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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg727168
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia
Em relação à timectomia em pacientes com miastenia gravis, assinale a alternativa correta.
  1. AEstá indicada apenas em casos de timoma.
  2. BO maior benefício foi demonstrado em pacientes com mais de 65 anos.
  3. CA principal indicação é para a forma ocular da doença.
  4. DNão deve ser indicada em pacientes com anti-MUSK reagente.
  5. EUm exame de imagem sem hiperplasia tímica é contraindicação para o procedimento.
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GabaritoD — Não deve ser indicada em pacientes com anti-MUSK reagente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Timectomia na miastenia gravis: indicações e contraindicações

Gabarito: letra D. A timectomia não deve ser indicada como tratamento de rotina em pacientes com miastenia gravis (MG) e anticorpos anti-MuSK reagentes, pois esses pacientes apresentam resposta variável e, em geral, não se beneficiam do procedimento — diferentemente dos pacientes com anticorpos anti-AChR, nos quais a timectomia está associada a maior chance de remissão. Essa distinção é o núcleo da questão e está alinhada com a literatura e com os fluxogramas de tratamento da doença.

A miastenia gravis é uma doença autoimune da junção neuromuscular, caracterizada por fraqueza muscular flutuante. A timectomia — remoção cirúrgica do timo — é uma das ferramentas terapêuticas, mas sua indicação não é uniforme para todos os pacientes. O racional por trás do procedimento é que o timo, em muitos pacientes com MG, abriga centros germinativos e células que perpetuam a produção de autoanticorpos contra o receptor de acetilcolina (anti-AChR). Ao remover essa fonte de autoimunidade, a timectomia pode reduzir a atividade da doença e aumentar a chance de remissão ou melhora clínica.

A indicação clássica e mais forte é a presença de timoma — tumor do timo —, caso em que a ressecção é recomendada para todos os pacientes, tanto pelo controle da doença autoimune quanto pela necessidade oncológica. Para pacientes sem timoma, a timectomia é recomendada em casos selecionados de MG generalizada, especialmente naqueles com anticorpos anti-AChR positivos e idade entre a puberdade e os 60 anos. O estudo MGTX (Wolfe et al., 2016) demonstrou que a timectomia associada à prednisona, em pacientes sem timoma, proporciona melhor desfecho clínico e menor necessidade de imunossupressão em comparação com o tratamento apenas medicamentoso, com seguimento de 5 anos.

Por outro lado, a timectomia não é recomendada de rotina em pacientes com anticorpos anti-MuSK. Esses pacientes têm uma fisiopatologia distinta — os anticorpos anti-MuSK atacam uma proteína da membrana pós-sináptica, e o timo geralmente não apresenta as mesmas alterações encontradas nos pacientes anti-AChR positivos. Estudos observacionais e revisões sistemáticas sugerem que a timectomia não está associada a melhora clínica significativa nesse subgrupo, e a resposta ao tratamento com anticolinesterásicos também é diferente, com pouca melhora e efeitos adversos frequentes. Por isso, a conduta em pacientes anti-MuSK é predominantemente clínica, com imunossupressão e, em casos refratários, terapias como imunoglobulina ou plasmaférese.

A idade também é um fator importante: a timectomia geralmente não é recomendada para pacientes com mais de 60 anos, pois o benefício potencial é menor e o risco cirúrgico é maior. Já a forma ocular pura da doença (Classe I da classificação de Myasthenia Gravis Foundation of America) não é, por si só, indicação de timectomia — o tratamento inicial é com piridostigmina e, se necessário, corticosteroides. A imagem do tórax, por sua vez, é fundamental para rastrear timoma, mas a ausência de hiperplasia tímica na tomografia não contraindica o procedimento, pois a decisão se baseia em critérios clínicos e sorológicos, não apenas no achado de imagem.

A pegadinha desta questão está em inverter o perfil de paciente que se beneficia da timectomia: a banca troca o grupo com anticorpos anti-AChR (que se beneficia) pelo grupo com anti-MuSK (que não se beneficia), e também explora a confusão entre indicação por timoma e indicação por forma ocular. Guarde a fronteira: timectomia é indicada para timoma e para MG generalizada anti-AChR positiva em pacientes jovens; não é indicada de rotina para anti-MuSK, para maiores de 60 anos ou para forma ocular pura — é exatamente nesses critérios que as alternativas se dividem.

Critério

Indicação de Timectomia

Não Indicação de Rotina

Perfil sorológico

Anti-AChR positivo

Anti-MuSK reagente

Forma clínica

Generalizada (Classe II–V)

Ocular pura (Classe I)

Idade

Entre puberdade e 60 anos

Acima de 60 anos

Achado de imagem

Timoma (indicação absoluta)

Ausência de hiperplasia não contraindica

Timectomia na miastenia gravis
  • 1Indicações
    • Timoma
    • MG generalizada anti-AChR+
    • Idade entre puberdade e 60 anos
  • 2Não indicações
    • Anti-MuSK reagente
    • Forma ocular pura
    • Maiores de 60 anos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a timectomia está indicada apenas em casos de timoma. Isso é falso: além do timoma, a timectomia é recomendada em pacientes com MG autoimune não timomatosa, especialmente aqueles com anticorpos anti-AChR positivos, para aumentar a probabilidade de remissão ou melhora. O termo "apenas" torna a alternativa incorreta, pois exclui uma indicação legítima e bem estabelecida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o maior benefício foi demonstrado em pacientes com mais de 65 anos. Na verdade, a timectomia geralmente não é recomendada para pacientes com mais de 60 anos, pois o benefício potencial é menor e o risco cirúrgico é maior. O maior benefício foi demonstrado em pacientes mais jovens, com MG generalizada e anti-AChR positivos, como no estudo MGTX, que incluiu pacientes entre 18 e 65 anos, com maior ganho nos mais jovens.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a principal indicação é para a forma ocular da doença. Isso está errado: a forma ocular pura (Classe I) não é, por si só, indicação de timectomia. O tratamento inicial da forma ocular é clínico, com piridostigmina e, se necessário, corticosteroides. A timectomia é indicada principalmente para MG generalizada (Classes II a V) com anti-AChR positivos, e para timoma.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a timectomia não deve ser indicada em pacientes com anti-MuSK reagente. Isso está correto: pacientes com MG e anticorpos anti-MuSK têm uma fisiopatologia distinta, com resposta variável ao tratamento e, em geral, não se beneficiam da timectomia. Estudos mostram que a timectomia pode não estar associada a melhora clínica nesse subgrupo, e a conduta é predominantemente clínica, com imunossupressão e terapias de resgate. A alternativa espelha exatamente a recomendação de não indicar o procedimento de rotina nesses pacientes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que um exame de imagem sem hiperplasia tímica é contraindicação para o procedimento. Isso é falso: a ausência de hiperplasia tímica na tomografia não contraindica a timectomia. A decisão de indicar o procedimento se baseia em critérios clínicos (forma generalizada, idade, presença de anticorpos anti-AChR) e na presença de timoma, não apenas no achado de imagem. A imagem é usada para rastrear timoma, mas sua ausência não exclui o benefício potencial da timectomia em pacientes selecionados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão do perfil de paciente que se beneficia da timectomia. O candidato pode confundir e achar que a indicação é para anti-MuSK (quando é para anti-AChR) ou que a forma ocular é a principal indicação (quando é a forma generalizada). Lembre-se: timectomia é para timoma e para MG generalizada anti-AChR positiva em pacientes jovens; anti-MuSK, maiores de 60 anos e forma ocular pura não são indicações de rotina. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.

Gabarito: letra D — a única alternativa correta, pois a timectomia não deve ser indicada de rotina em pacientes com anticorpos anti-MuSK reagentes.

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