Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg727270
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Nutrologia
A cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz para redução e manutenção da perda de peso em longo prazo, promovendo melhora das comorbidades e da qualidade de vida e aumento da sobrevida. Sobre as técnicas dessa cirurgia, assinale a alternativa correta.
AA gastrectomia vertical (Sleeve) tem como vantagens menor incidência de deficiências nutricionais e o fato de ser reversível.
BO bypass em Y de Roux, procedimento mais aceito no Brasil, promove saciedade precoce e diminuição da fome pela redução da capacidade gástrica e de alterações hormonais.
CNo bypass, as alterações hormonais envolvem aumento dos níveis de grelina (hormônio orexígeno) e redução dos níveis de GLP-1 e de PYY (hormônios sacietógenos), o que resulta em perda de peso duradoura.
DA derivação gástrica em Y de Roux auxilia na cura ou no controle das comorbidades a longo prazo, apresenta menor risco de deficiências nutricionais que as cirurgias puramente restritivas e maior que das derivações biliopancreáticas.
EA derivação biliopancreática pela técnica de Marceau-Hess, também chamada de duodenal switch, consiste em uma modificação da operação de Fobi-Capella.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — O bypass em Y de Roux, procedimento mais aceito no Brasil, promove saciedade precoce e diminuição da fome pela redução da capacidade gástrica e de alterações hormonais.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Cirurgia bariátrica: técnicas e mecanismos de ação
Gabarito: letra B. O bypass gástrico em Y de Roux (DGYR) é o procedimento mais aceito no Brasil e promove saciedade precoce e diminuição da fome tanto pela redução da capacidade gástrica quanto por alterações hormonais — exatamente o que a alternativa descreve. As demais opções erram ao inverter os efeitos hormonais, confundir reversibilidade e comparar incorretamente os riscos nutricionais entre as técnicas.
A cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz para obesidade grave, atuando por três grandes mecanismos: restrição gástrica (redução da capacidade do estômago), má absorção (diminuição da absorção de nutrientes) e alterações hormonais (mudança na secreção de hormônios que regulam fome e saciedade). As técnicas mais comuns são a gastrectomia vertical (sleeve), o bypass gástrico em Y de Roux e a banda gástrica ajustável, além das derivações biliopancreáticas, que combinam restrição com má absorção significativa.
O bypass em Y de Roux é considerado o padrão-ouro no Brasil. Ele cria uma pequena bolsa gástrica (restrição) e desvia o trânsito alimentar para o intestino delgado, o que reduz a capacidade de ingestão e altera a resposta hormonal. A saciedade precoce ocorre pela pequena capacidade da bolsa gástrica, e a diminuição da fome é potencializada por mudanças nos hormônios: há redução da grelina (hormônio orexígeno, que estimula a fome) e aumento de GLP-1 e PYY (hormônios sacietógenos, que promovem saciedade). Essas alterações hormonais são fundamentais para a perda de peso duradoura e para a melhora do diabetes mellitus tipo 2, muitas vezes antes mesmo da perda ponderal significativa.
A gastrectomia vertical (sleeve) é uma técnica puramente restritiva, que remove cerca de 80% do estômago, deixando um tubo gástrico estreito. Ela também reduz a produção de grelina, pois a maior parte das células produtoras desse hormônio está no fundo gástrico, que é removido. No entanto, a sleeve não é reversível — a ressecção gástrica é definitiva — e, embora tenha menor incidência de deficiências nutricionais que o bypass, não é isenta de riscos. A banda gástrica ajustável, por outro lado, é reversível, mas promove menor perda de peso e maior risco de reganho.
As derivações biliopancreáticas (como a de Scopinaro e a de Marceau-Hess, também chamada de duodenal switch) são técnicas que combinam restrição gástrica com má absorção intestinal significativa. Elas promovem a maior perda de peso, mas também apresentam o maior risco de deficiências nutricionais, exigindo suplementação rigorosa e acompanhamento nutricional contínuo. O bypass em Y de Roux fica em um ponto intermediário: maior risco de deficiências que as técnicas puramente restritivas, mas menor que as derivações biliopancreáticas.
A pegadinha central desta questão está na inversão dos efeitos hormonais e na confusão entre as características das técnicas. A banca troca o papel da grelina (que diminui) e do GLP-1/PYY (que aumentam), e inverte a comparação dos riscos nutricionais entre as técnicas. Guarde a tabela abaixo, que resume as principais diferenças:
Critério
Sleeve
Bypass em Y de Roux
Derivação Biliopancreática
Mecanismo
Restritivo
Restritivo + hormonal
Restritivo + má absorção
Reversibilidade
Não
Não
Não
Perda de peso
Moderada
Alta
Muito alta
Risco de deficiências nutricionais
Menor
Intermediário
Maior
Alterações hormonais
Reduz grelina
Reduz grelina, aumenta GLP-1/PYY
Reduz grelina, aumenta GLP-1/PYY
É exatamente nesses contrastes que as alternativas se dividem: a correta descreve com precisão o mecanismo do bypass, enquanto as incorretas invertem ou confundem esses conceitos.
Cirurgia bariátrica
1Mecanismos
Restrição gástrica
Má absorção
Alterações hormonais
2Técnicas
Sleeve (restritiva)
Não reversível
Reduz grelina
Bypass em Y de Roux
Restritivo + hormonal
Reduz grelina
Aumenta GLP-1/PYY
Derivação biliopancreática
Restritivo + má absorção
Maior risco nutricional
3Risco de deficiências
Menor: restritivas
Intermediário: bypass
Maior: biliopancreática
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A gastrectomia vertical (sleeve) não é reversível — trata-se de uma ressecção gástrica definitiva. A técnica reversível é a banda gástrica ajustável, que pode ser removida. Além disso, embora a sleeve tenha menor incidência de deficiências nutricionais que o bypass, a afirmação de que essa é uma "vantagem" em conjunto com a reversibilidade está errada, pois a reversibilidade não se aplica à sleeve.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O bypass em Y de Roux é, de fato, o procedimento mais aceito no Brasil. Ele promove saciedade precoce pela redução da capacidade gástrica (bolsa gástrica pequena) e diminuição da fome por alterações hormonais — redução da grelina e aumento de GLP-1 e PYY. A alternativa descreve corretamente o mecanismo de ação da técnica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa inverte os efeitos hormonais. No bypass, os níveis de grelina (hormônio orexígeno) diminuem, e os níveis de GLP-1 e PYY (hormônios sacietógenos) aumentam. A afirmação de que a grelina aumenta e o GLP-1/PYY diminuem é exatamente o oposto do que ocorre, e por isso a perda de peso não seria duradoura.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A derivação gástrica em Y de Roux auxilia na cura ou controle das comorbidades, mas a comparação dos riscos nutricionais está invertida. O bypass apresenta maior risco de deficiências nutricionais que as cirurgias puramente restritivas (como a sleeve) e menor risco que as derivações biliopancreáticas. A alternativa afirma o contrário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A derivação biliopancreática pela técnica de Marceau-Hess (duodenal switch) é uma modificação da operação de Scopinaro, não da operação de Fobi-Capella. A operação de Fobi-Capella é uma variação do bypass gástrico em Y de Roux, enquanto o duodenal switch deriva da técnica de Scopinaro, com a adição do switch duodenal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os efeitos hormonais e as comparações de risco nutricional. Na alternativa C, ela troca o papel da grelina (que diminui) e do GLP-1/PYY (que aumentam); na D, inverte o risco de deficiências entre as técnicas. Fique atento: no bypass, a grelina cai e os sacietógenos sobem; e o risco nutricional cresce na ordem restritiva < bypass < biliopancreática. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪