Escala de atrofia mesial temporal (MTA) de Scheltens na avaliação de demência
Gabarito: letra B. A escala MTA de Scheltens é um método de avaliação visual da atrofia do hipocampo e do córtex entorrinal em exames de ressonância magnética, graduada de 0 a 4. Um escore de 3 é considerado anormal e sugere fortemente doença de Alzheimer, especialmente em um paciente com declínio cognitivo progressivo — o que torna a alternativa B correta.
A escala de atrofia mesial temporal (MTA) de Scheltens é uma ferramenta semiquantitativa amplamente utilizada na prática clínica e em pesquisa para avaliar a atrofia das estruturas mesiais temporais, particularmente o hipocampo e o córtex entorrinal, que são as primeiras regiões afetadas na doença de Alzheimer. A escala varia de 0 a 4, onde 0 indica ausência de atrofia e 4 indica atrofia grave. A pontuação é baseada na avaliação visual da largura do corno temporal do ventrículo lateral, da altura do hipocampo e da largura do giro parahipocampal em cortes coronais ponderados em T1.
Os pontos de corte para considerar a atrofia como anormal variam com a idade. Em pacientes com menos de 65 anos, um escore ≥ 1 já é considerado anormal; entre 65 e 74 anos, o ponto de corte é ≥ 2; e em pacientes com 75 anos ou mais, o ponto de corte é ≥ 3. Isso reflete o fato de que alguma atrofia mesial temporal é esperada como parte do envelhecimento normal, mas a magnitude da atrofia em um paciente com declínio cognitivo é um marcador importante de neurodegeneração.
No caso apresentado, a paciente tem 70 anos e apresenta um escore MTA de 3. Para a faixa etária de 65 a 74 anos, o ponto de corte para anormalidade é ≥ 2. Portanto, um escore de 3 está acima do limiar e é considerado anormal, reforçando a suspeita de doença de Alzheimer como causa do declínio cognitivo progressivo. A atrofia mesial temporal é um dos biomarcadores estruturais mais robustos para a doença de Alzheimer, e sua presença em um paciente com quadro clínico compatível aumenta significativamente a probabilidade diagnóstica.
É importante distinguir a atrofia mesial temporal, característica da doença de Alzheimer, da atrofia frontotemporal, que é o padrão observado na demência frontotemporal (DFT). Na DFT, a atrofia predomina nos lobos frontal e temporal anterior, poupando relativamente as regiões mesiais temporais, especialmente em fases iniciais. Portanto, um escore MTA elevado não é sugestivo de DFT, mas sim de doença de Alzheimer. Essa distinção é crucial para o diagnóstico diferencial das demências.
A banca explora a confusão entre a atrofia mesial temporal (típica da DA) e a atrofia frontotemporal (típica da DFT), além de testar o conhecimento dos pontos de corte da escala MTA por faixa etária. O candidato deve lembrar que a escala MTA é específica para avaliar a atrofia do hipocampo e estruturas adjacentes, e que valores elevados são um forte indicativo de doença de Alzheimer, não de outras demências.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A ressonância com atrofia mesial temporal (escore MTA 3) é sugestiva de doença de Alzheimer, não de demência frontotemporal. Na DFT, a atrofia predominante é nos lobos frontal e temporal anterior, com relativa preservação das estruturas mesiais temporais, especialmente no início. A escala MTA avalia especificamente a atrofia do hipocampo e do córtex entorrinal, que são os alvos precoces da DA. Portanto, a alternativa erra ao associar o achado à DFT.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Para uma paciente de 70 anos, o ponto de corte da escala MTA para considerar atrofia anormal é ≥ 2. O escore de 3 está acima desse limiar, sendo, portanto, anormal. Esse achado, em um contexto de declínio cognitivo progressivo, é um forte indicador de doença de Alzheimer. A alternativa está correta ao afirmar que o valor da escala para essa paciente está anormal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A escala MTA de Scheltens pode e deve ser usada em pacientes com menos de 75 anos. Ela é aplicável em qualquer idade, com pontos de corte ajustados por faixa etária. A afirmação de que a escala não deve ser usada antes dos 75 anos é falsa. Na verdade, a escala é particularmente útil em pacientes mais jovens, onde a atrofia é mais específica para neurodegeneração, já que o envelhecimento normal causa menos atrofia nessa faixa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Embora alguma atrofia mesial temporal seja esperada com o envelhecimento, um escore MTA de 3 em uma paciente de 70 anos não é justificado apenas pela idade. O ponto de corte para essa faixa etária é ≥ 2, e um escore de 3 está acima do esperado para o envelhecimento normal. Em um paciente com declínio cognitivo, esse achado é um marcador de neurodegeneração, não uma simples consequência da idade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A relação entre o valor da escala MTA e o número de alterações na ressonância é inversa: quanto maior o escore, maior a atrofia e, portanto, maior o número de alterações. A alternativa afirma o contrário, que quanto maior o valor, menor o número de alterações, o que é logicamente incorreto. Um escore alto indica atrofia significativa, que é uma alteração importante no exame de imagem.
Gabarito: letra B