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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg727186
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia
W.S.P, sexo masculino, 68 anos, vem apresentando quadro de alteração de marcha, incontinência urinária e declínio cognitivo há 1 ano. Assinale a alternativa que apresenta a alteração no exame de imagem esperada nesse caso.
  1. AÍndice de Evans menor que 0,3.
  2. BAlargamento da fissura de Sylvius desproporcional ao tamanho dos sulcos corticais.
  3. CÂngulo do corpo caloso maior que 90 graus.
  4. DHiperdensidade no aqueduto.
  5. EEspaços liquóricos da convexidade alta paramediana dilatados.
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GabaritoB — Alargamento da fissura de Sylvius desproporcional ao tamanho dos sulcos corticais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hidrocefalia de pressão normal: tríade clássica e achados de imagem

Gabarito: letra B. O quadro clínico descrito — alteração de marcha, incontinência urinária e declínio cognitivo — é a tríade clássica da hidrocefalia de pressão normal (HPN), e o achado de imagem mais característico é o alargamento da fissura de Sylvius desproporcional ao tamanho dos sulcos corticais, que reflete a dilatação ventricular predominante sem atrofia cortical significativa. Essa é a alternativa que melhor se correlaciona com a fisiopatologia da doença.

A hidrocefalia de pressão normal é uma condição que afeta predominantemente idosos, caracterizada pela tríade de Hakim-Adams: distúrbio de marcha (apraxia da marcha, com base alargada e passos curtos), incontinência urinária (geralmente de urgência, por disfunção do trato urinário inferior) e declínio cognitivo (lentificação psicomotora, apatia, déficits de atenção e memória). A fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre a produção e a reabsorção do líquido cefalorraquidiano (LCR), levando a uma dilatação ventricular desproporcional à atrofia cortical. É uma das poucas causas de demência potencialmente reversíveis, o que torna o diagnóstico precoce e preciso fundamental.

O diagnóstico é essencialmente clínico, mas os exames de imagem — tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) — são fundamentais para confirmar a suspeita e excluir outras causas. Os achados de imagem típicos da HPN incluem:

  • Ventrículos aumentados (hidrocefalia) com índice de Evans > 0,3 (relação entre a maior distância entre as pontas dos cornos frontais e o maior diâmetro craniano interno).

  • Alargamento da fissura de Sylvius e das cisternas da base, desproporcional ao tamanho dos sulcos corticais na convexidade — este é o achado que a alternativa B descreve corretamente.

  • Ângulo do corpo caloso < 90 graus (ângulo agudo), indicando a dilatação ventricular predominante.

  • Espaços liquóricos da convexidade alta paramediana apagados/estreitados (sulcos corticais não proeminentes), ao contrário do que ocorre na atrofia cortical, onde os sulcos são alargados.

  • Hiperfluxo do aqueduto (na RM com cine-FLASH, pode-se observar aumento do fluxo liquórico), mas não hiperdensidade.

A alternativa B é a correta porque descreve exatamente o padrão de imagem da HPN: a fissura de Sylvius (cisterna lateral) está alargada, enquanto os sulcos corticais da convexidade estão relativamente preservados (não alargados), refletindo a hidrocefalia sem atrofia cortical significativa. Esse é um dos critérios radiológicos mais utilizados para diferenciar a HPN da atrofia cerebral (que causa alargamento difuso dos sulcos).

A pegadinha da questão está em inverter os achados típicos: a banca troca o alargamento da fissura de Sylvius (correto) por espaços liquóricos da convexidade alta paramediana dilatados (que é o oposto do esperado na HPN, pois na HPN os sulcos estão apagados, não dilatados). Além disso, inverte o índice de Evans (que deve ser > 0,3, não menor) e o ângulo do corpo caloso (que deve ser < 90°, não maior).

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o índice de Evans é menor que 0,3. O índice de Evans é a razão entre a maior distância entre as pontas dos cornos frontais dos ventrículos laterais e o maior diâmetro craniano interno. Na hidrocefalia, esse índice é maior que 0,3 (ou 0,3 em alguns critérios), indicando dilatação ventricular. Um valor menor que 0,3 é considerado normal, portanto não é o achado esperado na HPN. A banca inverte o sinal da comparação para confundir o candidato.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve o alargamento da fissura de Sylvius desproporcional ao tamanho dos sulcos corticais. Este é um achado clássico da HPN na neuroimagem: a fissura de Sylvius (cisterna lateral) está proeminente, enquanto os sulcos corticais da convexidade estão relativamente preservados (não alargados). Esse padrão reflete a hidrocefalia (dilatação ventricular) sem atrofia cortical significativa, diferenciando a HPN da atrofia cerebral, onde os sulcos corticais são difusamente alargados. É um dos critérios radiológicos mais utilizados para o diagnóstico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o ângulo do corpo caloso é maior que 90 graus. Na HPN, o ângulo do corpo caloso (formado entre os cornos frontais dos ventrículos laterais) é menor que 90 graus (ângulo agudo), indicando a dilatação ventricular predominante. Um ângulo maior que 90 graus é mais sugestivo de atrofia cortical. A banca inverte o valor do ângulo para criar o distrator.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Menciona hiperdensidade no aqueduto. Na HPN, o aqueduto cerebral (que conecta o terceiro ao quarto ventrículo) pode apresentar hiperfluxo do LCR na RM com cine, mas não hiperdensidade na TC. A hiperdensidade no aqueduto não é um achado descrito na HPN. Esse distrator não corresponde a nenhuma alteração típica da doença.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que os espaços liquóricos da convexidade alta paramediana estão dilatados. Na HPN, os sulcos corticais da convexidade estão apagados ou estreitados (não dilatados), pois a dilatação ventricular comprime o espaço subaracnóideo. O alargamento dos sulcos corticais é característico de atrofia cerebral, não de HPN. A banca inverte o achado para confundir: na HPN, os sulcos estão apagados, não dilatados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os achados de imagem da HPN. Aqui, ela troca o alargamento da fissura de Sylvius (correto) por espaços liquóricos da convexidade dilatados (que é o oposto — na HPN os sulcos estão apagados). Além disso, inverte o índice de Evans (deve ser > 0,3, não menor) e o ângulo do corpo caloso (deve ser < 90°, não maior). Fique atento a essas inversões clássicas!

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os achados de imagem da HPN, lembre-se do mnemônico "VAS": Ventrículos aumentados (índice de Evans > 0,3), Alta convexidade com sulcos apagados, Sylvius alargada. Se a alternativa trouxer "sulcos dilatados" ou "índice menor que 0,3", está errada.

Gabarito: letra B

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