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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg727356
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
Homem de 62 anos com câncer de pulmão metastático apresenta confusão mental súbita, poliúria e intensa sede. Cálcio sérico: 15,2 mg/dL. ECG com intervalo QT encurtado. A conduta inicial correta nesse caso é
  1. Ahidratação vigorosa com solução isotônica e uso precoce de calcitonina.
  2. Buso isolado de agente antirreabsortivo como primeira medida.
  3. Crestrição hídrica associada a diurético de alça.
  4. Dobservação clínica com repetição tardia de exames laboratoriais.
  5. Eadministração exclusiva de bisfosfonato por via oral.
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GabaritoA — hidratação vigorosa com solução isotônica e uso precoce de calcitonina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipercalcemia oncológica: manejo agudo

Gabarito: letra A. O paciente apresenta hipercalcemia grave (cálcio sérico 15,2 mg/dL) com sintomas neurológicos (confusão mental), poliúria e sede intensa — quadro clássico de emergência oncológica. A conduta inicial correta é hidratação vigorosa com solução isotônica (repor o volume perdido pela poliúria e aumentar a excreção renal de cálcio) associada ao uso precoce de calcitonina (para redução rápida do cálcio enquanto os bisfosfonatos, que demoram dias para agir, não fazem efeito). Essa abordagem está alinhada com o manejo descrito na literatura médica para hipercalcemia associada ao câncer.

A hipercalcemia é uma complicação metabólica frequente no paciente oncológico, ocorrendo em até 10% dos casos, especialmente em neoplasias como mieloma múltiplo, câncer de mama e carcinoma de células escamosas. Os mecanismos envolvem a osteólise (destruição óssea pelo tumor) e a produção tumoral de proteína relacionada ao paratormônio (PTHrP), calcitriol ou citocinas. No caso descrito, o câncer de pulmão metastático é o gatilho — provavelmente pela produção de PTHrP, que mimetiza a ação do paratormônio e aumenta a reabsorção óssea e a reabsorção renal de cálcio.

Os sintomas iniciais incluem alteração do estado mental, constipação, polidipsia, poliúria, náuseas, vômitos e bradicardia. A poliúria leva à hipovolemia, que reduz a taxa de filtração glomerular e, paradoxalmente, aumenta ainda mais a reabsorção de cálcio — um ciclo vicioso. Por isso, a reidratação agressiva com solução salina isotônica (200 a 300 mL/h) é o primeiro passo: ela corrige a hipovolemia, aumenta o débito urinário e, com a infusão de sódio, promove a excreção renal de cálcio. Em pacientes com função cardíaca ou renal comprometida, a hidratação deve ser feita com cautela, e diuréticos de alça podem ser adicionados para manter o débito urinário em caso de sobrecarga de volume.

O tratamento definitivo da hipercalcemia oncológica é feito com bisfosfonatos intravenosos (pamidronato ou ácido zoledrônico), que inibem a atividade dos osteoclastos e a reabsorção óssea. Porém, a resposta aos bisfosfonatos leva alguns dias. Para uma redução rápida do cálcio — necessária em pacientes sintomáticos ou com níveis muito elevados —, utiliza-se a calcitonina subcutânea (4 unidades/kg, 2 a 4 vezes ao dia), que aumenta a excreção renal de cálcio e reduz a reabsorção óssea. A calcitonina tem efeito rápido, mas ocorre taquifilaxia (perda de efeito), limitando seu uso a 48 horas. Por isso, a combinação de hidratação + calcitonina (ação rápida) + bisfosfonato (ação lenta e duradoura) é a estratégia ideal.

A pegadinha central desta questão é a ordem e a combinação das medidas. O candidato pode pensar que o bisfosfonato isolado resolve, mas ele demora dias para agir — inadequado para um paciente com confusão mental e cálcio de 15,2 mg/dL. Também pode confundir com o tratamento da hiponatremia (restrição hídrica) ou com o uso de diurético de alça isolado, que não trata a causa e pode piorar a hipovolemia. A chave é lembrar: hipercalcemia sintomática = hidratação vigorosa + calcitonina precoce + bisfosfonato (não isolado, não oral).

Guarde a sequência terapêutica da hipercalcemia oncológica: (1) interromper suplementos de cálcio, vitamina D e diuréticos; (2) hidratação agressiva com solução salina; (3) calcitonina para efeito rápido; (4) bisfosfonato intravenoso para efeito duradouro; (5) tratar a doença de base. É exatamente essa sequência que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Hidratação vigorosa (SF 0,9%)
  2. 2Calcitonina (ação rápida)
  3. 3Bisfosfonato IV (ação lenta)
  4. 4Tratar doença de base
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta inicial correta é a hidratação vigorosa com solução isotônica (repor volume e aumentar excreção renal de cálcio) e uso precoce de calcitonina (redução rápida do cálcio). Essa combinação ataca a hipercalcemia por duas vias: diluição e excreção renal (hidratação) e inibição da reabsorção óssea + aumento da excreção renal de cálcio (calcitonina). É a medida mais adequada para o paciente sintomático com cálcio muito elevado, enquanto se aguarda o efeito do bisfosfonato.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O uso isolado de agente antirreabsortivo (bisfosfonato) como primeira medida é inadequado porque a resposta aos bisfosfonatos leva alguns dias. Em um paciente com confusão mental e cálcio de 15,2 mg/dL, é necessária uma redução rápida do cálcio, o que exige hidratação e calcitonina. O bisfosfonato é o tratamento definitivo, mas não deve ser usado isoladamente na fase aguda sintomática.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A restrição hídrica é contraindicada na hipercalcemia. O paciente está hipovolêmico devido à poliúria, e a restrição hídrica pioraria a hipovolemia, reduzindo a filtração glomerular e aumentando ainda mais a reabsorção de cálcio. O diurético de alça, isoladamente, não trata a causa e pode agravar a depleção de volume. A conduta correta é justamente o oposto: hidratação vigorosa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A observação clínica com repetição tardia de exames é totalmente inadequada. O paciente apresenta hipercalcemia grave (15,2 mg/dL) com sintomas neurológicos (confusão mental), caracterizando uma emergência oncológica que requer intervenção imediata. A demora no tratamento pode levar a complicações graves, como arritmias, coma e óbito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A administração exclusiva de bisfosfonato por via oral é inadequada por dois motivos: (1) os bisfosfonatos orais têm baixa biodisponibilidade e são pouco eficazes na hipercalcemia aguda grave; (2) o efeito demora dias, não sendo suficiente para o paciente sintomático. O tratamento correto envolve bisfosfonato intravenoso (pamidronato ou ácido zoledrônico), associado à hidratação e calcitonina na fase aguda.

Gabarito: letra A

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