médico (Explicar riscos do jejum, Garantir compreensão, Respeitar a vontade, Manter acompanhamento); Limites da autonomia (Alimentação compulsória, Internação compulsória, Abandono do paciente); Exceção (perda da capacidade) (Intervenção para preservar a vida)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Denunciar para as autoridades competentes não é a conduta adequada. A greve de fome é um ato de protesto legítimo, e o paciente não está cometendo crime. O médico não tem o dever de denunciar o paciente por exercer sua autonomia. A denúncia seria cabível apenas em situações de violência ou maus-tratos, o que não é o caso. A alternativa confunde o dever de denunciar atos lesivos (previsto no art. 28 do CEM) com a situação de um paciente que decide fazer greve de fome.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alimentação compulsória viola a autonomia do paciente capaz. O Código de Ética Médica veda ao médico realizar qualquer procedimento sem o consentimento do paciente capaz, salvo em risco iminente de morte e quando não for possível obter o consentimento. No caso, o paciente está consciente e capaz, e sua recusa é uma decisão autônoma. A alimentação compulsória só seria justificada se o paciente perdesse a capacidade de decidir ou se houvesse risco iminente de morte e o paciente não tivesse manifestado previamente sua vontade. A alternativa confunde o princípio da beneficência com o paternalismo médico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Não tratar mesmo se houver risco iminente de morte é uma conduta inadequada. Embora o médico deva respeitar a autonomia do paciente, ele não pode abandonar o paciente. O médico deve continuar acompanhando o paciente, oferecendo suporte e, se houver risco iminente de morte, pode ser necessário intervir para preservar a vida, mesmo contra a vontade do paciente, desde que isso seja eticamente justificável. A alternativa confunde o respeito à autonomia com a omissão de socorro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A internação compulsória não é a conduta adequada. A internação compulsória é uma medida extrema, prevista em lei para casos de transtorno mental grave ou risco à própria vida ou a terceiros. No caso, o paciente é capaz e não apresenta transtorno mental. A internação compulsória violaria a liberdade do paciente sem justificativa legal. A alternativa confunde a situação de um paciente com transtorno mental com a de um paciente capaz que faz uma escolha consciente.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Explicar os riscos do jejum prolongado e respeitar a vontade do paciente é a conduta ética correta. O médico deve informar o paciente sobre os riscos, garantir que ele compreendeu e, em seguida, respeitar sua decisão autônoma. Essa conduta está alinhada com o princípio da autonomia e com o Código de Ética Médica, que veda ao médico desrespeitar a vontade do paciente capaz. A alternativa está correta porque equilibra o dever de informar com o respeito à autonomia.

Gabarito: letra E

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