Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg727338
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
Paciente de 67 anos, portador de adenocarcinoma de pulmão metastático, encontra-se em tratamento com imunoterapia há 12 semanas. A tomografia de reavaliação mostra:• soma dos diâmetros dos 5 alvos: redução de 18% em relação ao baseline;• lesões não alvo: estáveis;• novo linfonodo mediastinal de 10 mm no eixo curto (não havia previamente);• sem sintomas novos.Segundo os critérios RECIST 1.1 e considerando os desafios em imunoterapia descritos na literatura, qual é a interpretação mais adequada desse cenário?
  1. AResposta parcial, caracterizada por redução superior a 30% na soma dos diâmetros das lesões-alvo.
  2. BDoença estável, sem critérios suficientes para resposta ou progressão.
  3. CProgressão da doença, caracterizada pelo surgimento de nova lesão mensurável.
  4. DProgressão de doença não confirmada associada à imunoterapia, com necessidade de nova avaliação.
  5. EResposta completa, com desaparecimento de todas as lesões-alvo e não alvo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Progressão de doença não confirmada associada à imunoterapia, com necessidade de nova avaliação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação de resposta tumoral em imunoterapia: RECIST 1.1 e o fenômeno da pseudoprogressão

Gabarito: letra D. O cenário descrito — redução de 18% na soma dos diâmetros das lesões-alvo (insuficiente para resposta parcial, que exige ≥30%), lesões não alvo estáveis e surgimento de um novo linfonodo de 10 mm — configura, pelos critérios RECIST 1.1, progressão da doença. Contudo, em pacientes em imunoterapia, esse achado pode representar pseudoprogressão, um fenômeno em que há crescimento aparente ou surgimento de novas lesões antes da resposta efetiva, o que justifica a necessidade de nova avaliação para confirmar a progressão antes de mudar a conduta. A alternativa D captura exatamente essa nuance: "progressão de doença não confirmada associada à imunoterapia, com necessidade de nova avaliação".

O RECIST 1.1 (Response Evaluation Criteria in Solid Tumors) é o sistema internacionalmente aceito para padronizar a avaliação de resposta tumoral em ensaios clínicos e na prática oncológica. Ele classifica a resposta em quatro categorias principais, com base na variação da soma dos diâmetros das lesões-alvo e no status das lesões não alvo:

Categoria

Critério (lesões-alvo)

Critério (lesões não alvo)

Resposta Completa (RC)

Desaparecimento de todas as lesões-alvo

Desaparecimento de todas as lesões não alvo

Resposta Parcial (RP)

Redução ≥ 30% na soma dos diâmetros

Estáveis ou redução

Doença Estável (DE)

Nem redução suficiente para RP nem aumento suficiente para PD

Estáveis

Progressão da Doença (PD)

Aumento ≥ 20% na soma dos diâmetros (com aumento absoluto ≥ 5 mm) OU surgimento de nova lesão

Progressão inequívoca OU surgimento de nova lesão

No caso apresentado, a redução de 18% não atinge o limiar de 30% para resposta parcial, e o surgimento de um novo linfonodo de 10 mm (acima do limite de 10 mm para ser considerado mensurável) configura, tecnicamente, progressão da doença pelos critérios RECIST 1.1. No entanto, a questão introduz um elemento crucial: o paciente está em imunoterapia há 12 semanas. É aqui que entra o conceito de pseudoprogressão.

A imunoterapia, particularmente com inibidores de checkpoint imunológico (anti-PD-1, anti-PD-L1, anti-CTLA-4), atua reativando o sistema imunológico do paciente para combater o tumor. Esse mecanismo de ação pode levar a um fenômeno paradoxal: o tumor pode parecer crescer ou novas lesões podem surgir antes de uma resposta efetiva. Isso ocorre porque a infiltração de células inflamatórias (linfócitos T, macrófagos) no tumor pode aumentar seu tamanho aparente na tomografia, ou porque lesões que antes não eram visíveis tornam-se detectáveis devido à inflamação. Esse fenômeno é denominado pseudoprogressão e é uma das principais razões pelas quais os critérios RECIST 1.1, originalmente desenvolvidos para quimioterapia citotóxica, podem não ser adequados para avaliar a resposta à imunoterapia.

Para lidar com essa limitação, foram desenvolvidos critérios modificados, como o iRECIST (immune-related RECIST), que introduzem o conceito de progressão não confirmada (iUPD). No iRECIST, quando há progressão pelos critérios RECIST 1.1, mas o paciente está clinicamente estável, a progressão é considerada "não confirmada" e uma nova avaliação é recomendada em 4 a 8 semanas para confirmar ou refutar a progressão real. Se na reavaliação houver redução ou estabilidade, a progressão é reclassificada como resposta ou doença estável. Essa abordagem evita a descontinuação prematura de um tratamento potencialmente eficaz.

A alternativa D reflete exatamente essa abordagem: reconhece que, pelos critérios RECIST 1.1, há progressão, mas, no contexto da imunoterapia, essa progressão pode não ser real (pseudoprogressão), exigindo nova avaliação para confirmação. É a interpretação mais adequada e clinicamente segura.

A pegadinha central desta questão é a tentação de aplicar os critérios RECIST 1.1 de forma mecânica, sem considerar o contexto da imunoterapia. O candidato que simplesmente identifica o surgimento de nova lesão e marca "progressão da doença" (alternativa C) ignora o fenômeno da pseudoprogressão, que é um conceito fundamental na oncologia moderna. A banca testa exatamente essa capacidade de integrar o conhecimento dos critérios de resposta com a compreensão dos mecanismos de ação das novas terapias.

Avaliação de resposta (RECIST 1.1)
  • 1Lesões-alvo
    • Resposta parcial: redução ≥ 30%
    • Progressão: aumento ≥ 20% (+5 mm)
  • 2Lesões não alvo
    • Progressão inequívoca
  • 3Nova lesão
    • Progressão imediata
  • 4Imunoterapia (iRECIST)
    • Pseudoprogressão
      • Infiltrado inflamatório
      • Crescimento aparente
    • Progressão não confirmada (iUPD)
      • Nova avaliação em 4-8 semanas
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há resposta parcial, caracterizada por redução superior a 30% na soma dos diâmetros. No caso, a redução foi de apenas 18%, insuficiente para o limiar de resposta parcial (≥30%). O erro está em não verificar o percentual de redução exigido pelo RECIST 1.1.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há doença estável, sem critérios para resposta ou progressão. No entanto, o surgimento de um novo linfonodo de 10 mm (mensurável) configura progressão da doença pelos critérios RECIST 1.1, mesmo com a redução de 18% nas lesões-alvo. O erro está em ignorar o critério de progressão por surgimento de nova lesão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há progressão da doença, caracterizada pelo surgimento de nova lesão mensurável. Tecnicamente, isso é verdade pelos critérios RECIST 1.1. No entanto, a alternativa ignora o contexto da imunoterapia e o fenômeno da pseudoprogressão, que exige nova avaliação antes de confirmar a progressão. A alternativa D é mais adequada por considerar esse aspecto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa reconhece que, pelos critérios RECIST 1.1, há progressão (surgimento de nova lesão), mas, no contexto da imunoterapia, essa progressão pode ser uma pseudoprogressão, exigindo nova avaliação para confirmação. Essa é a interpretação mais adequada e clinicamente segura, alinhada com os critérios iRECIST.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há resposta completa, com desaparecimento de todas as lesões-alvo e não alvo. No caso, há redução de apenas 18% nas lesões-alvo e surgimento de nova lesão, o que está muito distante do critério de resposta completa (desaparecimento de todas as lesões). O erro é evidente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a aplicação mecânica do RECIST 1.1. O candidato que identifica o surgimento de nova lesão e marca "progressão da doença" (alternativa C) cai na armadilha, pois ignora o fenômeno da pseudoprogressão em imunoterapia. A chave é lembrar que, em pacientes em imunoterapia, a progressão deve ser confirmada com nova avaliação antes de mudar a conduta.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de avaliação de resposta em imunoterapia, lembre-se sempre do conceito de pseudoprogressão e dos critérios iRECIST. Quando houver progressão pelos critérios RECIST 1.1, mas o paciente estiver clinicamente estável, a conduta é repetir a avaliação em 4-8 semanas para confirmar ou refutar a progressão. Essa é a abordagem que a banca espera.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/qg727338