Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg727363
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
A eficácia da quimioterapia clássica está fortemente relacionada à cinética tumoral. De acordo com o modelo de crescimento logarítmico e com a lei de Skipper, qual alternativa descreve corretamente esse conceito?
ACada ciclo de quimioterapia elimina uma porcentagem fixa das células tumorais, e não um número absoluto.
BA quimioterapia destrói sempre o mesmo número absoluto de células, independentemente da carga tumoral inicial.
CTumores maiores são necessariamente mais sensíveis à quimioterapia do que tumores menores.
DA cinética tumoral é independente da taxa de proliferação celular.
EA curva de crescimento tumoral é linear e constante ao longo de todo o curso da doença.
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GabaritoA — Cada ciclo de quimioterapia elimina uma porcentagem fixa das células tumorais, e não um número absoluto.
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Cinética tumoral e a lei de Skipper na quimioterapia
Gabarito: letra A. A lei de Skipper, também conhecida como cinética de primeira ordem ou modelo log-kill, estabelece que cada ciclo de quimioterapia elimina uma porcentagem fixa das células tumorais, e não um número absoluto — ou seja, a morte celular é proporcional à população tumoral existente. Essa é a base do conceito de que a quimioterapia é mais eficaz quando a carga tumoral é menor, como no contexto adjuvante.
A eficácia da quimioterapia clássica está intimamente ligada à cinética de crescimento tumoral. Diferentemente do que se poderia imaginar, os tumores não crescem de forma linear e constante; eles seguem um modelo de crescimento gompertziano, no qual a taxa de duplicação celular diminui progressivamente à medida que o tumor aumenta de tamanho. Isso significa que a fração de células em proliferação (fração de crescimento) é maior quando o tumor é pequeno e clinicamente indetectável, e pode ser inferior a 5% quando a doença já é sintomaticamente evidente.
A lei de Skipper, formulada a partir de estudos com leucemia murina, descreve a morte celular pela quimioterapia como um processo de cinética de primeira ordem: uma determinada dose do fármaco mata uma fração constante de células, independentemente do número absoluto de células presentes. Por exemplo, se uma dose elimina 99% das células, ela reduzirá um tumor de 10⁶ células para 10⁴, e um tumor de 10⁴ para 10² — sempre a mesma proporção, não o mesmo número absoluto. Essa é a razão pela qual a quimioterapia adjuvante, aplicada quando a carga tumoral é mínima (micrometástases), pode ser curativa, enquanto a quimioterapia paliativa em doença metastática volumosa raramente alcança a cura.
A curva de dose-resposta para agentes quimioterápicos é escarpada: um aumento de 2 vezes na dose pode levar a um aumento de 10 vezes na morte de células tumorais. Isso reforça a importância da intensidade de dose e explica por que a redução da dose pode comprometer adversamente a taxa de cura. Além disso, a resistência tumoral, muitas vezes mediada pela glicoproteína P (bomba de efluxo), é um fator que limita a eficácia da quimioterapia, especialmente em tumores grandes, onde a probabilidade de células resistentes pré-existentes é maior.
A pegadinha central desta questão é a inversão do conceito: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a quimioterapia mata um número absoluto de células (modelo de primeira ordem absoluto), quando na verdade mata uma fração (modelo de primeira ordem proporcional). Guarde a distinção: fração fixa × número absoluto — é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Lei de Skipper (log-kill): Morte celular (Fração fixa da população, Número absoluto); Crescimento tumoral (Modelo gompertziano, Fração de crescimento maior no tumor pequeno); Implicações clínicas (Adjuvância (carga mínima) → [+] curativa, Doença volumosa → [-] raramente cura); Dose-resposta (Curva escarpada, Intensidade de dose importa)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve corretamente a lei de Skipper. A morte celular pela quimioterapia segue cinética de primeira ordem, o que significa que cada ciclo elimina uma porcentagem fixa das células tumorais, independentemente do número absoluto. Isso implica que, quanto menor a carga tumoral, menor o número absoluto de células restantes após cada ciclo, e maior a chance de erradicação completa. É o fundamento da quimioterapia adjuvante, que atua sobre micrometástases com alta fração de crescimento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a quimioterapia destrói sempre o mesmo número absoluto de células, independentemente da carga tumoral inicial. Isso contraria diretamente a lei de Skipper, que estabelece a morte celular como uma fração da população tumoral, não um número fixo. Se fosse verdade, um tumor de 10⁶ células e outro de 10⁴ seriam igualmente reduzidos em, digamos, 10⁵ células — o que não ocorre. A confusão aqui é tratar a cinética de primeira ordem como se fosse de ordem zero.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere que tumores maiores são necessariamente mais sensíveis à quimioterapia do que tumores menores. Na realidade, ocorre o oposto: tumores maiores têm menor fração de crescimento (cinética gompertziana), maior probabilidade de células resistentes e pior vascularização, tornando-os menos sensíveis à quimioterapia. A quimioterapia é mais eficaz quando a carga tumoral é mínima, como no cenário adjuvante. A alternativa inverte a relação entre tamanho tumoral e sensibilidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Declara que a cinética tumoral é independente da taxa de proliferação celular. Isso é falso: a cinética tumoral é diretamente determinada pela fração de crescimento, ou seja, pela proporção de células em proliferação ativa. Agentes quimioterápicos específicos do ciclo celular, por exemplo, só afetam células que estão no ciclo, o que torna a taxa de proliferação um fator central na resposta ao tratamento. A alternativa nega um dos pilares da farmacologia oncológica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a curva de crescimento tumoral é linear e constante ao longo de todo o curso da doença. Isso contradiz o modelo de crescimento gompertziano, no qual a taxa de duplicação diminui progressivamente com o aumento do tamanho tumoral. O crescimento é exponencial nas fases iniciais e desacelera à medida que o tumor cresce, devido a limitações de nutrientes, oxigênio e espaço. A curva não é linear nem constante.
Gabarito: letra A — a lei de Skipper descreve a morte celular por quimioterapia como uma fração fixa da população tumoral, não um número absoluto.