Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg727257
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Nutrologia
- AColecalciferol.
- BÁcido ascórbico.
- CCianocobalamina.
- DTiamina.
- EFiloquinona.
GabaritoB — Ácido ascórbico.
Gabarito: letra B. O quadro descrito — fraqueza, sangramento gengival, púrpuras perifoliculares e epistaxe — é a apresentação clássica do escorbuto, causado pela deficiência de vitamina C (ácido ascórbico). A vitamina C é essencial para a hidroxilação do colágeno, e sua carência fragiliza os vasos sanguíneos, levando a sangramentos superficiais característicos. O contexto clínico (diabetes, hemodiálise, baixa ingestão de frutas e verduras) reforça o diagnóstico.
A vitamina C (ácido ascórbico) é um cofator essencial para a síntese de colágeno, particularmente na hidroxilação de prolina e lisina. Sem essa hidroxilação, o colágeno formado é instável e não consegue manter a integridade da parede dos vasos sanguíneos. Isso explica por que a deficiência de vitamina C se manifesta com sangramentos em pequenos vasos: gengivorragia, púrpuras perifoliculares (hemorragias ao redor dos folículos pilosos), petéquias e equimoses. A epistaxe (sangramento nasal) também é uma manifestação comum, pois a mucosa nasal é ricamente vascularizada.
O escorbuto é a doença clássica da deficiência grave e prolongada de vitamina C. Além dos sangramentos, o paciente pode apresentar fraqueza, fadiga, anemia, dor óssea e articular, e má cicatrização de feridas. No caso descrito, o paciente tem fatores de risco adicionais: diabetes mellitus e insuficiência renal crônica em hemodiálise. A hemodiálise pode aumentar as perdas de vitaminas hidrossolúveis, incluindo a vitamina C, e a dieta pobre em frutas e verduras agrava a carência.
É importante distinguir a deficiência de vitamina C da deficiência de vitamina K (filoquinona). Ambas podem causar sangramentos, mas os padrões são diferentes. A vitamina K é essencial para a síntese de fatores de coagulação (II, VII, IX, X) no fígado; sua deficiência causa sangramentos profundos, como hematomas musculares e hemartroses, e é detectada pelo prolongamento do tempo de protrombina (TP). Já a vitamina C causa sangramentos superficiais (gengival, perifolicular, petéquias) por fragilidade capilar, sem alteração dos testes de coagulação. A tabela abaixo resume as diferenças:
Critério | Deficiência de Vitamina C | Deficiência de Vitamina K |
|---|---|---|
Mecanismo | Falha na síntese de colágeno → fragilidade capilar | Falha na síntese de fatores de coagulação |
Tipo de sangramento | Superficial (gengival, perifolicular, petéquias, epistaxe) | Profundo (hematomas, hemartroses) |
Testes de coagulação | Normais | TP prolongado |
Outros sinais | Fraqueza, anemia, má cicatrização | Depende da causa (ex.: hepatopatia, uso de anticoagulantes) |
A banca explora exatamente essa confusão: o aluno que associa "sangramento" a "vitamina K" pode cair na alternativa E. No entanto, o padrão de sangramento descrito (gengival, perifolicular, epistaxe) é típico de vitamina C, não de vitamina K. Além disso, o contexto de hemodiálise e dieta pobre em frutas e verduras aponta diretamente para a carência de vitamina C.
Guarde o critério decisivo: sangramento superficial (gengival, perifolicular) = vitamina C; sangramento profundo (hematomas, hemartroses) = vitamina K. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
O colecalciferol é a vitamina D3. Sua deficiência causa raquitismo em crianças e osteomalacia em adultos, com dor óssea, fraqueza muscular e deformidades ósseas. Não causa sangramentos. O quadro descrito é de escorbuto, não de deficiência de vitamina D.
O ácido ascórbico é a vitamina C. Sua deficiência causa escorbuto, caracterizado por fraqueza, sangramento gengival, púrpuras perifoliculares e epistaxe, exatamente o quadro do paciente. A vitamina C é essencial para a síntese de colágeno, e sua carência fragiliza os vasos sanguíneos, levando a sangramentos superficiais. O contexto de hemodiálise e dieta pobre em frutas e verduras reforça o diagnóstico.
A cianocobalamina é a vitamina B12. Sua deficiência causa anemia megaloblástica, neuropatia periférica (parestesias, perda de propriocepção) e glossite. Não causa sangramentos. O quadro descrito é de escorbuto, não de deficiência de B12.
A tiamina é a vitamina B1. Sua deficiência causa beribéri, que pode ser seco (neuropatia periférica) ou úmido (insuficiência cardíaca). Também pode causar síndrome de Wernicke-Korsakoff. Não causa sangramentos. O quadro descrito é de escorbuto, não de deficiência de tiamina.
A filoquinona é a vitamina K. Sua deficiência causa sangramentos, mas por um mecanismo diferente: falha na síntese de fatores de coagulação (II, VII, IX, X). Os sangramentos são tipicamente profundos (hematomas, hemartroses) e o TP é prolongado. O quadro descrito (sangramento gengival, púrpuras perifoliculares, epistaxe) é de sangramento superficial, típico de deficiência de vitamina C, não de vitamina K. A banca explora a associação genérica entre "sangramento" e "vitamina K", mas o padrão clínico é decisivo.
A banca troca a vitamina C pela vitamina K, explorando a associação automática entre "sangramento" e "coagulação". Mas o padrão de sangramento é diferente: a vitamina C causa sangramento superficial (gengival, perifolicular, petéquias) por fragilidade capilar, enquanto a vitamina K causa sangramento profundo (hematomas, hemartroses) por deficiência de fatores de coagulação. Fique atento ao tipo de sangramento descrito no enunciado — é ele que separa as duas deficiências.
Para diferenciar as deficiências de vitaminas que causam sangramento, lembre-se: vitamina C = sangramento superficial (gengival, perifolicular, petéquias); vitamina K = sangramento profundo (hematomas, hemartroses). Na dúvida, observe o padrão clínico e os testes de coagulação (TP prolongado na deficiência de K, normal na de C).
Gabarito: letra B
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