Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg727355
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
Paciente de 70 anos com linfoma agressivo em quimioterapia apresenta dor lombar progressiva, fraqueza em membros inferiores e retenção urinária. Qual é a conduta imediata mais apropriada nesse caso?
ASolicitar radiografia simples da coluna.
BEncaminhar para fisioterapia sem investigação diagnóstica prévia.
CIniciar opioide potente e observar evolução clínica.
DSolicitar tomografia apenas da coluna lombar.
EAdministrar dexametasona e solicitar ressonância magnética de coluna total.
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GabaritoE — Administrar dexametasona e solicitar ressonância magnética de coluna total.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Emergências oncológicas: síndrome de compressão medular
Gabarito: letra E. Paciente oncológico com dor lombar progressiva, fraqueza em membros inferiores e retenção urinária apresenta quadro clássico de síndrome de compressão medular — uma emergência oncológica que exige intervenção imediata. A conduta correta é administrar dexametasona (corticosteroide em dose alta) e solicitar ressonância magnética de coluna total, pois a RM é o exame padrão-ouro para avaliar compressão medular e o corticoide reduz o edema e protege a função neurológica enquanto o diagnóstico é confirmado.
A síndrome de compressão medular ocorre quando um tumor (neste caso, provavelmente metastático, dado o linfoma agressivo) comprime a medula espinhal ou a cauda equina. Os sintomas típicos incluem dor lombar (frequentemente o primeiro sintoma), fraqueza progressiva em membros inferiores, alterações sensitivas e disfunção autonômica — como a retenção urinária apresentada pela paciente. Essa tríade (dor + fraqueza + retenção urinária) é um sinal de alarme que não pode ser ignorado, pois o atraso no tratamento pode levar a déficits neurológicos permanentes, como paraplegia e incontinência.
A fisiopatologia envolve a compressão direta do tecido neural pelo tumor, além de edema e congestão venosa, que agravam a lesão. Por isso, o tratamento imediato com dexametasona em altas doses (geralmente 10 mg em bolus, seguido de manutenção) é fundamental: o corticosteroide reduz o edema vasogênico ao redor da lesão, aliviando a pressão sobre a medula e ganhando tempo para o tratamento definitivo (radioterapia ou cirurgia). A ressonância magnética de coluna total é o exame de escolha porque permite visualizar toda a extensão da coluna, identificando o nível exato da compressão e a presença de múltiplas lesões metastáticas — informação essencial para planejar a radioterapia ou a abordagem cirúrgica.
A urgência desse cenário não pode ser subestimada. Estudos mostram que o prognóstico funcional está diretamente relacionado ao status neurológico no momento do diagnóstico: pacientes que ainda deambulam têm muito mais chance de preservar a marcha do que aqueles que já apresentam paraplegia. Por isso, a conduta não pode ser adiada para exames menos sensíveis ou para observação clínica. A radiografia simples, por exemplo, tem baixa sensibilidade para lesões metastáticas e não avalia o conteúdo do canal vertebral. A tomografia, embora útil para avaliar a estrutura óssea, é inferior à RM para visualizar a medula e as partes moles. E o uso isolado de opioides, sem investigação, mascara os sintomas e atrasa o diagnóstico — uma conduta perigosa.
A distinção crucial aqui é entre lombalgia mecânica comum (que não requer imagem imediata) e sinais de alarme (red flags) que indicam emergência. A presença de câncer ativo, déficit neurológico progressivo e disfunção esfincteriana são red flags que obrigam à investigação imediata com RM. A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que trata o caso como uma lombalgia simples erra ao escolher radiografia, fisioterapia ou apenas analgesia. O que separa as alternativas é o reconhecimento da emergência oncológica e a prioridade absoluta de proteger a função neurológica.
1Reconhecer red flags
2Dexametasona em altas doses
3RM de coluna total
4Tratamento definitivo (RT/cirurgia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A radiografia simples da coluna é um exame de baixa sensibilidade para metástases ósseas e, principalmente, não avalia o conteúdo do canal vertebral — ou seja, não consegue visualizar a compressão da medula espinhal. Em um paciente com déficit neurológico e disfunção esfincteriana, a radiografia não responde à pergunta crítica: há compressão medular? Além disso, ela atrasa a realização do exame adequado (RM), o que pode comprometer o prognóstico. A radiografia pode até mostrar lesões líticas ou blásticas, mas a ausência delas não exclui compressão medular.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Encaminhar para fisioterapia sem investigação diagnóstica é uma conduta gravemente inadequada em um caso de possível compressão medular. A fisioterapia não trata a causa (o tumor comprimindo a medula) e, mais importante, atrasa o diagnóstico e o tratamento definitivo, permitindo que o déficit neurológico progrida de forma irreversível. Em emergências oncológicas, o tempo é tecido neural: cada hora de atraso aumenta o risco de paraplegia permanente. A fisioterapia pode ser útil após o tratamento definitivo, na reabilitação, mas nunca como primeira conduta em um quadro agudo com sinais de alarme.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Iniciar opioide potente e observar a evolução clínica é uma conduta que mascara os sintomas sem tratar a causa. A dor lombar oncológica com déficit neurológico não é uma dor que deva ser apenas analgésica — é um sinal de emergência. O uso de opioides pode até aliviar temporariamente a dor, mas não reduz o edema medular nem impede a progressão da lesão neurológica. Além disso, a observação clínica em um quadro de retenção urinária e fraqueza progressiva é perigosa, pois o paciente pode evoluir para paraplegia irreversível enquanto se "observa". A analgesia é importante, mas deve ser adjuvante, nunca substituta da investigação e do tratamento específico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Solicitar tomografia apenas da coluna lombar é insuficiente por dois motivos. Primeiro, a tomografia é inferior à ressonância magnética para avaliar a medula espinhal e as partes moles — ela é excelente para visualizar o osso, mas não mostra com clareza a compressão do tecido neural. Segundo, limitar o exame à coluna lombar é um erro, pois metástases podem estar presentes em múltiplos níveis da coluna (torácica, cervical, lombossacra). A RM de coluna total permite avaliar toda a extensão, identificando todas as lesões e o nível exato da compressão — informação crucial para o planejamento da radioterapia. A TC pode ser útil como complemento, mas não substitui a RM neste cenário.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Administrar dexametasona e solicitar ressonância magnética de coluna total é a conduta imediata mais apropriada. A dexametasona em altas doses é o tratamento inicial padrão para compressão medular, pois reduz o edema vasogênico ao redor da lesão, aliviando a pressão sobre a medula e ganhando tempo para o tratamento definitivo (radioterapia ou cirurgia). A RM de coluna total é o exame padrão-ouro, pois permite visualizar toda a extensão da coluna, identificar o nível exato da compressão e detectar múltiplas lesões metastáticas. Essa combinação — tratar imediatamente enquanto se investiga — é o que define o manejo correto de uma emergência oncológica. A conduta não pode ser adiada para exames menos sensíveis ou para observação clínica, pois o prognóstico funcional depende diretamente da rapidez do tratamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre lombalgia mecânica comum (que não exige imagem imediata) e síndrome de compressão medular (emergência absoluta). O candidato que lê "dor lombar" e pensa em radiografia, fisioterapia ou apenas analgesia cai nas alternativas A, B ou C. O segredo é reconhecer os sinais de alarme: câncer ativo + fraqueza progressiva + retenção urinária. Essa tríade obriga à RM imediata e ao corticoide — não há espaço para "observar evolução" ou exames de baixa sensibilidade. Com treino, você enxerga essas emergências de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, memorize os sinais de alarme (red flags) da lombalgia que indicam emergência: câncer ativo, déficit neurológico progressivo, disfunção esfincteriana, febre, trauma recente, perda de peso. Se qualquer um estiver presente, a conduta é RM de coluna + corticoide (se suspeita de compressão medular). Essa lista curta resolve muitas questões de emergências oncológicas e ortopédicas.