Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Neurologia
Código
qg727176
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia
T.S.W., 35 anos, sexo masculino, iniciou com quadro de dor intensa em ombro direito que, após poucas semanas, acabou evoluindo com fraqueza. Ao exame, foi notada a presença de escápula alada, atrofia em região escapular com fraqueza para rotação externa e abdução de braço direito. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é
Asíndrome de Parsonage-Turner.
Bsíndrome de Guillain-Barré.
Cneuropatia compressiva.
Dsíndrome do desfiladeiro torácico.
Eradiculopatia C8-T1.
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GabaritoA — síndrome de Parsonage-Turner.
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Síndrome de Parsonage-Turner (neurite braquial aguda)
Gabarito: letra A. O quadro descrito — dor intensa em ombro seguida de fraqueza, com escápula alada, atrofia escapular e déficit de rotação externa e abdução — é a apresentação clássica da síndrome de Parsonage-Turner, também chamada de neurite braquial aguda ou amiotrofia nevrálgica. Trata-se de uma plexopatia braquial inflamatória idiopática, que cursa com dor aguda intensa e, dias a semanas depois, instalação de fraqueza e atrofia muscular no território do plexo braquial, com predileção pelo nervo supraescapular (fraqueza de supraespinal e infraespinal) e pelo nervo torácico longo (escápula alada).
A síndrome de Parsonage-Turner é uma plexopatia braquial aguda, geralmente idiopática, mas que pode ser precedida por infecção viral, vacinação, cirurgia ou exercício físico intenso. O quadro típico começa com dor intensa e abrupta na região do ombro ou braço, que dura de dias a poucas semanas, e é seguida por fraqueza muscular que surge quando a dor começa a ceder. A fraqueza é assimétrica e acomete preferencialmente os nervos do plexo braquial superior (tronco superior), como o nervo supraescapular (inerva supraespinal e infraespinal — responsáveis pela abdução inicial e rotação externa do ombro) e o nervo torácico longo (inerva o serrátil anterior — cuja paralisia causa a escápula alada). A atrofia muscular é evidente e pode ser profunda, e a recuperação costuma ser lenta, ao longo de meses a anos, com boa parte dos pacientes recuperando função de forma satisfatória.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história típica de dor intensa seguida de fraqueza e nos achados de exame físico. A eletroneuromiografia (ENMG) pode confirmar o envolvimento neurogênico e ajudar a excluir outras causas, e a ressonância magnética pode mostrar edema ou atrofia dos músculos denervados. O tratamento é conservador, com analgesia, fisioterapia e, em alguns casos, corticosteroides na fase aguda, embora a evidência seja limitada.
A escápula alada é um sinal importante e ocorre por paralisia do músculo serrátil anterior, inervado pelo nervo torácico longo. Quando a escápula alada aparece junto com fraqueza de rotação externa e abdução do ombro, o diagnóstico de neurite braquial é muito provável, pois esses três achados apontam para o envolvimento de nervos que se originam do plexo braquial superior. A combinação de dor intensa inicial + fraqueza + atrofia + escápula alada é praticamente patognomônica de Parsonage-Turner.
A banca explora a confusão com outras causas de dor e fraqueza no ombro. A síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculoneuropatia aguda, geralmente simétrica, ascendente, com arreflexia e frequentemente precedida por infecção — não cursa com dor localizada em um ombro seguida de atrofia e escápula alada. A neuropatia compressiva (como a síndrome do túnel do carpo ou a neuropatia ulnar) tem mecanismo de compressão crônica, sem o padrão de dor aguda intensa seguida de fraqueza. A síndrome do desfiladeiro torácico envolve compressão do plexo braquial ou vasos subclávios, causando sintomas vasculares e neurológicos no membro superior, mas não cursa com escápula alada e atrofia seletiva dos músculos supraespinal/infraespinal. A radiculopatia C8-T1 causaria déficit na distribuição das raízes C8-T1, com fraqueza dos músculos intrínsecos da mão e alteração sensitiva no território ulnar, não no ombro.
Guarde a tríade que decide a questão: dor intensa aguda → fraqueza e atrofia → escápula alada + déficit de rotação externa/abdução. É exatamente essa sequência e essa distribuição que separam a Parsonage-Turner das demais alternativas.
Síndrome de Parsonage-Turner
1Plexopatia braquial aguda
Dor intensa e abrupta no ombro
Fraqueza e atrofia após dias/semanas
Assimétrica
2Nervos acometidos
Supraescapular
Fraqueza de abdução
Fraqueza de rotação externa
Torácico longo
Escápula alada
3Diagnóstico
Clínico
ENMG confirma
4Tratamento
Analgesia
Fisioterapia
Corticosteroides (fase aguda)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A síndrome de Parsonage-Turner (neurite braquial aguda) é a causa mais provável. O quadro clássico é de dor intensa e aguda no ombro, seguida, após dias a semanas, de fraqueza e atrofia muscular no território do plexo braquial. O envolvimento do nervo supraescapular causa fraqueza de abdução (supraespinal) e rotação externa (infraespinal), e o envolvimento do nervo torácico longo causa paralisia do serrátil anterior, resultando em escápula alada. A assimetria e a ausência de causa compressiva ou traumática reforçam o diagnóstico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculoneuropatia aguda, simétrica e ascendente, com fraqueza que começa nos membros inferiores, arreflexia e frequentemente precedida por infecção. Não cursa com dor localizada em um único ombro seguida de atrofia seletiva e escápula alada. O padrão assimétrico e a distribuição restrita ao plexo braquial superior são incompatíveis com a SGB.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A neuropatia compressiva (como a síndrome do túnel do carpo, neuropatia ulnar ou radial) tem mecanismo de compressão crônica de um nervo específico, geralmente em locais anatômicos de estreitamento. Não se apresenta com dor aguda intensa seguida de fraqueza e atrofia no ombro, nem com escápula alada. A Parsonage-Turner é uma inflamação, não uma compressão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A síndrome do desfiladeiro torácico é causada por compressão do plexo braquial ou dos vasos subclávios ao passar entre a clavícula e a primeira costela. Os sintomas incluem dor, parestesia e fraqueza no membro superior, frequentemente com sintomas vasculares (palidez, cianose, edema). Não causa escápula alada nem atrofia seletiva dos músculos supraespinal/infraespinal, e a dor não tem o padrão agudo e intenso seguido de fraqueza típico da neurite braquial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A radiculopatia C8-T1 acometeria as raízes que formam o plexo braquial inferior, causando déficit nos músculos intrínsecos da mão, fraqueza de flexão dos dedos e alteração sensitiva no território do nervo ulnar (4º e 5º quirodáctilos). Não causaria fraqueza de abdução e rotação externa do ombro nem escápula alada, que são territórios do plexo superior (C5-C6).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a Parsonage-Turner e outras causas de dor no ombro. O candidato pode ser tentado a escolher "neuropatia compressiva" ou "síndrome do desfiladeiro torácico" por serem causas comuns de dor no ombro, mas o padrão de dor aguda intensa seguida de fraqueza e atrofia com escápula alada é a chave para o diagnóstico de neurite braquial. Lembre-se: a escápula alada aponta para o nervo torácico longo, e a fraqueza de rotação externa/abdução aponta para o nervo supraescapular — ambos do plexo braquial superior, o território clássico da Parsonage-Turner.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar na prova, monte um quadro mental: Parsonage-Turner = dor aguda + fraqueza/atrofia assimétrica + escápula alada; Guillain-Barré = fraqueza simétrica ascendente + arreflexia + pródromo infeccioso; neuropatia compressiva = déficit crônico em território de um nervo específico; desfiladeiro torácico = sintomas vasculares + neurológicos no membro superior; radiculopatia C8-T1 = déficit na mão e território ulnar. A distribuição do déficit é o que mais ajuda a diferenciar.