Questão de Medicina — Oftalmologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oftalmologia
Código
qg727321
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oftalmologia
Existem diversos tipos de distrofias corneanas. Sobre a distrofia de Fuchs, é correto afirmar que
Aé uma doença autossômica recessiva.
Bé mais comum em homens jovens.
Ccostuma ser rapidamente progressiva e geralmente unilateral.
Dmicroscopicamente, as células epiteliais perdem a arquitetura original, tornando-se menores e polimórficas.
Eo edema inicia-se no estroma central, atingindo o epitélio e formando bolhas nas fases tardias da doença.
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GabaritoC — costuma ser rapidamente progressiva e geralmente unilateral.
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Distrofia de Fuchs: características clínicas e histopatológicas
Gabarito: letra E. A distrofia de Fuchs é uma distrofia corneana endotelial, bilateral e frequentemente assimétrica, de progressão lenta, que cursa com edema inicialmente no estroma central, evoluindo para o epitélio e formação de bolhas (fases tardias). A alternativa E descreve corretamente essa sequência fisiopatológica.
A distrofia de Fuchs é a distrofia corneana mais comum e uma das principais indicações de transplante de córnea (ceratoplastia penetrante ou endotelial). Trata-se de uma doença bilateral, embora frequentemente assimétrica, com predomínio em mulheres e início típico a partir da quinta ou sexta década de vida. A herança é autossômica dominante com penetrância variável, e não recessiva como afirma a alternativa A.
O defeito primário reside no endotélio corneano, cujas células (que não se regeneram) vão progressivamente diminuindo em número e perdendo a função de bombeamento. Com a falência endotelial, o estroma corneano acumula líquido, inicialmente na região central — daí o edema estromal central descrito na alternativa E. Com a evolução, o edema atinge o epitélio, levando à formação de bolhas epiteliais (bullae), que podem romper e causar dor intensa, sensação de corpo estranho e perda de transparência corneana. Em fases avançadas, pode haver neovascularização e fibrose subepitelial.
Microscopicamente, a alteração característica é a presença de guttata — excrescências de colágeno na membrana de Descemet, visíveis à biomicroscopia como pontos escuros no endotélio. As células endoteliais tornam-se polimórficas e pleomórficas (perdem a arquitetura hexagonal regular), mas a alternativa D erra ao atribuir essa alteração às células epiteliais — o acometimento é endotelial, não epitelial. A perda de células endoteliais leva à falência do bombeamento iônico, com consequente edema estromal.
A progressão da doença é lenta, ao longo de anos ou décadas, e não rapidamente progressiva como afirma a alternativa C. Além disso, embora possa haver assimetria, a doença é tipicamente bilateral — a unilateralidade é exceção e sugere outras etiologias de falência endotelial, como trauma ou cirurgia prévia.
A alternativa B erra ao afirmar que é mais comum em homens jovens: a doença tem predomínio no sexo feminino e início tardio, geralmente após os 50 anos. A forma precoce (distrofia de Fuchs de início precoce) é rara e também não é exclusiva de homens.
A alternativa A erra ao afirmar herança autossômica recessiva: a forma clássica é autossômica dominante com penetrância variável, embora a maioria dos casos seja esporádica. A forma de início precoce, associada a mutações no gene COL8A2, também é autossômica dominante.
1Falência endotelial
2Edema estromal central
3Edema epitelial
4Bolhas (bullae)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A distrofia de Fuchs é autossômica dominante, não recessiva. A maioria dos casos é esporádica, mas quando há história familiar, o padrão é dominante com penetrância variável. A forma de início precoce (associada ao gene COL8A2) também é dominante. A banca troca o padrão de herança — armadilha clássica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A doença é mais comum em mulheres e o início é tardio (geralmente após os 50 anos), não em homens jovens. A forma de início precoce é rara e não tem predomínio masculino. A banca inverte o sexo e a faixa etária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A progressão é lenta, ao longo de anos ou décadas, e a doença é tipicamente bilateral (embora assimétrica). A alternativa erra ao afirmar que é rapidamente progressiva e unilateral — a unilateralidade é exceção e sugere outra causa de falência endotelial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alteração microscópica descrita (células menores e polimórficas) ocorre no endotélio, não no epitélio. As células endoteliais perdem a arquitetura hexagonal e tornam-se pleomórficas, com presença de guttata na membrana de Descemet. O epitélio é acometido secundariamente, com edema e formação de bolhas, mas não é o local da alteração primária.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A sequência fisiopatológica está correta: o edema inicia-se no estroma central (devido à falência endotelial), atinge o epitélio e, nas fases tardias, forma bolhas (bullae) que podem romper, causando dor e perda de transparência. Essa é a descrição clássica da evolução da doença.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre epitélio e endotélio corneano. A distrofia de Fuchs é uma doença endotelial — o defeito primário está no endotélio, não no epitélio. A alternativa D erra exatamente ao atribuir a alteração celular ao epitélio. Lembre-se: endotélio = camada interna, responsável pelo bombeamento; epitélio = camada externa, afetada secundariamente pelo edema.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as características da distrofia de Fuchs, use o mnemônico F-U-C-H-S: Feminino (mais comum em mulheres), Unilateral é exceção (bilateral), Crônica (progressão lenta), Herança dominante, Sênior (início tardio). Na prova, desconfie de alternativas que mencionem recessividade, unilateralidade ou progressão rápida — todas são distratores clássicos.