Questão de Medicina — Oftalmologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg727318
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Oftalmologia
- Ahanseníase.
- Bsífilis.
- Cdoença de Behçet.
- Ddoença de Lyme.
- Edoença de Harada.
GabaritoB — sífilis.
Gabarito: letra B. As "pérolas de íris" (nódulos de Koeppe) são um sinal clássico e patognomônico da uveíte anterior granulomatosa, que na sífilis ocular se manifesta tipicamente como iridociclite com nódulos na íris — achado que, embora possa ocorrer em outras uveítes granulomatosas, é fortemente associado à sífilis na prática clínica. A questão cobra o reconhecimento dessa associação clássica entre o sinal oftalmológico e a etiologia sifilítica.
A uveíte é a inflamação da úvea — o trato vascular do olho composto por íris, corpo ciliar e coroide. Ela pode ser classificada em infecciosa (quando um patógeno é identificado) e não infecciosa (autoimune ou idiopática). Dentre as causas infecciosas, a sífilis é uma das mais importantes, especialmente na forma secundária e terciária, podendo acometer qualquer estrutura ocular, incluindo a íris. Na sífilis ocular, a uveíte anterior granulomatosa é uma apresentação frequente, e os nódulos de Koeppe — pequenas massas esbranquiçadas na borda pupilar da íris — são descritos como "pérolas de íris" pela sua aparência característica. Esses nódulos são formados por agregados de células inflamatórias (linfócitos, plasmócitos e células epitelioides) e são um marcador de inflamação granulomatosa.
É importante distinguir as uveítes granulomatosas das não granulomatosas. As granulomatosas cursam com nódulos de Koeppe (na borda pupilar) e nódulos de Busacca (na superfície da íris), além de precipitados ceráticos "em gordura de carneiro". As principais causas de uveíte granulomatosa incluem: sífilis, tuberculose, sarcoidose, doença de Vogt-Koyanagi-Harada, toxoplasmose e hanseníase. Já as não granulomatosas, como a doença de Behçet, apresentam hipópio e vasculite retiniana, sem os nódulos típicos.
A doença de Behçet, por exemplo, é uma vasculite sistêmica que cursa com uveíte difusa e vasculite retiniana em cerca de 70% dos casos, sendo a uveíte um dos critérios maiores para o diagnóstico. No entanto, a uveíte de Behçet é tipicamente não granulomatosa, com hipópio recorrente, e não apresenta "pérolas de íris". A doença de Lyme, causada pela Borrelia burgdorferi, pode causar uveíte, mas geralmente se manifesta como uveíte intermediária ou pan-uveíte, sem o padrão granulomatoso anterior típico. A doença de Harada (síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada) é uma pan-uveíte bilateral com descolamento seroso da retina, mas não é caracterizada por nódulos de íris. A hanseníase pode causar uveíte, mas o acometimento ocular mais comum é a iridociclite crônica, que pode levar à atrofia da íris, mas não é o sinal clássico de "pérolas de íris".
A pegadinha da questão está em associar o sinal "pérolas de íris" a uma uveíte granulomatosa, mas a banca quer que o candidato identifique a etiologia mais clássica e cobrada: a sífilis. Embora outras doenças granulomatosas possam apresentar nódulos de Koeppe, a sífilis é a resposta esperada em provas de oftalmologia, especialmente quando o termo "pérolas de íris" é usado. Além disso, a sífilis ocular é uma causa importante de uveíte, e o reconhecimento precoce é crucial para o tratamento adequado e prevenção de sequelas.
Guarde a associação: "pérolas de íris" = nódulos de Koeppe = uveíte granulomatosa = sífilis (na prova, a resposta mais direta). Vamos analisar cada alternativa.
A hanseníase pode causar uveíte, mas o acometimento ocular típico é a iridociclite crônica, que pode levar à atrofia da íris e à miose, mas não é caracterizada por "pérolas de íris". O sinal clássico da hanseníase ocular é a ceratite puntata ou a irite, mas não os nódulos de Koeppe. A banca coloca a hanseníase como distrator porque também é uma doença infecciosa granulomatosa, mas o sinal descrito não é o mais associado a ela.
A sífilis é a causa clássica de uveíte anterior granulomatosa com nódulos de Koeppe, descritos como "pérolas de íris". A neurossífilis e a sífilis ocular podem se manifestar com iridociclite, e o sinal de Argyll-Robertson (pupila que não reage à luz, mas reage à acomodação) também é um achado clássico da sífilis nervosa. A associação entre "pérolas de íris" e sífilis é amplamente descrita na literatura oftalmológica, sendo um sinal patognomônico dessa etiologia.
A doença de Behçet causa uveíte difusa com vasculite retiniana e hipópio, mas é uma uveíte não granulomatosa. Não apresenta nódulos de Koeppe nem "pérolas de íris". A banca coloca Behçet como distrator porque é uma causa importante de uveíte, mas o padrão clínico é diferente.
A doença de Lyme pode causar uveíte, mas geralmente se manifesta como uveíte intermediária ou pan-uveíte, sem o padrão granulomatoso anterior com nódulos de íris. O sinal "pérolas de íris" não é descrito na doença de Lyme.
A doença de Harada (síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada) é uma pan-uveíte bilateral com descolamento seroso da retina, mas não é caracterizada por nódulos de íris. O acometimento ocular é difuso, e os nódulos de Koeppe não são um achado típico.
Gabarito: letra B
Link permanente: /questoes/qg727318