Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg727339
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
Sobrevivente de câncer de pulmão metastático em tratamento paliativo sistêmico apresenta piora progressiva de dispneia e ansiedade, além de múltiplas consultas não programadas. Ele ainda está orientado e deseja manter o tratamento ativo, mas relata sofrimento físico e emocional significativo. Considerando os princípios do cuidado paliativo oncológico, qual é a conduta mais adequada nesse momento?
AIntensificar exclusivamente o tratamento oncológico modificando o esquema sistêmico.
BPriorizar apenas intervenções farmacológicas para controle de sintomas pela equipe de oncologia geral.
CAguardar sinais de refratariedade clínica antes de envolver cuidados paliativos especializados.
DEncaminhar o paciente para equipe especializada de cuidados paliativos de forma precoce e interdisciplinar.
EIndicar encaminhamento para cuidados paliativos somente quando houver decisão de suspender tratamentos antineoplásicos.
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GabaritoD — Encaminhar o paciente para equipe especializada de cuidados paliativos de forma precoce e interdisciplinar.
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Cuidados paliativos oncológicos: integração precoce e interdisciplinar
Gabarito: letra D. O paciente com câncer de pulmão metastático em tratamento paliativo, com piora de dispneia e ansiedade e múltiplas consultas não programadas, deve ser encaminhado precocemente para equipe especializada de cuidados paliativos, de forma interdisciplinar — princípio central da OMS e da prática oncológica moderna, que preconiza a integração dos cuidados paliativos desde o diagnóstico, em conjunto com o tratamento modificador da doença.
Os cuidados paliativos são uma abordagem que visa à prevenção e ao alívio do sofrimento, por meio da identificação precoce e da avaliação e tratamento impecáveis da dor e de outros problemas físicos, psicossociais e espirituais. Não se destinam apenas a pacientes terminais: são indicados para qualquer pessoa que convive com doença que ameaça a vida, independentemente do diagnóstico, prognóstico ou idade, podendo complementar e até melhorar o tratamento modificador da doença.
O princípio norteador mais importante para esta questão é o de iniciar cuidados paliativos o mais precocemente possível, em conjunto com outras terapias curativas e de prolongamento da vida, como quimioterapia ou radioterapia. Ou seja, não se deve esperar a refratariedade clínica ou a decisão de suspender tratamentos antineoplásicos para envolver a equipe de cuidados paliativos — essa visão é ultrapassada e prejudica o paciente.
Na prática, o paciente do enunciado apresenta sinais claros de que se beneficiaria da abordagem paliativa especializada: doença metastática (condição ameaçadora à vida), piora progressiva de dispneia e ansiedade (sintomas físicos e psicológicos de difícil controle), múltiplas consultas não programadas (necessidade complexa de cuidado) e sofrimento significativo. A pergunta "Você ficaria surpreso se esse paciente morresse nos próximos 12 meses?" ajuda a identificar quem se beneficiaria da abordagem paliativista — e, neste caso, a resposta seria "não", indicando a necessidade de integração precoce.
A distinção crucial que a banca explora é entre cuidados paliativos como fase final (visão antiga, restrita à terminalidade) e cuidados paliativos como abordagem integrada (visão moderna, desde o diagnóstico). O paciente ainda deseja tratamento ativo e está orientado — isso não impede, mas reforça, a indicação de cuidados paliativos, que atuam em paralelo ao tratamento oncológico, controlando sintomas e melhorando a qualidade de vida.
A equipe deve ser multiprofissional e interdisciplinar, com atuação conjunta de médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais e outros profissionais, propiciando uma visão mais completa do paciente, de sua família e da realidade social em que vivem. O encaminhamento precoce para essa equipe é a conduta mais adequada, pois permite abordar simultaneamente o sofrimento físico (dispneia), emocional (ansiedade) e as necessidades complexas de cuidado.
Guarde a fronteira entre cuidados paliativos precoces e integrados versus cuidados paliativos tardios e exclusivos para terminalidade: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Cuidados paliativos oncológicos
1Visão moderna (correta)
Início precoce, desde o diagnóstico
Integrados ao tratamento ativo
Equipe interdisciplinar
Alívio de sofrimento físico, psicossocial e espiritual
2Visão ultrapassada (errada)
Restritos à terminalidade
Aguardar refratariedade clínica
Somente após suspender antineoplásicos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Intensificar exclusivamente o tratamento oncológico modificando o esquema sistêmico ignora o sofrimento físico e emocional do paciente. A conduta correta não é abandonar o tratamento oncológico, mas integrar os cuidados paliativos a ele. Modificar o esquema sistêmico pode ser uma decisão válida, mas não é a conduta mais adequada diante da piora de dispneia e ansiedade — que exigem abordagem sintomática e interdisciplinar imediata, não apenas troca de quimioterápico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Priorizar apenas intervenções farmacológicas para controle de sintomas pela equipe de oncologia geral é insuficiente. O cuidado paliativo é interdisciplinar, envolvendo aspectos físicos, psicossociais e espirituais — não se resume a medicamentos. Além disso, a equipe de oncologia geral pode não ter a expertise específica para o manejo complexo de sintomas como dispneia refratária e ansiedade, sendo recomendado o envolvimento de equipe especializada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Aguardar sinais de refratariedade clínica antes de envolver cuidados paliativos especializados contraria o princípio da integralidade e precocidade. Os cuidados paliativos devem ser iniciados o mais breve possível, concomitantemente aos cuidados curativos, e não apenas quando o tratamento modificador falha. Esperar a refratariedade significa privar o paciente de alívio de sintomas e suporte emocional durante um período crítico de sua doença.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Encaminhar o paciente para equipe especializada de cuidados paliativos de forma precoce e interdisciplinar é a conduta mais adequada. O paciente apresenta doença metastática, piora de dispneia e ansiedade, múltiplas consultas não programadas e sofrimento significativo — todos indicadores de necessidade de abordagem paliativa especializada. A integração precoce, em paralelo ao tratamento oncológico ativo, melhora a qualidade de vida, controla sintomas e oferece suporte ao paciente e à família, conforme preconizado pela OMS.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Indicar encaminhamento para cuidados paliativos somente quando houver decisão de suspender tratamentos antineoplásicos reflete a visão ultrapassada de que paliativo é sinônimo de terminalidade. Os cuidados paliativos devem ser oferecidos desde o diagnóstico, em conjunto com o tratamento modificador da doença, e não apenas quando se decide interromper a quimioterapia. Essa alternativa inverte o princípio da precocidade e prejudica o paciente, que deixa de receber alívio de sintomas e suporte emocional durante todo o curso da doença.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre cuidados paliativos precoces e integrados (visão moderna) e cuidados paliativos tardios, restritos à terminalidade (visão antiga). As alternativas C e E refletem exatamente essa visão ultrapassada: esperar refratariedade ou suspensão do tratamento antineoplásico. Lembre-se: paliativo não é "desistir" — é cuidar ativamente desde o diagnóstico, em paralelo ao tratamento oncológico. Com esse conceito claro, você elimina C e E na hora.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando a questão falar de paciente com doença avançada/ameaçadora à vida e sintomas de difícil controle (dispneia, dor, ansiedade), a resposta quase sempre envolve cuidados paliativos precoces e interdisciplinares. Desconfie de alternativas que adiem, restrinjam ou excluam a abordagem paliativa — elas contrariam o princípio da integralidade. E lembre: o tratamento oncológico ativo e os cuidados paliativos não são excludentes; eles caminham juntos.