Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Distúrbios Nutricionais
Código
qg727246
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Nutrologia
A respeito do tema terapia nutricional, assinale a alternativa correta.
AExistem Indicadores de Qualidade em Terapia Nutricional (IQTN) com objetivo de conhecer a frequência da realização de triagem nutricional a partir do primeiro dia de hospitalização, até 48h. A meta é atingir, no mínimo, 50% em seu resultado.
BO STRONG Kids é um método de triagem nutricional composto por 4 itens e sua pontuação máxima é 4 e indica alto risco.
CPerda de peso ou ausência de ganho de peso por mais de 3 meses após 2 anos de idade e alteração do peso/idade ou peso/estatura abaixo de 2 desvios-padrão são fatores de indicação de terapia nutricional na criança.
DNa fase de estabilização da terapia nutricional, o excesso de calorias pode acarretar overfeeding, consequentemente o aumento na retenção de CO2, esteatose hepática, hiperglicemia, diurese osmótica, desidratação, hipofosfatemia, uremia e uma maior letalidade.
EDeve-se monitorar o sódio e o magnésio em crianças com desnutrição na fase de recuperação, pois os níveis séricos podem aumentar após a realimentação.
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GabaritoD — Na fase de estabilização da terapia nutricional, o excesso de calorias pode acarretar overfeeding, consequentemente o aumento na retenção de CO2, esteatose hepática, hiperglicemia, diurese osmótica, desidratação, hipofosfatemia, uremia e uma maior letalidade.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Terapia Nutricional: complicações e monitoramento
Gabarito: letra D. Na fase de estabilização da terapia nutricional, o excesso de calorias pode levar ao overfeeding, que cursa com aumento da retenção de CO2 (hipercapnia), esteatose hepática, hiperglicemia, diurese osmótica, desidratação, hipofosfatemia, uremia e maior letalidade — exatamente o que a alternativa descreve. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de valores, como veremos a seguir.
A terapia nutricional (TN) é um conjunto de medidas que visa prevenir ou tratar a desnutrição, fornecendo nutrientes por via oral, enteral ou parenteral. Ela é indicada quando o paciente não consegue ou não deve se alimentar adequadamente pela via oral, e deve ser monitorada de perto para evitar complicações. A fase de estabilização é um momento crítico: após a fase inicial de correção de distúrbios, o paciente começa a receber aporte calórico mais próximo das necessidades, e é nesse momento que o excesso de calorias pode ser particularmente danoso.
O overfeeding (superalimentação) ocorre quando a oferta de nutrientes, especialmente carboidratos, excede a capacidade metabólica do paciente. Isso leva a uma série de consequências: o excesso de carboidratos aumenta a produção de CO2, que pode sobrecarregar pacientes com doença pulmonar; o excesso de calorias e gordura causa esteatose hepática; a hiperglicemia resulta do excesso de carboidratos e da inadequação da insulina; a diurese osmótica e a desidratação decorrem da hiperglicemia; a hipofosfatemia é uma marca da síndrome de realimentação; e a uremia (azotemia) vem do excesso de aminoácidos. Todas essas complicações aumentam a morbimortalidade.
A síndrome de realimentação é um risco particularmente importante em pacientes desnutridos que recebem oferta calórica normal de forma abrupta. Ela é mediada pela administração excessiva de glicose, que estimula a liberação de insulina, reduzindo rapidamente as concentrações sanguíneas de potássio, magnésio e, principalmente, fósforo. Por isso, a prevenção envolve corrigir distúrbios eletrolíticos basais, administrar tiamina e iniciar com dieta hipocalórica com progressão lenta.
A pegadinha desta questão está na alternativa E, que inverte o sentido da alteração eletrolítica na realimentação: os níveis de sódio e magnésio não aumentam, mas sim diminuem (hipofosfatemia, hipomagnesemia, hipocalemia) durante a síndrome de realimentação. Guarde essa fronteira: na realimentação, os eletrólitos caem, não sobem.
Overfeeding (excesso de calorias): Aumento da retenção de CO2; Esteatose hepática; Hiperglicemia; Diurese osmótica e desidratação; Hipofosfatemia; Uremia; Maior letalidade
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na meta percentual. Os Indicadores de Qualidade em Terapia Nutricional (IQTN) realmente incluem a triagem nutricional nas primeiras 48 horas de internação, mas a meta mínima é de 70%, não 50%. A banca trocou o percentual para confundir o candidato.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O STRONG Kids é um método de triagem nutricional pediátrica, mas sua pontuação máxima é 5 pontos, não 4. A pontuação varia de 0 a 5, e o risco é classificado em baixo (0-1), moderado (2-3) e alto (4-5). A alternativa erra tanto o número de itens quanto a pontuação máxima.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os critérios de indicação de terapia nutricional na criança estão parcialmente corretos, mas o prazo está errado. A perda de peso ou ausência de ganho de peso deve ser por mais de 3 meses (não "mais de 3 meses após 2 anos de idade") e a alteração do peso/idade ou peso/estatura abaixo de 2 desvios-padrão é um critério válido. No entanto, a redação da alternativa mistura os critérios de forma imprecisa, tornando-a incorreta.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente as complicações do overfeeding na fase de estabilização da terapia nutricional. O excesso de calorias, especialmente de carboidratos, leva a:
Aumento da retenção de CO2 (hipercapnia) — pelo excesso de carboidratos;
Esteatose hepática — pelo excesso de calorias e gordura;
Hiperglicemia — pelo excesso de carboidratos e insulina inadequada;
Diurese osmótica e desidratação — consequências da hiperglicemia;
Hipofosfatemia — pela síndrome de realimentação;
Uremia (azotemia) — pelo excesso de aminoácidos;
Maior letalidade — pelo conjunto de complicações.
Todos esses efeitos estão descritos na literatura como complicações do aporte calórico excessivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa inverte o sentido da alteração eletrolítica. Na fase de recuperação da desnutrição (realimentação), os níveis séricos de sódio, magnésio, potássio e fósforo diminuem, não aumentam. Isso ocorre porque a insulina, estimulada pelo excesso de glicose, desloca esses eletrólitos para o intracelular, causando hipofosfatemia, hipomagnesemia e hipocalemia. O monitoramento deve ser feito justamente para detectar e corrigir essas quedas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter o sentido das alterações metabólicas. Na síndrome de realimentação, os eletrólitos caem (hipofosfatemia, hipomagnesemia, hipocalemia), não sobem. Se a alternativa disser que os níveis aumentam, desconfie imediatamente.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as complicações do overfeeding, lembre-se do mnemônico "CHUVA": C (CO2 retido), H (hiperglicemia), U (uremia), V (volume — diurese osmótica/desidratação), A (ácidos — esteatose hepática). E na realimentação, os eletrólitos sempre descem.