Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg727347
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
Sobre o estadiamento e a avaliação diagnóstica inicial dos tumores de cabeça e pescoço, assinale a alternativa que está de acordo com as recomendações mais atuais.
  1. APET-CT deve substituir completamente o exame endoscópico inicial.
  2. BTC sem contraste é preferível à TC com contraste para avaliação inicial do tumor primário.
  3. CA biópsia cirúrgica aberta de linfonodo cervical deve ser realizada rotineiramente antes de PAAF.
  4. DO estadiamento TNM atual não diferencia tumores HPV-positivos e HPV-negativos da orofaringe.
  5. EA detecção de p16 por imuno-histoquímica é um método amplamente aceito como marcador substituto de HPV em tumores de orofaringe.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — A detecção de p16 por imuno-histoquímica é um método amplamente aceito como marcador substituto de HPV em tumores de orofaringe.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estadiamento e avaliação diagnóstica dos tumores de cabeça e pescoço

Gabarito: letra E. A detecção de p16 por imuno-histoquímica é amplamente aceita como marcador substituto de infecção por HPV nos tumores de orofaringe, sendo o método que permite a classificação prognóstica e terapêutica desses pacientes — exatamente o que a alternativa E afirma. As demais alternativas contrariam as recomendações atuais: o PET-CT não substitui a endoscopia, a TC com contraste é preferível, a biópsia aberta não é rotina antes da punção aspirativa por agulha fina (PAAF) e o TNM da 8ª edição diferencia tumores HPV-positivos e HPV-negativos da orofaringe.

O estadiamento do câncer de cabeça e pescoço segue o sistema TNM (tumor, node, metastasis) do American Joint Committee on Cancer (AJCC), hoje em sua 8ª edição. Esse sistema classifica a extensão do tumor primário (T), o acometimento linfonodal (N) e a presença de metástases (M), incorporando variáveis prognósticas além da anatomia — como fatores histológicos, imuno-histoquímicos e moleculares. No caso específico da orofaringe, a 8ª edição do TNM incorporou o status do HPV ao estadiamento, reconhecendo que os tumores HPV-positivos têm biologia distinta e prognóstico significativamente melhor que os HPV-negativos. Essa diferenciação é fundamental porque altera o manejo: pacientes com doença HPV-positiva, mesmo com apresentação linfonodal avançada, podem ser candidatos a estratégias de desescalonamento de tratamento.

O diagnóstico do carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço exige biópsia. A laringoscopia direta com biópsia é recomendada para identificar o sítio primário. Para a avaliação inicial, a tomografia computadorizada (TC) com contraste é o exame de imagem preferido, pois permite avaliar a extensão do tumor primário e o comprometimento linfonodal com melhor definição. O PET-CT é um exame complementar valioso, especialmente para detectar doença metastática e recidivas, mas não substitui a avaliação endoscópica nem a biópsia — ele não fornece diagnóstico histológico. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é o método inicial de escolha para avaliação de linfonodo cervical suspeito, sendo menos invasiva e com menor morbidade que a biópsia cirúrgica aberta, que fica reservada para casos em que a PAAF é inconclusiva ou não diagnóstica.

A relação entre HPV e câncer de orofaringe é um marco na oncologia moderna. Os tumores HPV-positivos apresentam perfil molecular distinto: expressam a proteína p16-INK4a em níveis elevados, enquanto os HPV-negativos frequentemente apresentam mutações no gene TP53 e baixa expressão de p16. A imuno-histoquímica para p16 é o método mais utilizado e amplamente aceito como marcador substituto de infecção por HPV, com ponto de corte de expressão superior a 70% para definir positividade. Essa distinção é tão relevante que o estadiamento TNM da 8ª edição criou categorias específicas para tumores de orofaringe HPV-positivos, reconhecendo seu melhor prognóstico.

A pegadinha central desta questão está na alternativa D: ela afirma que o TNM atual não diferencia tumores HPV-positivos e HPV-negativos, quando na verdade a 8ª edição faz exatamente essa distinção para a orofaringe. A banca explora a confusão entre o que era válido em edições anteriores e o que é recomendado atualmente. Guarde este critério: na orofaringe, o status do HPV (avaliado por p16) é parte integrante do estadiamento — é nele que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o PET-CT deve substituir completamente o exame endoscópico inicial. Isso é falso: o PET-CT é um exame de imagem funcional que complementa a avaliação, mas não substitui a endoscopia, que permite a visualização direta da lesão e a realização de biópsia para diagnóstico histológico. O diagnóstico de carcinoma de células escamosas exige biópsia, e a laringoscopia direta é recomendada para localizar o sítio primário. O PET-CT não fornece diagnóstico histológico e não substitui a avaliação endoscópica inicial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a TC sem contraste é preferível à TC com contraste para avaliação inicial do tumor primário. É o oposto: a TC com contraste é o exame de imagem preferido para avaliação inicial, pois o contraste permite melhor delimitação do tumor primário e do comprometimento linfonodal, distinguindo melhor as estruturas vasculares e os tecidos moles. A TC sem contraste tem menor sensibilidade para essas avaliações e não é a recomendação atual.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a biópsia cirúrgica aberta de linfonodo cervical deve ser realizada rotineiramente antes da PAAF. É o contrário: a PAAF é o método inicial de escolha para avaliação de linfonodo cervical suspeito, por ser menos invasiva, de menor custo e com menor morbidade. A biópsia cirúrgica aberta é reservada para casos em que a PAAF é inconclusiva ou não diagnóstica, não sendo realizada rotineiramente antes dela.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o estadiamento TNM atual não diferencia tumores HPV-positivos e HPV-negativos da orofaringe. Isso é falso: a 8ª edição do TNM da AJCC incorporou o status do HPV ao estadiamento especificamente para tumores de orofaringe (base da língua e tonsilas), criando categorias distintas para doença HPV-positiva e HPV-negativa, reconhecendo o melhor prognóstico da primeira. A alternativa inverte a realidade do sistema atual.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a detecção de p16 por imuno-histoquímica é um método amplamente aceito como marcador substituto de HPV em tumores de orofaringe. Isso está correto: a imuno-histoquímica para p16 é o método mais utilizado e aceito para determinar o status de HPV, com expressão superior a 70% estabelecendo o diagnóstico de doença HPV-positiva. Esse marcador é parte integrante do estadiamento e da avaliação prognóstica dos tumores de orofaringe na 8ª edição do TNM.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/qg727347