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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg727227
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia Pediátrica
A respeito dos mecanismos fisiopatológicos associados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), assinale a alternativa correta.
  1. AO principal fator etiológico para o TEA é o aumento da serotonina no sistema nervoso central, sem participação de outros neurotransmissores ou alterações estruturais cerebrais.
  2. BO TEA está principalmente associado à hiperatividade do sistema GABAérgico e ao aumento da poda sináptica, resultando em redução da conectividade neural.
  3. CEntre os fatores pré-natais que aumentam o risco de TEA, destacam-se infecções maternas, exposição ao valproato, prematuridade e idade paterna avançada, enquanto alterações estruturais envolvem disfunções na amígdala e no córtex temporal.
  4. DAs redes neurais associadas à cognição social permanecem estrutural e funcionalmente normais no TEA, sendo o quadro clínico resultante de lesões focais adquiridas na infância ou durante a gestação.
  5. EOs estudos atuais mostram que não há relação entre neurotransmissores e TEA, sendo o transtorno explicado exclusivamente por fatores ambientais e de aprendizado social.
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GabaritoC — Entre os fatores pré-natais que aumentam o risco de TEA, destacam-se infecções maternas, exposição ao valproato, prematuridade e idade paterna avançada, enquanto alterações estruturais envolvem disfunções na amígdala e no córtex temporal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transtorno do Espectro Autista (TEA): fisiopatologia e fatores de risco

Gabarito: letra C. A alternativa correta reúne, com precisão, os principais fatores pré-natais associados ao aumento do risco de TEA — infecções maternas, exposição ao valproato, prematuridade e idade paterna avançada — e as alterações estruturais cerebrais mais reconhecidas, como disfunções na amígdala e no córtex temporal. As demais alternativas distorcem o papel dos neurotransmissores, da poda sináptica e das redes neurais, apresentando relações causais que a literatura científica não sustenta.

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento, de base multifatorial, caracterizado por comprometimento da comunicação e da interação social, além de comportamentos restritos e repetitivos. A fisiopatologia envolve uma complexa interação entre suscetibilidade genética e fatores ambientais, que culminam em alterações estruturais e funcionais do sistema nervoso central. Não existe uma causa única: a hipótese atual é a de que múltiplos genes de efeito moderado, combinados a fatores epigenéticos e ambientais, aumentam o risco de desenvolvimento do transtorno.

Entre os fatores ambientais pré-natais mais consistentemente associados ao TEA, destacam-se: idade materna e paterna avançada, diabetes mellitus materno, hipertensão e obesidade na gestação, exposição intraútero ao valproato e a pesticidas, baixo peso ao nascer e prematuridade. Infecções maternas durante a gestação também são reconhecidas como fator de risco, por desencadearem resposta inflamatória que pode interferir no neurodesenvolvimento fetal. Esses fatores não atuam isoladamente, mas em conjunto com a predisposição genética.

No plano estrutural, estudos de neuroimagem demonstram alterações em diversas regiões cerebrais no TEA, com destaque para a amígdala — estrutura central no processamento emocional e social — e o córtex temporal, envolvido no processamento de faces, linguagem e cognição social. Observa-se, por exemplo, crescimento precoce e anormal da amígdala em algumas crianças com TEA, além de alterações no padrão de conectividade entre regiões corticais. A poda sináptica, processo fisiológico de eliminação de sinapses excedentes, também se encontra alterada, contribuindo para a desconexão funcional observada.

A neurotransmissão no TEA é alvo de intensa investigação. Há evidências de desequilíbrio em múltiplos sistemas, incluindo o serotoninérgico, o GABAérgico e o glutamatérgico. A serotonina, por exemplo, apresenta níveis elevados em cerca de um terço dos pacientes, mas isso não é um fator etiológico único, e sim parte de um quadro complexo. O sistema GABAérgico, principal neurotransmissor inibitório, encontra-se tipicamente hipoativo no TEA, e não hiperativo como afirma uma das alternativas. Esses achados reforçam a natureza multifatorial do transtorno, que não pode ser explicado por um único neurotransmissor ou por fatores exclusivamente ambientais.

A compreensão desses mecanismos é essencial para distinguir as alternativas: a correta reconhece a multiplicidade de fatores e as alterações estruturais específicas, enquanto as incorretas simplificam excessivamente a etiologia, invertem o funcionamento de sistemas neurais ou negam a participação de componentes biológicos fundamentais.

1Fatores de risco pré-natais
Infecções maternas
Exposição ao valproato
Prematuridade
Idade paterna avançada
2Alterações estruturais
Amígdala (processamento emocional)
Córtex temporal (cognição social)
Padrão de conectividade alterado
3Neurotransmissores
Serotonina (elevada em ~1/3)
GABA (hipoativo)
Glutamato (desequilíbrio)
4Base multifatorial
Genética + epigenética
Fatores ambientais
TEA: fisiopatologia
LEVELsoulevel.com.br
TEA: fisiopatologia: Fatores de risco pré-natais (Infecções maternas, Exposição ao valproato, Prematuridade, Idade paterna avançada); Alterações estruturais (Amígdala (processamento emocional), Córtex temporal (cognição social), Padrão de conectividade alterado); Neurotransmissores (Serotonina (elevada em ~1/3), GABA (hipoativo), Glutamato (desequilíbrio)); Base multifatorial (Genética + epigenética, Fatores ambientais)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o principal fator etiológico do TEA é o aumento da serotonina no SNC, sem participação de outros neurotransmissores ou alterações estruturais. O erro é duplo: primeiro, a etiologia do TEA é multifatorial, envolvendo genética, epigenética e fatores ambientais — não há um "principal fator" isolado; segundo, a serotonina é apenas um dos neurotransmissores estudados, e seu papel é complexo, não exclusivo. Alterações estruturais cerebrais, como as da amígdala e do córtex temporal, são amplamente documentadas, contrariando a afirmação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Inverte o funcionamento do sistema GABAérgico e da poda sináptica. No TEA, há evidências de hipoatividade do sistema GABAérgico (principal neurotransmissor inibitório), e não hiperatividade. Quanto à poda sináptica, os estudos indicam alterações nesse processo — em algumas regiões há poda excessiva, em outras, deficiente —, mas a afirmação de que isso resulta em "redução da conectividade neural" como consequência direta é uma simplificação incorreta. O padrão de conectividade no TEA é complexo, com hiperconectividade local e hipoconectividade de longa distância.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa sintetiza corretamente os fatores pré-natais de risco e as alterações estruturais associadas ao TEA. Infecções maternas, exposição ao valproato, prematuridade e idade paterna avançada são fatores de risco reconhecidos na literatura. As disfunções na amígdala e no córtex temporal são alterações estruturais bem documentadas, relacionadas ao processamento emocional e social. A alternativa está correta por apresentar informações precisas e atuais sobre a fisiopatologia do transtorno.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que as redes neurais associadas à cognição social permanecem normais no TEA, o que contraria frontalmente as evidências. Estudos de neuroimagem funcional demonstram alterações significativas nessas redes, incluindo a amígdala, o córtex temporal e o córtex pré-frontal medial. Além disso, o TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento, não uma lesão focal adquirida. A hipótese de lesões focais na infância ou gestação como causa do quadro clínico não é sustentada pela literatura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Nega qualquer relação entre neurotransmissores e TEA, atribuindo o transtorno exclusivamente a fatores ambientais e de aprendizado social. Isso é duplamente incorreto: há forte base genética (herdabilidade estimada em cerca de 50%) e evidências consistentes de desequilíbrios em múltiplos sistemas de neurotransmissores (serotonina, GABA, glutamato). A hipótese de que o TEA seria causado por fatores puramente ambientais ou de aprendizado foi superada há décadas pela ciência.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão de conceitos: na alternativa B, troca a hipoatividade do sistema GABAérgico por "hiperatividade"; na alternativa A, eleva a serotonina a "principal fator etiológico", ignorando a multifatorialidade. Fique atento a termos absolutos como "principal", "exclusivamente" e "sem participação" — eles quase sempre sinalizam uma afirmação incorreta em questões de fisiopatologia.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de TEA, memorize os fatores de risco pré-natais (idade parental avançada, infecções, valproato, prematuridade, baixo peso) e as alterações estruturais clássicas (amígdala, córtex temporal, conectividade). Desconfie de alternativas que atribuam causa única ou que usem termos como "exclusivamente" ou "sem participação" — a regra é a multifatorialidade.

Gabarito: letra C

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