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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg727342
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
Um homem de 62 anos em tratamento para carcinoma pulmonar não pequenas células recebe carboplatina + paclitaxel. No 12º dia do ciclo, procura a emergência com febre (38,9 °C), calafrios e prostração. Exames revelam: leucócitos 900/mm³, neutrófilos absolutos 400/mm³, creatinina normal e radiografia de tórax sem infiltrados. Qual é a conduta inicial mais adequada nesse caso?
  1. AAlta ambulatorial com antibioticoterapia oral e retorno em 48 horas.
  2. BIniciar antibioticoterapia venosa de amplo espectro imediatamente e internação.
  3. CAdministrar fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF) como medida isolada, sem antibioticoterapia.
  4. DRepetir hemograma em 6 horas antes de decidir a conduta.
  5. ESuspender definitivamente o tratamento quimioterápico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Iniciar antibioticoterapia venosa de amplo espectro imediatamente e internação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neutropenia Febril: Emergência Oncológica

Gabarito: letra B. Paciente oncológico em quimioterapia mielossupressora (carboplatina + paclitaxel) apresenta febre e neutropenia grave (neutrófilos < 500/mm³), configurando neutropenia febril de alto risco — condição que exige antibioticoterapia venosa empírica de amplo espectro imediatamente e internação hospitalar, conforme as diretrizes da IDSA/ASCO e da NCCN. A conduta não pode ser adiada por exames complementares, nem tratada ambulatorialmente, nem resolvida com fator de crescimento isolado.

A neutropenia febril é a complicação mais temida da quimioterapia citotóxica. Define-se pela presença de febre (temperatura oral ≥ 38,3 °C em uma única aferição ou ≥ 38,0 °C por mais de uma hora) em paciente com neutropenia (contagem absoluta de neutrófilos < 500/mm³, ou < 1.000/mm³ com previsão de queda para < 500/mm³ nas próximas 48 horas). A febre pode ser a única manifestação de uma infecção grave, pois a resposta inflamatória está comprometida pela falta de neutrófilos — por isso, a ausência de infiltrado pulmonar na radiografia (como no caso) não exclui pneumonia ou sepse.

A gravidade do quadro é estratificada pelo Índice de MASCC (Multinational Association for Supportive Care in Cancer), que considera: carga de sintomas, ausência de hipotensão, ausência de DPOC, presença de tumor sólido ou ausência de infecção fúngica prévia, ausência de desidratação, estado ambulatorial no início da febre e idade < 60 anos. Pacientes com MASCC ≥ 21 são considerados de baixo risco e podem, em situações selecionadas, receber antibioticoterapia oral ambulatorial. Já os de alto risco (MASCC < 21, ou presença de qualquer critério de gravidade como hipotensão, insuficiência respiratória, confusão mental, ou neutropenia profunda e prolongada) devem ser internados e tratados com antibióticos venosos de amplo espectro em até 1 hora após a apresentação.

No caso em tela, o paciente tem 62 anos (idade ≥ 60 já reduz o escore MASCC), neutrófilos de 400/mm³ (neutropenia profunda) e febre com calafrios e prostração — um quadro de alto risco inequívoco. A conduta correta é iniciar imediatamente antibioticoterapia venosa empírica, cobrindo Gram-negativos (incluindo Pseudomonas aeruginosa), com esquemas como cefepime, piperacilina-tazobactam ou carbapenêmico (meropenem), e internar o paciente para monitorização e suporte. A demora para repetir exames ou a tentativa de tratamento ambulatorial pode ser fatal.

O fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF) não é tratamento da neutropenia febril estabelecida — seu papel é profilático em pacientes de alto risco de desenvolver neutropenia febril (como aqueles com quimioterapia de alta densidade ou com história prévia). Na vigência de febre e neutropenia, o G-CSF pode ser considerado como adjuvante em situações específicas (ex.: pneumonia, hipotensão, infecção fúngica), mas nunca substitui a antibioticoterapia, que é a medida urgente e essencial. A suspensão definitiva da quimioterapia também não é a conduta inicial — a decisão sobre ajuste de dose ou troca de esquema é do oncologista, após a resolução do episódio infeccioso.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que a neutropenia febril é uma emergência médica que não espera: a conduta inicial é sempre antibiótico venoso de amplo espectro + internação, independentemente de o foco infeccioso ser identificado ou não. A radiografia de tórax normal não tranquiliza, e a repetição do hemograma em 6 horas atrasaria o tratamento de uma condição potencialmente fatal. Guarde o fluxo: febre + neutropenia → estratificar risco → alto risco = internação + ATB IV imediato.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Alta ambulatorial com antibiótico oral é conduta reservada a pacientes de baixo risco (MASCC ≥ 21), sem comorbidades, com bom estado geral e possibilidade de seguimento próximo. O paciente do caso tem 62 anos, neutropenia profunda (400/mm³) e prostração — critérios de alto risco, que contraindicam tratamento ambulatorial. A demora na internação pode levar a sepse e óbito.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta inicial mais adequada é iniciar antibioticoterapia venosa de amplo espectro imediatamente e internar o paciente. A neutropenia febril de alto risco exige antibiótico empírico em até 1 hora, cobrindo Gram-negativos (incluindo Pseudomonas), com esquemas como cefepime, piperacilina-tazobactam ou meropenem. A internação permite monitorização hemodinâmica, suporte e ajuste terapêutico conforme a evolução.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Administrar G-CSF como medida isolada, sem antibioticoterapia, é erro grave. O G-CSF não trata a infecção estabelecida — seu papel é profilático ou adjuvante, nunca substituto do antibiótico. Na neutropenia febril aguda, a prioridade absoluta é a cobertura antimicrobiana empírica venosa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Repetir o hemograma em 6 horas antes de decidir a conduta atrasa o tratamento de uma emergência. A decisão de internar e iniciar antibiótico deve ser imediata, baseada nos dados já disponíveis (febre + neutropenia grave). Aguardar a repetição do exame pode permitir a progressão para sepse e choque séptico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Suspender definitivamente o tratamento quimioterápico não é a conduta inicial. A decisão sobre ajuste de dose, atraso ou troca de esquema quimioterápico é do oncologista, tomada após a resolução do episódio infeccioso. A prioridade imediata é tratar a infecção, não modificar o tratamento oncológico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o tratamento da neutropenia febril (antibiótico IV imediato) e a profilaxia com G-CSF. Muitos candidatos marcam a alternativa C por associar o fator de crescimento à neutropenia, mas ele não tem papel no tratamento da infecção estabelecida. Lembre-se: febre + neutropenia = antibiótico venoso agora, G-CSF é só adjuvante ou profilático.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de neutropenia febril, siga o fluxo: 1) confirmar febre e neutropenia; 2) estratificar risco (MASCC ou critérios clínicos); 3) se alto risco → internação + ATB IV empírico em até 1 hora. Decore os esquemas de primeira linha: cefepime, piperacilina-tazobactam ou meropenem. E lembre: radiografia normal não exclui infecção, e G-CSF não trata febre.

Gabarito: letra B

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