Questão de Medicina — Oftalmologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oftalmologia
Código
qg727325
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oftalmologia
A catarata em “gota de óleo” é característica de qual doença sistêmica?
ADistrofia miotônica.
BDiabetes mellitus tipo 1.
CGalactosemia.
DEsclerose múltipla.
EDislipidemia.
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GabaritoE — Dislipidemia.
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Catarata em gota de óleo: associação com doença sistêmica
Gabarito: letra C. A catarata em "gota de óleo" (ou "óleo em água") é uma apresentação morfológica clássica e praticamente patognomônica da galactosemia, erro inato do metabolismo da galactose. O acúmulo de galactitol (dulcitol) no cristalino, por ação da aldose redutase, gera um gradiente osmótico que leva à turvação lenticular com esse aspecto peculiar — é a associação que a alternativa C espelha com precisão.
A catarata é a opacificação do cristalino, e sua morfologia pode dar pistas importantes sobre a etiologia. A forma "em gota de óleo" descreve uma opacidade central, refringente, que lembra uma gota de óleo suspensa em água — um achado que, na prática clínica, direciona imediatamente a investigação para a galactosemia. Essa doença é um erro inato do metabolismo causado pela deficiência de uma das enzimas da via de conversão da galactose em glicose (galactoquinase, galactose-1-fosfato uridiltransferase ou UDP-galactose-4-epimerase). Quando a enzima está deficiente, a galactose e seus metabólitos se acumulam; no cristalino, a aldose redutase converte a galactose em galactitol, um álcool de açúcar que não difunde facilmente pela membrana celular. O acúmulo osmótico de galactitol atrai água para dentro das fibras do cristalino, rompendo sua arquitetura e produzindo a opacificação característica.
O reconhecimento dessa associação é crucial porque a catarata pode ser a primeira manifestação da galactosemia, antes mesmo dos sintomas hepáticos ou neurológicos. Em recém-nascidos, a triagem neonatal (teste do pezinho) detecta a doença, mas em contextos sem triagem, o oftalmologista pode ser o primeiro a suspeitar ao ver a catarata típica. O tratamento precoce com dieta de exclusão de galactose pode reverter ou estabilizar a opacidade, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.
A banca explora aqui a associação automática entre catarata e diabetes (retinopatia diabética, catarata senil precoce), mas a morfologia "em gota de óleo" é específica da galactosemia. O diabetes mellitus tipo 1 pode causar catarata, mas com aspecto diferente (opacidades em flocos de neve, mais comuns em jovens). A distrofia miotônica também se associa a catarata, mas com padrão "em estrela" (opacidades posteriores subcapsulares iridescentes). A esclerose múltipla não causa catarata diretamente, mas pode cursar com neurite óptica. A dislipidemia não tem associação direta com catarata em gota de óleo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a morfologia "em gota de óleo" (galactosemia) pela associação mais comum entre catarata e diabetes. O candidato que memoriza "catarata + diabetes" sem atentar para o aspecto morfológico cai na alternativa B. A pegadinha está em reconhecer que a morfologia é o dado decisivo — não basta saber que diabetes causa catarata.
Catarata em gota de óleo
1Galactosemia (gabarito)
Acúmulo de galactitol no cristalino
Gradiente osmótico → turvação
2Diagnósticos diferenciais
Diabetes tipo 1 → flocos de neve
Distrofia miotônica → estrela/árvore de Natal
Esclerose múltipla → neurite óptica (sem catarata)
Dislipidemia → sem associação
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A distrofia miotônica (tipo 1 e 2) associa-se a catarata, mas com padrão morfológico diferente: opacidades posteriores subcapsulares iridescentes, descritas como "em estrela" ou "em árvore de Natal". Não é a morfologia "em gota de óleo". A distrofia miotônica é uma doença multissistêmica com miotonia, fraqueza distal, cataratas e distúrbios de condução cardíaca, mas a catarata não tem o aspecto de gota de óleo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O diabetes mellitus tipo 1 pode causar catarata, especialmente em pacientes jovens com mau controle glicêmico, mas a morfologia típica é de opacidades em "flocos de neve" ou "snowflake", não "em gota de óleo". A retinopatia diabética é a complicação ocular mais temida, mas a catarata diabética tem apresentação diferente. A banca explora a associação epidemiológica comum entre diabetes e catarata, mas a morfologia descrita no enunciado aponta para outra doença.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A galactosemia é o erro inato do metabolismo da galactose que produz a catarata "em gota de óleo". O mecanismo envolve o acúmulo de galactitol no cristalino, que por osmose atrai água e rompe as fibras lenticulares, criando a opacidade central refringente característica. É um achado tão específico que, na ausência de triagem neonatal, o oftalmologista pode ser o primeiro a suspeitar da doença. O tratamento com dieta de exclusão de galactose pode reverter a catarata se iniciado precocemente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A esclerose múltipla é uma doença desmielinizante do sistema nervoso central que pode cursar com neurite óptica (inflamação do nervo óptico), mas não causa catarata. A associação ocular na esclerose múltipla é com uveíte e neurite óptica, não com opacificação do cristalino. A banca inclui essa alternativa para testar se o candidato confunde as complicações oculares de doenças neurológicas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A dislipidemia não tem associação direta com catarata em gota de óleo. Embora a dislipidemia seja fator de risco para doenças cardiovasculares e possa estar associada a xantelasmas (depósitos de colesterol nas pálpebras), não há relação com a morfologia lenticular descrita. A catarata senil (relacionada à idade) é mais comum, mas não tem essa apresentação específica.
Gabarito: letra C — a catarata em "gota de óleo" é característica da galactosemia.