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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg727189
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia
S.L.O., 65 anos, sexo feminino, hipertensa e diabética, vem ao pronto-socorro devido à vertigem de início há 2 horas. Qual é a conduta mais adequada nessa situação?
  1. ASintomáticos e alta.
  2. BTomografia de crânio e, se não tiver alterações, alta.
  3. CCorticoide.
  4. DReabilitação vestibular.
  5. EProtocolo HINTS.
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GabaritoE — Protocolo HINTS.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vertigem no pronto-socorro: síndrome vestibular aguda e o papel do HINTS

Gabarito: letra E. Em paciente idosa, hipertensa e diabética com vertigem aguda de início há 2 horas, a conduta mais adequada é a realização do Protocolo HINTS — exame clínico que avalia o reflexo vestíbulo-ocular (head impulse), o nistagmo e o teste de skew, com alta sensibilidade para diferenciar vertigem central (AVC de fossa posterior) de vertigem periférica (neurite vestibular). A tomografia de crânio tem baixa sensibilidade para isquemia na fossa posterior, e a avaliação clínica é mais sensível que os exames complementares nesse cenário.

A vertigem é uma queixa comum na emergência, e o grande desafio é distinguir as causas benignas (periféricas) das graves (centrais). A síndrome vestibular aguda — quadro de vertigem contínua, náuseas, vômitos e instabilidade de início súbito — pode ser causada por neurite vestibular (periférica) ou por acidente vascular cerebral de fossa posterior (central). A diferenciação é crucial porque o AVC é uma emergência tratável, e o atraso no diagnóstico pode levar a sequelas graves ou óbito.

A história clínica e o exame físico são as ferramentas mais importantes nessa avaliação. O escore ABCD2, por exemplo, ajuda a identificar pacientes com maior risco de vertigem central por AVC, considerando idade, pressão arterial, sintomas clínicos, duração e diabetes. No entanto, quando a vertigem é o único sintoma e não há déficits neurológicos grosseiros, o exame da motricidade ocular extrínseca ganha destaque. É aí que entra o HINTS: três itens avaliados em conjunto — Head Impulse (reflexo vestíbulo-ocular), Nistagmo e Teste de Skew — que, segundo a literatura, têm maior sensibilidade e especificidade que a ressonância magnética para o diagnóstico de AVC isquêmico causando vertigem.

O HINTS deve ser realizado preferencialmente em pacientes com nistagmo. No head impulse, o examinador faz um movimento rápido e abrupto da cabeça do paciente para cada lado, enquanto ele mantém os olhos fixos no nariz do examinador. Se o reflexo vestíbulo-ocular estiver normal, os olhos permanecem fixos no alvo; se alterado, observa-se uma sacada de correção. Na vertigem periférica, o reflexo está alterado; na central, geralmente está normal. O nistagmo periférico é unidirecional, não muda de direção conforme o olhar; o central é multidirecional, muda de direção conforme o olhar. O teste de skew avalia o desalinhamento vertical dos olhos, que sugere origem central.

A tomografia de crânio, embora útil para detectar hemorragias, tem baixa sensibilidade para isquemia na fossa posterior. Mesmo a ressonância magnética pode ser falso-negativa em 12 a 13,3% dos casos de AVC isquêmico nas primeiras 48 horas. Por isso, a avaliação clínica com o HINTS é mais sensível que os exames complementares para detectar causas centrais de vertigem. A conduta correta não é liberar o paciente com sintomáticos, nem solicitar tomografia e dar alta se normal, mas sim realizar uma avaliação clínica criteriosa, incluindo o HINTS, para afastar causa central antes de qualquer decisão.

A pegadinha desta questão está em subestimar a importância do exame clínico e superestimar a tomografia. Muitos candidatos escolheriam a alternativa B, pensando que a tomografia é o padrão-ouro para excluir AVC, mas ela é insuficiente para isquemia de fossa posterior. O HINTS, por sua vez, é a ferramenta clínica mais sensível e deve ser a conduta inicial. Guarde essa distinção: na síndrome vestibular aguda, o exame clínico (HINTS) supera a imagem na detecção de causas centrais.

1Causa periférica (benigna)
Neurite vestibular
Head impulse alterado
Nistagmo unidirecional
Skew negativo
2Causa central (grave)
AVC de fossa posterior
Head impulse normal
Nistagmo multidirecional
Skew positivo
3Protocolo HINTS
Head Impulse
Nistagmo
Teste de Skew
Mais sensível que TC e RM
Síndrome vestibular aguda
LEVELsoulevel.com.br
Síndrome vestibular aguda: Causa periférica (benigna) (Neurite vestibular, Head impulse alterado, Nistagmo unidirecional, Skew negativo); Causa central (grave) (AVC de fossa posterior, Head impulse normal, Nistagmo multidirecional, Skew positivo); Protocolo HINTS (Head Impulse, Nistagmo, Teste de Skew, Mais sensível que TC e RM)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Sintomáticos e alta é conduta inadequada em paciente com vertigem aguda e fatores de risco vascular (hipertensão, diabetes, idade). A vertigem pode ser manifestação de AVC de fossa posterior, e liberar o paciente sem investigação adequada é negligência. Os sintomáticos (supressores vestibulares) são úteis apenas nos primeiros 2 a 3 dias de sintomas, mas somente após afastar causa central.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Tomografia de crânio e, se não tiver alterações, alta é uma armadilha clássica. A tomografia tem baixa sensibilidade para isquemia na fossa posterior, e mesmo a ressonância pode ser falso-negativa nas primeiras 48 horas. A avaliação clínica com HINTS é mais sensível que a imagem para detectar AVC isquêmico causando vertigem. Portanto, uma tomografia normal não exclui causa central, e a conduta não pode ser simplesmente dar alta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Corticoide é tratamento específico para neurite vestibular, mas não é a conduta inicial em paciente com vertigem aguda sem diagnóstico fechado. Antes de tratar, é preciso diferenciar a causa periférica da central. Além disso, o corticoide não é indicado para todas as causas de vertigem e pode ser prejudicial em caso de AVC hemorrágico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Reabilitação vestibular é indicada para pacientes com hipofunção vestibular crônica ou após a fase aguda, para promover compensação central. Não é a conduta adequada na emergência, em paciente com vertigem aguda de início há 2 horas, onde a prioridade é o diagnóstico diferencial entre causa periférica e central.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O Protocolo HINTS é a conduta mais adequada. Ele é um exame clínico composto por três itens — Head Impulse, Nistagmo e Teste de Skew — que, avaliados em conjunto, têm alta sensibilidade e especificidade para diferenciar vertigem central (AVC de fossa posterior) de vertigem periférica (neurite vestibular). Em paciente com fatores de risco vascular e vertigem aguda, o HINTS é a ferramenta mais sensível para detectar causa central, superando até mesmo a ressonância magnética nas primeiras 48 horas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a utilidade da tomografia e a do exame clínico. Muitos candidatos escolhem a alternativa B, achando que a tomografia é o padrão-ouro para excluir AVC, mas ela é insuficiente para isquemia de fossa posterior. O HINTS é mais sensível que a imagem nesse cenário. Lembre-se: na síndrome vestibular aguda, o exame clínico supera a tomografia.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar o HINTS, lembre-se: Head Impulse (reflexo vestíbulo-ocular), Impulse (nistagmo), Nystagmus (nistagmo), Test of Skew (teste de skew). Na prática, avalie o reflexo vestíbulo-ocular, a direção do nistagmo e o alinhamento vertical dos olhos. Se o head impulse for normal, o nistagmo for multidirecional ou o skew for positivo, pense em causa central (AVC).

Gabarito: letra E

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