Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg727351
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
De acordo com diretrizes recentes para tumores hepatobiliares, qual critério diagnóstico por imagem é suficiente para estabelecer o diagnóstico de carcinoma hepatocelular (HCC) sem necessidade de biópsia, em paciente com cirrose conhecida?
  1. ALesão ≥ 1 cm com realce arterial e lavagem do contraste (“washout”) venosa em TC ou RM dinâmica.
  2. BLesão ≥ 5 cm, independentemente do padrão de realce.
  3. CLesão com restrição à difusão isolada em RM.
  4. DPresença de nódulo hipervascular sem lavagem do contraste (“washout”) na fase portal.
  5. EQualquer nódulo novo identificado por ultrassom, independentemente do padrão de realce.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Lesão ≥ 1 cm com realce arterial e lavagem do contraste (“washout”) venosa em TC ou RM dinâmica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma hepatocelular: critérios diagnósticos por imagem

Gabarito: letra A. Em paciente com cirrose conhecida, o diagnóstico de carcinoma hepatocelular (CHC) pode ser estabelecido sem biópsia quando a lesão tem ≥ 1 cm e apresenta realce arterial com lavagem do contraste (washout) na fase venosa/portal em TC ou RM dinâmica — critério consagrado pelas diretrizes internacionais (AASLD, EASL, LI-RADS). As demais alternativas omitem o padrão de realce essencial ou exigem achados insuficientes ou incorretos.

O carcinoma hepatocelular é a neoplasia maligna primária mais comum do fígado e, na grande maioria dos casos, surge sobre um fígado cirrótico. A cirrose — seja por hepatite B, hepatite C, álcool, hemocromatose ou outras causas — cria o substrato para a transformação maligna dos hepatócitos. O diagnóstico precoce é fundamental, pois lesões pequenas podem ser tratadas com ressecção cirúrgica, ablação ou transplante hepático, com sobrevida em 5 anos que pode chegar a 70% em pacientes bem selecionados.

A grande particularidade do CHC é que, ao contrário da maioria das neoplasias sólidas, o diagnóstico pode ser firmado sem confirmação histológica em pacientes com cirrose, desde que os exames de imagem mostrem o padrão típico. Esse padrão reflete a vascularização peculiar do tumor: o CHC é uma lesão hipervascular, com artérias neoformadas que promovem um realce intenso na fase arterial do contraste; em seguida, o contraste é rapidamente eliminado do tumor, enquanto o parênquima hepático adjacente (cirrótico, com circulação predominantemente portal) ainda o retém — fenômeno chamado de lavagem ou washout na fase venosa/portal. É exatamente essa combinação — realce arterial + washout venoso — que torna o diagnóstico altamente específico, dispensando a biópsia.

As diretrizes atuais (AASLD, EASL e o sistema LI-RADS) estabelecem que, em paciente com cirrose, um nódulo ≥ 1 cm com esse padrão de realce em TC ou RM dinâmica é diagnóstico de CHC. O tamanho mínimo de 1 cm é importante porque nódulos menores que isso têm alta chance de serem nódulos displásicos ou regenerativos, e o padrão de realce pode não ser confiável. Vale destacar que a ultrassonografia, embora seja o método de rastreamento recomendado (a cada 6 meses, com alfafetoproteína), não é suficiente para o diagnóstico definitivo — ela apenas identifica o nódulo suspeito, que deve ser caracterizado por TC ou RM com contraste.

A pegadinha central desta questão é a tentação de considerar qualquer nódulo hipervascular como CHC. O realce arterial isolado, sem washout, pode ocorrer em outras lesões, como a hiperplasia nodular focal (HNF) — que, aliás, é uma lesão benigna que também realça na fase arterial, mas não apresenta washout (na verdade, pode ter washout tardio, mas não na fase portal/venosa). Por isso, a alternativa D, que menciona nódulo hipervascular sem washout, está incorreta: sem o washout, o diagnóstico não pode ser firmado apenas pela imagem. Da mesma forma, a restrição à difusão isolada em RM (alternativa C) é um achado inespecífico, presente em várias lesões, e não faz parte dos critérios diagnósticos estabelecidos.

Guarde o binômio realce arterial + washout venoso como o critério de ouro para o diagnóstico não invasivo do CHC em cirróticos: é exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

1Requisitos (cirrótico)
Lesão ≥ 1 cm
TC ou RM dinâmica
Realce arterial
Washout venoso/portal
2Não são critérios
Tamanho isolado (≥ 5 cm)
Restrição à difusão isolada
Realce arterial sem washout
Nódulo novo à US
3Papel da US
Rastreamento (6/6 meses)
Não diagnostica
Diagnóstico de CHC sem biópsia
LEVELsoulevel.com.br
Diagnóstico de CHC sem biópsia: Requisitos (cirrótico) (Lesão ≥ 1 cm, TC ou RM dinâmica, Realce arterial, Washout venoso/portal); Não são critérios (Tamanho isolado (≥ 5 cm), Restrição à difusão isolada, Realce arterial sem washout, Nódulo novo à US); Papel da US (Rastreamento (6/6 meses), Não diagnostica)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa que reproduz fielmente o critério diagnóstico estabelecido pelas diretrizes internacionais (AASLD, EASL, LI-RADS). Em paciente com cirrose, uma lesão ≥ 1 cm que apresenta realce na fase arterial e lavagem do contraste (washout) na fase venosa/portal em TC ou RM dinâmica é diagnosticada como CHC, sem necessidade de biópsia. O tamanho mínimo de 1 cm é crucial: nódulos menores que isso têm alta probabilidade de serem benignos (displásicos ou regenerativos), e o padrão de realce pode não ser confiável. O washout venoso é o achado que confere alta especificidade ao diagnóstico, pois reflete a rápida eliminação do contraste pelo tumor em relação ao parênquima cirrótico adjacente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que uma lesão ≥ 5 cm é suficiente para o diagnóstico, independentemente do padrão de realce. Isso está errado: o tamanho isolado não é critério diagnóstico. Uma lesão grande pode ser benigna (ex.: hemangioma gigante, hiperplasia nodular focal) ou metastática. O diagnóstico de CHC exige o padrão vascular típico (realce arterial + washout venoso), independentemente do tamanho. O tamanho de 5 cm é relevante em outro contexto: nos critérios de Milão para transplante hepático (tumor solitário ≤ 5 cm ou até 3 tumores < 3 cm), mas não como critério diagnóstico isolado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A restrição à difusão isolada em RM não é critério diagnóstico de CHC. A difusão restrita é um achado inespecífico, presente em várias lesões hepáticas (abscessos, metástases, linfomas) e não faz parte dos critérios estabelecidos pelas diretrizes. O diagnóstico por imagem do CHC baseia-se exclusivamente no padrão de realce dinâmico do contraste (arterial + washout), não em sequências de difusão. A difusão pode ser um achado adicional sugestivo, mas nunca isolado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Um nódulo hipervascular sem washout na fase portal não é diagnóstico de CHC. O washout venoso é componente essencial do critério. Lesões hipervasculares sem washout incluem a hiperplasia nodular focal (HNF), que realça na fase arterial e pode manter o realce ou ter washout tardio, mas não na fase portal. Sem o washout, o diagnóstico diferencial permanece aberto, e a biópsia pode ser necessária. A alternativa inverte o critério: exige o realce arterial (presente) mas omite o washout (ausente), tornando o achado insuficiente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Qualquer nódulo novo identificado por ultrassom, independentemente do padrão de realce, não é diagnóstico de CHC. A ultrassonografia é o método de rastreamento (recomendado a cada 6 meses com alfafetoproteína), mas não tem especificidade para diagnóstico definitivo. Nódulos suspeitos à US devem ser caracterizados por TC ou RM com contraste, e o diagnóstico só é firmado se o padrão de realce arterial + washout estiver presente. A alternativa ignora completamente a necessidade de caracterização por imagem dinâmica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o que é rastreamento (US) e o que é diagnóstico (TC/RM com contraste). O candidato que sabe que a US detecta o nódulo, mas não sabe que o diagnóstico exige o padrão vascular típico, cai na alternativa E. Lembre-se: US = rastreio; TC/RM dinâmica = diagnóstico, com realce arterial + washout venoso.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, memorize o binômio: realce arterial + washout venoso em lesão ≥ 1 cm em cirrótico = CHC, sem biópsia. Compare com a HNF (realce arterial, sem washout portal) e com o hemangioma (realce globular periférico, progressivo). Essa tríade de lesões é clássica em provas de oncologia e radiologia.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/qg727351