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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg727180
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia
Qual dos seguintes medicamentos produz a maior melhora dos sintomas da síndrome miastênica congênita que cursa com a abertura prolongada e espontânea dos receptores de acetilcolina (síndrome do canal lento)?
  1. AFluoxetina.
  2. BPiridostigmina.
  3. CSalbutamol.
  4. D3,4- Diaminopiridina.
  5. EEfedrina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Fluoxetina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome miastênica congênita do canal lento: tratamento

Gabarito: letra A. Na síndrome do canal lento, o defeito é uma abertura prolongada e espontânea dos receptores de acetilcolina, que gera influxo excessivo de cálcio e lesão da placa motora; o tratamento de escolha é a fluoxetina, que atua como bloqueadora do canal aberto, reduzindo o tempo de abertura e a excitotoxicidade. As demais opções (piridostigmina, salbutamol, 3,4-diaminopiridina e efedrina) são usadas em outras formas de síndromes miastênicas congênitas, mas são ineficazes ou até prejudiciais no canal lento.

A síndrome miastênica congênita (SMC) é um grupo heterogêneo de doenças genéticas da junção neuromuscular, que se manifesta desde o nascimento ou na infância com fraqueza muscular, ptose, oftalmoparesia e fadiga. Diferentemente da miastenia gravis autoimune, não há anticorpos contra os componentes da junção — o defeito é estrutural ou funcional, herdado. A classificação divide as SMCs conforme o local da alteração: pré-sináptica, sináptica e pós-sináptica. A síndrome do canal lento (slow-channel syndrome) é a forma pós-sináptica mais comum e tem mecanismo peculiar: mutações nas subunidades do receptor de acetilcolina (AChR) fazem com que o canal iônico permaneça aberto por tempo excessivo após a ligação da acetilcolina. Isso prolonga o potencial de placa terminal, aumenta o influxo de cálcio e sódio na célula muscular e, com o tempo, causa degeneração da placa motora e miopatia.

O tratamento da SMC do canal lento é um desafio porque os fármacos que aumentam a disponibilidade de acetilcolina na fenda — como os inibidores da acetilcolinesterase — pioram o quadro, já que prolongam ainda mais a ação do neurotransmissor sobre um receptor que já fica aberto demais. A estratégia correta é o oposto: usar um fármaco que bloqueie o receptor e reduza o tempo de abertura. A fluoxetina, um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS), tem esse efeito adicional: em concentrações terapêuticas, bloqueia o canal aberto do AChR, encurtando o tempo de abertura e protegendo a placa motora. É considerada o tratamento de primeira linha para a síndrome do canal lento, com melhora clínica documentada em estudos de caso e séries.

As outras alternativas representam tratamentos de outras formas de SMC ou da miastenia autoimune, e é exatamente aí que está a armadilha da questão. A piridostigmina é o pilar da miastenia gravis autoimune e de algumas SMCs pré-sinápticas e sinápticas (como a deficiência de colinesterase), mas no canal lento é contraindicada — piora a fraqueza. A 3,4-diaminopiridina (3,4-DAP) bloqueia canais de potássio pré-sinápticos, aumentando a liberação de acetilcolina; é usada na síndrome de Lambert-Eaton e em algumas SMCs pré-sinápticas, mas não no canal lento. Salbutamol e efedrina são agonistas beta-adrenérgicos que melhoram a força muscular em várias SMCs (como a deficiência de rapsina e a síndrome de Engel), mas não têm papel específico no canal lento, onde o defeito é pós-sináptico e o problema é o excesso de abertura do canal.

A distinção central que decide a questão é o mecanismo fisiopatológico: no canal lento, o problema é o receptor que fica aberto por tempo demais; logo, o tratamento deve reduzir essa abertura (fluoxetina), e não aumentar a quantidade de acetilcolina na fenda (piridostigmina, 3,4-DAP) nem estimular a contração muscular por outra via (salbutamol, efedrina). Guarde essa lógica: fármaco que aumenta a transmissão colinérgica = piora o canal lento; fármaco que bloqueia o canal = melhora.

1Mecanismo
Abertura prolongada do receptor ACh
Influxo excessivo de Ca²⁺
Lesão da placa motora
2Tratamento de escolha
Fluoxetina (bloqueia o canal aberto)
3Contraindicados (aumentam ACh)
Piridostigmina
3,4-DAP
4Sem papel específico
Salbutamol
Efedrina
Síndrome do canal lento
LEVELsoulevel.com.br
Síndrome do canal lento: Mecanismo (Abertura prolongada do receptor ACh, Influxo excessivo de Ca²⁺, Lesão da placa motora); Tratamento de escolha (Fluoxetina (bloqueia o canal aberto)); Contraindicados (aumentam ACh) (Piridostigmina, 3,4-DAP); Sem papel específico (Salbutamol, Efedrina)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A fluoxetina é o tratamento de escolha para a síndrome do canal lento. Seu mecanismo de ação como ISRS é conhecido, mas, na junção neuromuscular, ela atua como bloqueadora do canal aberto do receptor de acetilcolina, reduzindo o tempo de abertura e, consequentemente, o influxo excessivo de cálcio que lesa a placa motora. Estudos clínicos demonstram melhora significativa da força muscular e da fadiga em pacientes com essa síndrome. É a única alternativa que ataca diretamente o mecanismo fisiopatológico da doença.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A piridostigmina é um inibidor da acetilcolinesterase, que aumenta a concentração de acetilcolina na fenda sináptica. Na síndrome do canal lento, isso é contraproducente: o receptor já fica aberto por tempo excessivo, e o aumento do neurotransmissor prolonga ainda mais a abertura, agravando a lesão da placa motora e a fraqueza. É o tratamento de primeira linha da miastenia gravis autoimune e de algumas SMCs, mas é contraindicada no canal lento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O salbutamol é um agonista beta-2 adrenérgico, usado em algumas síndromes miastênicas congênitas (como a deficiência de rapsina e a síndrome de Engel) por melhorar a força muscular por mecanismos ainda não totalmente esclarecidos. No entanto, não é o tratamento específico para a síndrome do canal lento, cujo alvo terapêutico é o bloqueio do receptor de acetilcolina, não a estimulação adrenérgica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A 3,4-diaminopiridina (3,4-DAP) bloqueia canais de potássio dependentes de voltagem no terminal pré-sináptico, prolongando o potencial de ação e aumentando a liberação de acetilcolina. É o tratamento de escolha para a síndrome de Lambert-Eaton e para algumas SMCs pré-sinápticas, mas não para o canal lento, onde o defeito é pós-sináptico e o aumento da liberação de acetilcolina piora o quadro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A efedrina é um agonista adrenérgico (alfa e beta) que melhora a força muscular em algumas SMCs, como a síndrome de Engel e a deficiência de rapsina. Seu mecanismo não envolve o bloqueio do receptor de acetilcolina, portanto não é eficaz na síndrome do canal lento, cujo tratamento específico é a fluoxetina.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as diferentes síndromes miastênicas congênitas e seus tratamentos. O candidato que associa "miastenia" a "piridostigmina" automaticamente marca a letra B, mas no canal lento o mecanismo é inverso: o problema é o excesso de abertura do receptor, e a piridostigmina piora. Lembre-se: no canal lento, o tratamento é bloquear o canal (fluoxetina), não aumentar a acetilcolina.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de síndromes miastênicas congênitas, identifique primeiro o local do defeito (pré-sináptico, sináptico ou pós-sináptico) e o mecanismo. Se o receptor fica aberto por tempo demais (canal lento), o tratamento é um bloqueador do canal (fluoxetina). Se há deficiência de acetilcolina (Lambert-Eaton, SMC pré-sináptica), use 3,4-DAP ou piridostigmina. Essa lógica resolve a maioria das questões do tema.

Gabarito: letra A

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