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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg727173
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia
T.C.P., sexo masculino, 45 anos, com diagnóstico recente de esclerose múltipla após dois surtos, ainda sem tratamento modificador da doença, apresenta ressonância de neuroeixo recente mostrando mais de 20 lesões no T2, black holes e atrofia de medula espinhal. Apresenta também exame com a presença de vírus JC, solicitado pelo neurologista que estava acompanhando o caso anteriormente. Qual seria o melhor medicamento modificador da doença para esse paciente?
  1. ANatalizumabe.
  2. BCladribina.
  3. CAcetato de glatirâmer.
  4. DTeriflunomida.
  5. EBetainterferona.
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GabaritoB — Cladribina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Esclerose múltipla: escolha do modificador do curso da doença em paciente com alta atividade e JCV positivo

Gabarito: letra B (Cladribina). O paciente tem esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR) de alta atividade (dois surtos, >20 lesões T2, black holes e atrofia medular) e é soropositivo para o vírus JC, o que contraindica o natalizumabe (risco de LEMP). A cladribina é um imunossupressor oral de alta eficácia, indicado para formas ativas, sem associação com LEMP — sendo a melhor opção entre as listadas. A escolha se baseia no perfil de risco-benefício dos modificadores do curso da doença (MMCD), conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da esclerose múltipla.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória desmielinizante crônica do sistema nervoso central, cujo tratamento modificador do curso da doença visa reduzir a frequência de surtos e retardar a progressão da incapacidade. A seleção do MMCD é individualizada, baseada no curso e na gravidade da doença, nas comorbidades e nas preferências do paciente — não há biomarcador que direcione a escolha. Os medicamentos dividem-se em terapias de primeira linha (menos eficazes, porém mais seguras) e de alta eficácia (reservadas para formas agressivas ou após falha terapêutica).

O caso em tela apresenta dois elementos decisivos: alta atividade da doença e soropositividade para JCV. A alta atividade é definida, para virgens de tratamento, como dois ou mais surtos incapacitantes com resolução incompleta e evidência de pelo menos uma nova lesão captante no gadolínio ou aumento significativo da carga da lesão em T2 no ano anterior. O paciente preenche esse critério com folga: dois surtos, mais de 20 lesões em T2, black holes e atrofia medular. A soropositividade para JCV, por sua vez, é um fator de risco para LEMP, complicação grave associada principalmente ao natalizumabe e ao fingolimode.

A cladribina é um análogo de nucleosídeo que causa depleção linfocitária, com eficácia comparável às terapias de alta eficácia, mas sem o risco de LEMP associado ao natalizumabe. É administrada por via oral em ciclos anuais, o que favorece a adesão. As alternativas de primeira linha (acetato de glatirâmer, teriflunomida, betainterferona) são menos eficazes e não seriam a melhor escolha para um paciente com alta atividade. O natalizumabe, embora eficaz, é contraindicado pela soropositividade para JCV.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre eficácia e segurança. O candidato pode ser tentado a escolher o natalizumabe (letra A) por ser um dos mais eficazes, mas esquece que a soropositividade para JCV aumenta o risco de LEMP, tornando-o contraindicado. A cladribina (letra B) oferece eficácia comparável sem esse risco, sendo a escolha correta.

Escolha do MMCD na EM
  • 1Alta atividade da doença
    • 2+ surtos incapacitantes
    • Novas lesões T2/gadolínio
    • Black holes e atrofia
  • 2JCV positivo
    • Natalizumabe (risco de LEMP)
    • Fingolimode (risco de LEMP)
  • 3Opções
    • 1ª linha (eficácia moderada)
      • Acetato de glatirâmer
      • Teriflunomida
      • Betainterferona
    • Alta eficácia
      • Cladribina (sem risco de LEMP)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O natalizumabe é um anticorpo monoclonal de alta eficácia, mas seu uso em pacientes soropositivos para JCV aumenta significativamente o risco de LEMP. O contexto do enunciado destaca a presença do vírus JC, o que contraindica essa opção. A banca testa se o candidato reconhece essa contraindicação e não se deixa levar pela eficácia do medicamento.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A cladribina é um imunossupressor oral de alta eficácia, indicado para formas ativas de EM, sem associação com LEMP. É a melhor opção entre as listadas para um paciente com alta atividade e JCV positivo, pois oferece controle robusto da doença sem o risco de LEMP do natalizumabe.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O acetato de glatirâmer é uma terapia de primeira linha, com eficácia moderada (redução de cerca de 30% na taxa de recidiva). Para um paciente com alta atividade, essa opção é insuficiente, pois não oferece o controle necessário para evitar a progressão da incapacidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A teriflunomida é uma terapia de primeira linha, com eficácia moderada. Embora seja uma opção válida para formas leves, não é a melhor escolha para um paciente com alta atividade, que necessita de um tratamento mais potente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

As betainterferonas são terapias de primeira linha, com eficácia moderada. Para um paciente com alta atividade, essa opção é insuficiente, pois não oferece o controle necessário para evitar a progressão da incapacidade.

Gabarito: letra B

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