Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Neurologia
Código
qg727183
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia
Assinale a alternativa correta sobre a neurossífilis.
AO VDRL no líquor tem baixa especificidade e alta sensibilidade.
BA quantidade de proteína no líquor está normal.
CO tratamento é feito com penicilina benzatina.
DVDRL não reagente no líquor exclui a doença.
EPode causar vasculite e, consequentemente, AVC.
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GabaritoE — Pode causar vasculite e, consequentemente, AVC.
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Neurossífilis: diagnóstico, tratamento e manifestações clínicas
Gabarito: letra E. A neurossífilis pode causar vasculite dos vasos cerebrais, levando a acidente vascular cerebral (AVC), especialmente em pacientes jovens. As demais alternativas apresentam erros conceituais: o VDRL no líquor tem alta especificidade e baixa sensibilidade (alternativa A), a proteína no líquor costuma estar elevada (alternativa B), o tratamento é feito com penicilina cristalina intravenosa (alternativa C) e um VDRL não reagente não exclui a doença (alternativa D).
A neurossífilis é a infecção do sistema nervoso central pelo Treponema pallidum, que pode ocorrer em qualquer estágio da sífilis não tratada, não apenas na fase terciária. O diagnóstico é desafiador, pois não existe um teste padrão-ouro; ele se baseia na combinação de achados clínicos, alterações no líquido cefalorraquidiano (LCR) e resultado do VDRL no LCR. O VDRL no LCR é o teste mais recomendado, com sensibilidade que varia de 50% a 70% e especificidade de cerca de 90%. Isso significa que um resultado reagente confirma o diagnóstico, mas um resultado não reagente não o exclui — justamente por causa da baixa sensibilidade. Além disso, podem ocorrer resultados falso-reagentes em casos de contaminação do LCR com sangue periférico, tripanossomíase, malária cerebral ou carcinomatose meníngea.
Na análise do LCR, é raro encontrar pacientes com neurossífilis que não apresentem pleocitose (aumento de células, predominantemente linfomonocitárias). Os níveis de proteína no LCR geralmente estão elevados (>40 mg/dL em adultos), embora não sejam nem sensíveis nem específicos para o diagnóstico; sua normalização é importante para o monitoramento pós-tratamento. O tratamento de primeira escolha é a benzilpenicilina potássica/cristalina, 3 a 4 milhões de UI a cada 4 horas, intravenosa, totalizando 18-24 milhões de UI por dia, por 14 dias. A alternativa é a ceftriaxona 2g IV, 1x/dia, por 10 a 14 dias. A penicilina benzatina, usada na sífilis precoce e tardia, não atinge concentrações adequadas no LCR e não é indicada para neurossífilis.
A neurossífilis pode se manifestar de diversas formas, incluindo meningite, paresia geral, tabes dorsalis e vasculite cerebral. A vasculite sifilítica afeta os vasos de médio e grande calibre, podendo causar estenose, oclusão e, consequentemente, AVC isquêmico, especialmente em pacientes jovens sem outros fatores de risco. Essa é uma complicação grave e reconhecida da doença, que justifica a alternativa E como correta.
A banca explora a confusão entre os testes e o tratamento da sífilis em suas diferentes fases. É fundamental distinguir: na sífilis precoce e tardia, usa-se penicilina benzatina intramuscular; na neurossífilis, usa-se penicilina cristalina intravenosa. Da mesma forma, o VDRL no sangue tem alta sensibilidade, mas no LCR a sensibilidade é baixa — inverter esses conceitos é a pegadinha clássica.
Neurossífilis
1Diagnóstico no LCR
VDRL
Alta especificidade
Baixa sensibilidade
Não reagente não exclui
Proteína elevada
Pleocitose linfomonocitária
2Tratamento
Penicilina cristalina IV (14 dias)
Penicilina benzatina (não atinge LCR)
3Manifestações
Meningite
Paresia geral
Tabes dorsalis
Vasculite cerebral → AVC
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o VDRL no líquor tem baixa especificidade e alta sensibilidade. É exatamente o contrário: o VDRL no LCR tem alta especificidade (cerca de 90%) e baixa sensibilidade (50-70%). Um resultado reagente confirma o diagnóstico, mas um não reagente não o exclui. A banca inverteu os atributos do teste.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a quantidade de proteína no líquor está normal. Na neurossífilis, a proteinorraquia costuma estar elevada (>40 mg/dL em adultos), sendo um dos critérios para o diagnóstico e para a decisão de tratar. Embora não seja um marcador específico, a proteína elevada é um achado esperado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento é feito com penicilina benzatina. Esse é o tratamento da sífilis precoce e tardia, não da neurossífilis. Para a neurossífilis, o esquema de primeira escolha é a benzilpenicilina potássica/cristalina intravenosa, 3-4 milhões de UI a cada 4 horas, por 14 dias. A penicilina benzatina não atinge concentrações terapêuticas adequadas no LCR.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que VDRL não reagente no líquor exclui a doença. Devido à baixa sensibilidade do teste (50-70%), um resultado não reagente não exclui a neurossífilis. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos, alterações no LCR (pleocitose, proteinorraquia) e VDRL, e um VDRL não reagente com alterações bioquímicas e sintomas neurológicos ainda indica tratamento.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a neurossífilis pode causar vasculite e, consequentemente, AVC. Correto. A vasculite sifilítica acomete os vasos cerebrais, levando a estenose, oclusão e infarto cerebral, especialmente em pacientes jovens. Essa é uma manifestação reconhecida da doença e um mecanismo fisiopatológico bem estabelecido.