Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Distúrbios Nutricionais
Código
qg727260
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Nutrologia
Para um paciente masculino, 59 anos, em estado crítico, com doença renal e quadro agudizado, foi indicada a NPT (nutrição parenteral total). Em relação ao tema nutrição parenteral, assinale a alternativa correta.
AUma desvantagem da NPID (nutrição parenteral intradialítica) é que é necessário outro acesso além da via existente para hemodiálise, o que aumenta as complicações inerentes à canulação de veia central, principalmente as infecciosas, mas também as trombóticas.
BDurante o início da administração de NPT, deve-se ter cautela em relação aos distúrbios hidroeletrolíticos, muito comuns nessa fase, especialmente hipercalemia e hiperfosfatemia.
CSão critérios de suspensão da NPID a albumina sérica superior ou igual a 3,8 g/dL, a creatinina sérica superior ou igual a 10 mg/dL e a ingestão oral, mais de 1g/kg/dia de proteínas, durante 3 meses.
DA NPT é indicada na insuficiência renal se albumina sérica > 35 g/L (3,5 g/dL) e pré-albumina sérica < 300 mg/L).
EEm pacientes com desnutrição proteico-calórica grave, ingesta inferior a 20 kcal/kg/dia ou em condições de estresse, tanto a suplementação oral quanto a NPID passam a serem recomendadas.
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GabaritoC — São critérios de suspensão da NPID a albumina sérica superior ou igual a 3,8 g/dL, a creatinina sérica superior ou igual a 10 mg/dL e a ingestão oral, mais de 1g/kg/dia de proteínas, durante 3 meses.
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Nutrição Parenteral no Paciente com Doença Renal
Gabarito: letra C. A alternativa C é a correta porque descreve com precisão os critérios de suspensão da nutrição parenteral intradialítica (NPID): albumina sérica ≥ 3,8 g/dL, creatinina sérica ≥ 10 mg/dL e ingestão oral de proteínas > 1 g/kg/dia por 3 meses. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de valores, como a inversão dos distúrbios hidroeletrolíticos esperados na síndrome de realimentação (alternativa B) e a indicação incorreta da NPT na insuficiência renal (alternativa D).
A nutrição parenteral (NP) é a administração de nutrientes por via intravenosa, indicada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado ou é insuficiente para suprir as necessidades nutricionais. No paciente crítico com doença renal, a NP deve ser cuidadosamente planejada para evitar sobrecarga de volume, distúrbios eletrolíticos e complicações metabólicas. A NPID é uma modalidade específica, administrada durante a sessão de hemodiálise, que aproveita o acesso vascular já existente para infundir a nutrição, evitando a necessidade de um acesso central adicional. Essa estratégia é particularmente útil em pacientes com doença renal crônica que já dependem de hemodiálise e apresentam desnutrição.
A síndrome de realimentação é uma complicação grave que ocorre ao se iniciar a nutrição em pacientes desnutridos. Ela é caracterizada por hipofosfatemia, hipomagnesemia e hipocalemia, devido ao influxo intracelular de eletrólitos estimulado pela insulina liberada em resposta à glicose. Portanto, a alternativa B, que menciona hipercalemia e hiperfosfatemia, está incorreta — o correto é hipocalemia e hipofosfatemia. A alternativa A também está errada, pois a NPID utiliza o acesso da hemodiálise, não exigindo um novo acesso central. A alternativa D apresenta valores invertidos: a NPT é indicada quando a albumina está baixa (< 3,5 g/dL) e a pré-albumina também está baixa, não alta. A alternativa E erra ao afirmar que a suplementação oral é recomendada em pacientes com ingesta inferior a 20 kcal/kg/dia, quando na verdade a NPID é a via preferida nesses casos.
A alternativa C é a única que apresenta critérios objetivos e corretos para a suspensão da NPID. Esses critérios refletem a recuperação nutricional (albumina ≥ 3,8 g/dL), a melhora da função renal (creatinina < 10 mg/dL) e a capacidade de ingestão oral adequada (> 1 g/kg/dia de proteínas). Esses parâmetros indicam que o paciente não depende mais da NPID para atingir suas metas nutricionais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os distúrbios da síndrome de realimentação (hipofosfatemia, hipocalemia, hipomagnesemia) e os distúrbios que ocorrem na doença renal (hipercalemia, hiperfosfatemia). Na alternativa B, ela troca "hipo" por "hiper", induzindo o candidato a marcar uma complicação que não é típica do início da NPT. Lembre-se: na realimentação, os eletrólitos caem, não sobem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a NPID exige um acesso venoso central adicional além do acesso da hemodiálise, o que aumentaria as complicações. Isso é falso: a NPID é administrada através do próprio acesso da hemodiálise, durante a sessão, justamente para evitar a necessidade de um novo acesso central e suas complicações (infecciosas e trombóticas). A vantagem da NPID é exatamente a utilização da via já existente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa menciona "hipercalemia e hiperfosfatemia" como distúrbios comuns no início da NPT. Isso está invertido: na síndrome de realimentação, que ocorre no início da nutrição em pacientes desnutridos, há hipofosfatemia, hipocalemia e hipomagnesemia, devido ao deslocamento intracelular de eletrólitos estimulado pela insulina. A hipercalemia e a hiperfosfatemia são típicas da doença renal avançada, não do início da NPT.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa C descreve corretamente os critérios de suspensão da NPID: albumina sérica ≥ 3,8 g/dL, creatinina sérica < 10 mg/dL e ingestão oral de proteínas > 1 g/kg/dia por 3 meses. Esses critérios indicam que o paciente recuperou o estado nutricional e a função renal, podendo manter a nutrição por via oral. É a única alternativa que apresenta valores e condições clinicamente coerentes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que a NPT é indicada na insuficiência renal se albumina > 3,5 g/dL e pré-albumina < 300 mg/L. Isso está invertido: a NPT é indicada quando há desnutrição, ou seja, albumina baixa (< 3,5 g/dL) e pré-albumina baixa (< 300 mg/L). Valores normais ou elevados de albumina indicam bom estado nutricional, não sendo necessária a NPT.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que, em pacientes com desnutrição grave e ingesta < 20 kcal/kg/dia, tanto a suplementação oral quanto a NPID são recomendadas. Isso é incorreto: em pacientes com desnutrição grave e ingesta insuficiente, a NPID é a via preferida, pois a suplementação oral não consegue atingir as metas nutricionais necessárias. A NPID é indicada justamente quando a via oral é inadequada.