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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg727171
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia
A.P.T., 70 anos, sexo feminino, sem comorbidades, vem apresentando quadro de declínio cognitivo progressivo nos últimos 3 anos. Traz consigo uma ressonância de crânio mostrando escala de atrofia mesial temporal (MTA) de Scheltens igual a 3. Sobre esse caso, é correto afirmar que
  1. Aa ressonância é sugestiva de demência frontotemporal.
  2. Bo valor da escala para esse paciente está anormal.
  3. Ca escala de atrofia mesial temporal (MTA) de Scheltens não deve ser usada antes dos 75 anos.
  4. Do exame de imagem mostra uma alteração justificada pela idade do paciente.
  5. Equanto maior o valor presente na escala, menor será o número de alterações na ressonância.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — o valor da escala para esse paciente está anormal.

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Escala de atrofia mesial temporal (MTA) de Scheltens na avaliação de demência

Gabarito: letra B. A escala MTA de Scheltens é um método de avaliação visual da atrofia do hipocampo e do córtex entorrinal em exames de ressonância magnética, graduada de 0 a 4. Um escore de 3 é considerado anormal e sugere fortemente doença de Alzheimer, especialmente em um paciente com declínio cognitivo progressivo — o que torna a alternativa B correta.

A escala de atrofia mesial temporal (MTA) de Scheltens é uma ferramenta semiquantitativa amplamente utilizada na prática clínica e em pesquisa para avaliar a atrofia das estruturas mesiais temporais, particularmente o hipocampo e o córtex entorrinal, que são as primeiras regiões afetadas na doença de Alzheimer. A escala varia de 0 a 4, onde 0 indica ausência de atrofia e 4 indica atrofia grave. A pontuação é baseada na avaliação visual da largura do corno temporal do ventrículo lateral, da altura do hipocampo e da largura do giro parahipocampal em cortes coronais ponderados em T1.

Os pontos de corte para considerar a atrofia como anormal variam com a idade. Em pacientes com menos de 65 anos, um escore ≥ 1 já é considerado anormal; entre 65 e 74 anos, o ponto de corte é ≥ 2; e em pacientes com 75 anos ou mais, o ponto de corte é ≥ 3. Isso reflete o fato de que alguma atrofia mesial temporal é esperada como parte do envelhecimento normal, mas a magnitude da atrofia em um paciente com declínio cognitivo é um marcador importante de neurodegeneração.

No caso apresentado, a paciente tem 70 anos e apresenta um escore MTA de 3. Para a faixa etária de 65 a 74 anos, o ponto de corte para anormalidade é ≥ 2. Portanto, um escore de 3 está acima do limiar e é considerado anormal, reforçando a suspeita de doença de Alzheimer como causa do declínio cognitivo progressivo. A atrofia mesial temporal é um dos biomarcadores estruturais mais robustos para a doença de Alzheimer, e sua presença em um paciente com quadro clínico compatível aumenta significativamente a probabilidade diagnóstica.

É importante distinguir a atrofia mesial temporal, característica da doença de Alzheimer, da atrofia frontotemporal, que é o padrão observado na demência frontotemporal (DFT). Na DFT, a atrofia predomina nos lobos frontal e temporal anterior, poupando relativamente as regiões mesiais temporais, especialmente em fases iniciais. Portanto, um escore MTA elevado não é sugestivo de DFT, mas sim de doença de Alzheimer. Essa distinção é crucial para o diagnóstico diferencial das demências.

A banca explora a confusão entre a atrofia mesial temporal (típica da DA) e a atrofia frontotemporal (típica da DFT), além de testar o conhecimento dos pontos de corte da escala MTA por faixa etária. O candidato deve lembrar que a escala MTA é específica para avaliar a atrofia do hipocampo e estruturas adjacentes, e que valores elevados são um forte indicativo de doença de Alzheimer, não de outras demências.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ressonância com atrofia mesial temporal (escore MTA 3) é sugestiva de doença de Alzheimer, não de demência frontotemporal. Na DFT, a atrofia predominante é nos lobos frontal e temporal anterior, com relativa preservação das estruturas mesiais temporais, especialmente no início. A escala MTA avalia especificamente a atrofia do hipocampo e do córtex entorrinal, que são os alvos precoces da DA. Portanto, a alternativa erra ao associar o achado à DFT.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Para uma paciente de 70 anos, o ponto de corte da escala MTA para considerar atrofia anormal é ≥ 2. O escore de 3 está acima desse limiar, sendo, portanto, anormal. Esse achado, em um contexto de declínio cognitivo progressivo, é um forte indicador de doença de Alzheimer. A alternativa está correta ao afirmar que o valor da escala para essa paciente está anormal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A escala MTA de Scheltens pode e deve ser usada em pacientes com menos de 75 anos. Ela é aplicável em qualquer idade, com pontos de corte ajustados por faixa etária. A afirmação de que a escala não deve ser usada antes dos 75 anos é falsa. Na verdade, a escala é particularmente útil em pacientes mais jovens, onde a atrofia é mais específica para neurodegeneração, já que o envelhecimento normal causa menos atrofia nessa faixa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Embora alguma atrofia mesial temporal seja esperada com o envelhecimento, um escore MTA de 3 em uma paciente de 70 anos não é justificado apenas pela idade. O ponto de corte para essa faixa etária é ≥ 2, e um escore de 3 está acima do esperado para o envelhecimento normal. Em um paciente com declínio cognitivo, esse achado é um marcador de neurodegeneração, não uma simples consequência da idade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A relação entre o valor da escala MTA e o número de alterações na ressonância é inversa: quanto maior o escore, maior a atrofia e, portanto, maior o número de alterações. A alternativa afirma o contrário, que quanto maior o valor, menor o número de alterações, o que é logicamente incorreto. Um escore alto indica atrofia significativa, que é uma alteração importante no exame de imagem.

Gabarito: letra B

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